sexta-feira, 29 de abril de 2011
Para sempre na memória
Em 1884, ainda havia escravos oficiais no Brasil. A população do país era menor do que hoje é a de São Paulo. Embora em processo de fritura, a monarquia ainda comandava o país. Naquela época, Adriano Ramos Pinto já produzia vinhos do porto. E foi um vinho do porto vintage, da safra 1884, a grande atração de uma prova, seguida de jantar, que a Adriano Ramos Pinto e a importadora Franco Suissa, na noite de quarta-feira, no restaurante Trindade, em São Paulo.
E, mesmo que a noite tivesse sido reservada apenas para o Vintage 1884, já teria sido espetacular. Mas a prova incluiu a degustação de outras seis safras do Adriano Ramos Pinto Vintage. Eram elas: 1924, 1934, 1952, 1970, 1983 e 2007. Portanto, uma prova de vinhos do porto de três diferentes séculos.
Antes da prova, conduzida com maestria por João Rosas, da Ramos Pinto, uma pequena palestra sobre a história da empresa e uma degustação de outros quatro rótulos de vinhos tranquilos da vinícola.
Abaixo, a nota de degustação de todos os vinhos provados no inesquecível evento:
Ramos Pinto Collection 2008
Douro, Portugal
No nariz, fruta vermelha madura, com evolução para carne e coro. Na boca, taninos duros, acidez marcante, bom volume, longo – 8
Duas Quintas Reserva 2008
Douro, Portugal
No nariz, um toque floral, fruta vermelha madura, compota, chocolate. Na boca, boa entrada, acidez viva, macio, cai no meio de boca, recupera com um bom final – 8,5
Duas Quintas Reserva 2000
No nariz, floral, com notas de cassis e licor de amora. Na boca, taninos duros, acidez marcada, perde no meio da boca e tem um final quente e leve amargor – 8
Duas Quintas Reserva 1994
No nariz, fruta madura, passas com evolução para chocolate e café. Na boca, acidez perfeita, taninos finos, bom volume, final longo – 9
Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 2007
No nariz, abre com aromas de esmalte, evolui para figo seco, castanha assada e um toque balsâmico. Na boca, bom volume, maciez, final longo – 8,5
Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1983
No nariz, amora, violeta, chocolate, figo seco. Na boca, é intenso, sedoso, volumoso e longo – 9,5
Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1970
No nariz, groselha, pimenta, caramelo, chá. Na boca, é exuberante, elegante, intenso e com um final enorme – 9,5
Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1952
No nariz, eucalipto, chá, pimenta, damasco seco. Na boca, é elegante, harmônico, macio, com bom volume, imenso – 9,5
Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1934
No nariz, caramelo, chá, pimenta, mel, amêndoa amarga. Na boca, é elegante, macio, harmônico, longo – 10
Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1924
É emocionante encontrar um vinho com esta idade e nesta forma ainda tão exuberante. No nariz, marmelada, caramelo, amêndoa amarga, mel. Na boca, intenso, elegante, harmônico, macio, com um final interminável – 10
Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1884
É incrível como um vinho de 127 anos ainda pode estar vivo, em condições de ser degustado. No nariz, já prevalecem os aromas químicos, principalmente iodo, mas evolui para caramelo, e chá. Na boca, ainda conserva acidez, e um final longo e amargo, com um toque de boldo. Seria injusto dar nota a um vinho assim, mas é um prazer e uma emoção prová-lo – s/n
terça-feira, 26 de abril de 2011
O jantar dos chefs
No próximo sábado, dia 30 de maio, vai rolar, em Visconde de Mauá, a 14ª edição do Jantar dos Chefs. O evento – já tradicional no calendário gastronômico da aprazível cidade da serra da Mantiqueira – é a reunião de três amigos cozinheiros com um chef convidado, em uma das melhores pousadas da região. Na Pousada Terras Altas, Flávia Quaresma, Paulo Pinho e Paulo Nicolay recebem Dalton Rangel, para uma noite regada a alta gastronomia e grandes vinhos em um ambiente exclusivo e intimista.
Nesta edição do jantar, caberá à chef Flávia Quaresma a preparação da entrada. Será o Polvo entre o mar e o sertão. Em seguida, virá o primeiro prato, um Spaghettini com camarões e cogumelos, criação de Paulo Nicolay – que além de festejado consultor de vinhos, exibe nestes jantares os dotes culinários que tem. A noite segue com o Brasato ao malbec com batatas perfumadas e alecrim, preparado por Dalton Rangel, o chef convidado, que dirige a cozinha do Yuka, restaurante de Visconde de Mauá. O jantar termina com a Banana caramelada com sorvete de creme de Paulo Pinho, chef do Sagrada Familia, que fica no Centro do Rio. Cada prato vem acompanhado por um vinho, escolhido especialmente por Paulo Nicolay.
As vagas são limitadas, e o preço por pessoa é de R$ 175. Quem preferir, pode se hospedar na Terras Altas mesmo. Clique aqui para acessar o site da pousada. Abaixo, as informações completas sobre o Jantar dos Chefs:
Nesta edição do jantar, caberá à chef Flávia Quaresma a preparação da entrada. Será o Polvo entre o mar e o sertão. Em seguida, virá o primeiro prato, um Spaghettini com camarões e cogumelos, criação de Paulo Nicolay – que além de festejado consultor de vinhos, exibe nestes jantares os dotes culinários que tem. A noite segue com o Brasato ao malbec com batatas perfumadas e alecrim, preparado por Dalton Rangel, o chef convidado, que dirige a cozinha do Yuka, restaurante de Visconde de Mauá. O jantar termina com a Banana caramelada com sorvete de creme de Paulo Pinho, chef do Sagrada Familia, que fica no Centro do Rio. Cada prato vem acompanhado por um vinho, escolhido especialmente por Paulo Nicolay.
As vagas são limitadas, e o preço por pessoa é de R$ 175. Quem preferir, pode se hospedar na Terras Altas mesmo. Clique aqui para acessar o site da pousada. Abaixo, as informações completas sobre o Jantar dos Chefs:
terça-feira, 12 de abril de 2011
A queda
“Meu Armageddon pessoal, enfim, acabou”. Com este desabafo, Patricia Kluge (na foto) resumiu o alívio que sentiu ao saber que o amigo de longa data Donald Trump comprara a Kluge Estate Winery, propriedade de 2 mil hectares, no estado de Virgínia, que pertencia a ela.
Trump pagou apenas US$ 6,2 milhões, pouco mais de um quinto do valor da hipoteca da propriedade, fixada em US$ 28 milhões e muito abaixo do valor estimado pela vinícola, avaliada em US$ 70 milhões.
Nas últimas semanas, vários rumores tornaram a vida de Patricia ainda mais infernal. A central de boatos alimentou a versão de que a viúva de seu ex-marido, John Kluge, poderia comprar junto ao banco a propriedade e transformar tudo em um imenso campo de golfe. Seria um triste fim para a vinícola que Patricia e o marido William Moses montaram em 1999, mas cuja excêntrica administração e erros crassos de avaliação levaram à bancarrota menos de 10 anos depois de aberta.
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Trump pagou apenas US$ 6,2 milhões, pouco mais de um quinto do valor da hipoteca da propriedade, fixada em US$ 28 milhões e muito abaixo do valor estimado pela vinícola, avaliada em US$ 70 milhões.
Nas últimas semanas, vários rumores tornaram a vida de Patricia ainda mais infernal. A central de boatos alimentou a versão de que a viúva de seu ex-marido, John Kluge, poderia comprar junto ao banco a propriedade e transformar tudo em um imenso campo de golfe. Seria um triste fim para a vinícola que Patricia e o marido William Moses montaram em 1999, mas cuja excêntrica administração e erros crassos de avaliação levaram à bancarrota menos de 10 anos depois de aberta.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
O uísque do capitão
Ernest Shackleton foi um explorador anglo-irlandês e é considerado um dos mais importantes desbravadores da Antártida. Entre 1907 e 1909, liderou uma expedição para alcançar o Pólo Sul, mas foi forçado a desistir a apenas 180 quilômetros do destino final, por conta da falta de suprimentos, depois de terem percorrido mais de 3 mil km no continente gelado. Na pressa de voltarem ao barco, já que o gelo já começava a se formar no mar e ameaçava a travessia do barco, Shackleton e seus comandados deixaram para trás alguns suprimentos. Entre os objetos largados no gelo, estavam cinco caixas de uísque escocês e brandy.
Este autêntico tesouro etílico foi encontrado no ano passado, em uma cabana usada pelo explorador na expedição. Embora algumas garrafas tivessem quebrado, a maioria estava intacta. Na ocasião, Richard Paterson, técnico da destilaria Whyte and Mackay, que forneceu o uísque para Shackleton, disse que a receita original para a mistura de maltes não existia mais. Mas manteve a esperança de que a bebida pudesse ser recriada. “Se o conteúdo puder ser confirmado, extraído com segurança e analisado, pode ser possível reproduzir a mistura original”, disse Paterson.
Pois nesta semana, a Whyte and Mackay anunciou que conseguiu recriar o uísque centenário enterrado no gelo pelo famoso explorador. Depois de semanas misturando e combinando diferentes tipos de malte, Richard Paterson garante que conseguiu chegar à exata mistura da bebida de Shackleton. O sucesso da empreitada foi atestado pelo especialista em uísque, Dave Broom – única pessoa de fora da Whyte and Mackay a provar tanto o líquido da garrafa original quanto a recriação de Paterson.
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Este autêntico tesouro etílico foi encontrado no ano passado, em uma cabana usada pelo explorador na expedição. Embora algumas garrafas tivessem quebrado, a maioria estava intacta. Na ocasião, Richard Paterson, técnico da destilaria Whyte and Mackay, que forneceu o uísque para Shackleton, disse que a receita original para a mistura de maltes não existia mais. Mas manteve a esperança de que a bebida pudesse ser recriada. “Se o conteúdo puder ser confirmado, extraído com segurança e analisado, pode ser possível reproduzir a mistura original”, disse Paterson.
Pois nesta semana, a Whyte and Mackay anunciou que conseguiu recriar o uísque centenário enterrado no gelo pelo famoso explorador. Depois de semanas misturando e combinando diferentes tipos de malte, Richard Paterson garante que conseguiu chegar à exata mistura da bebida de Shackleton. O sucesso da empreitada foi atestado pelo especialista em uísque, Dave Broom – única pessoa de fora da Whyte and Mackay a provar tanto o líquido da garrafa original quanto a recriação de Paterson.
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segunda-feira, 4 de abril de 2011
Merlot is on fire
“O nível de álcool da merlot está tão alto que corremos sério risco de perdermos o estilo característico de Bordeaux”. A frase é dono do château Leoville Poyferre, Didier Cuvelier. “Uma das vantagens de plantar a merlot aqui no Médoc era justamente o fato de que a uva tinha um amadurecimento melhor do que a do cabernet-sauvignon”, explicou o francês. Mas nas safras 2009 e 2010 foi comum casos de merlots ultrapassando os 15% de volume alcoólico, uma situação que Cuvelier classificou como “perturbadora”.
Outra importante voz que fez coro às preocupações de Cuvelier foi a do consultor Denis Dubourdieu. Ele notou uma tendência nas propriedades da Margem Direita de ambicionarem uma maior concentração de açúcares nas uvas, e para tanto, apelarem para técnicas como o desfolhamento, o que gera uvas menores e mais concentradas. E, consequentemente, mais alcoólicas.
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Outra importante voz que fez coro às preocupações de Cuvelier foi a do consultor Denis Dubourdieu. Ele notou uma tendência nas propriedades da Margem Direita de ambicionarem uma maior concentração de açúcares nas uvas, e para tanto, apelarem para técnicas como o desfolhamento, o que gera uvas menores e mais concentradas. E, consequentemente, mais alcoólicas.
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sexta-feira, 1 de abril de 2011
Este mundo é um hospício
Uma bela tarde, Todd Fox chegou em casa com uma barrica cheia de aspargos amassados e disse à esposa: “Dê um jeito nisso aqui”. Kellie (a esposa) não teve dúvidas: adicionou água, açúcar e leveduras. E a coisa começou a fermentar. Nascia assim o primeiro ‘vinho’ feito com aspargos que se tem notícia no mundo.
“É bem clarinho e tem um leve aroma de aspargo e uma pequena doçura”, garante Kellie. “Mas o cheiro na hora em que começou a fermentar não era muito agradável”, admitiu a mãe da bebida.
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segunda-feira, 28 de março de 2011
A rainha da elegância
Desde que o simpático Miles, no filme Sideways, detonou a merlot e defendeu arduamente a pinot noir, que a uva ganhou pontos no imaginário coletivo do consumidor de vinho. Na época do filme, principalmente nos Estados Unidos, o consumidor enlouqueceu. Caixas e mais caixas de tintos feitos com a pinot noir eram vendidas como água, enquanto os merlots, pobrezinhos, agonizavam, esquecidos e empoeirados, em prateleiras de lojas e estoques de produtores.
Alguns anos já se passaram do filme, mas, se não é o sucesso avassalador da época, a pinot não foi parar no limbo das celebridades instantâneas. Vinhos feitos a partir da casta continuam indo bem em restaurantes e lojas especializadas. Ainda bem. Em um mundo repleto de robustos malbecs, cabernets, syrahs e afins, a delicadeza da uva é sempre muito bem-vinda.
E a diversidade de lugares, climas e terroirs em que a pinot é produzida atualmente, tem gerado boas e produtivas discussões sobre a tipicidade da uva. Que o pinot noir referência é o da Borgonha, ninguém discute. Os bons são elegantes, ricos, intensos e imensos. Os melhores são clássicos inesquecíveis e incomparáveis. Por isso, nos outros cantos do mundo, todos os produtores que arriscam produzir vinhos feitos com a uva buscam uma identidade borgonhesa no vinho. O problema é: existe uma identidade borgonhesa? Qual é, exatamente, o gosto de um pinot da Borgonha?
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Alguns anos já se passaram do filme, mas, se não é o sucesso avassalador da época, a pinot não foi parar no limbo das celebridades instantâneas. Vinhos feitos a partir da casta continuam indo bem em restaurantes e lojas especializadas. Ainda bem. Em um mundo repleto de robustos malbecs, cabernets, syrahs e afins, a delicadeza da uva é sempre muito bem-vinda.
E a diversidade de lugares, climas e terroirs em que a pinot é produzida atualmente, tem gerado boas e produtivas discussões sobre a tipicidade da uva. Que o pinot noir referência é o da Borgonha, ninguém discute. Os bons são elegantes, ricos, intensos e imensos. Os melhores são clássicos inesquecíveis e incomparáveis. Por isso, nos outros cantos do mundo, todos os produtores que arriscam produzir vinhos feitos com a uva buscam uma identidade borgonhesa no vinho. O problema é: existe uma identidade borgonhesa? Qual é, exatamente, o gosto de um pinot da Borgonha?
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quinta-feira, 10 de março de 2011
O néctar do ditador
Khvanchkara é um vinho tinto da Geórgia, naturalmente meio-doce, feito com as uvas alexandria e mudzhuretuli tardiamente colhidas, cuja produção remonta ao início do século XX e era uma das bebidas preferidas do ditador soviético Josef Stálin. Pois o vinho, um dos mais populares da Geórgia, voltou ao noticiário por um motivo inusitado: o escritório de patentes do governo da ex-república soviética abriu negociações com a empresa norte-americana Dozortsev para – reparem o absurdo – recuperar o nome da bebida no mercado dos Estados Unidos. Hoje em dia, apenas a Dozortsev pode vender vinhos com o nome Khvanchkara em território norte-americano.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
As invasões bárbaras
A invasão chinesa em Bordeaux segue a toda velocidade. Além de esgotarem estoques e inflacionarem os preços dos vinhos da região, os mandarins do Grande Reino do Oriente mudaram de tática e resolveram mesmo ir beber direto na fonte. Agora, foi a vez de o empresário Richard Shen Dongjun (na foto) – de 42 anos, e dono de uma cadeia de joalherias espalhadas por Xangai e pelo sudeste da China – realizar o sonho do château próprio. Por uma soma não revelada, Dongjun comprou de Frederic Ducos o Château Laulan Ducos, um cru bourgeois do Médoc, de 22 hectares. Esta foi a sexta propriedade bordalesa vendida aos chineses. Anteriormente, os châteaus Latour-Laguens, Richelieu, Chenu Lafitte, De la Salle e De Viaud já haviam trocado de mãos.
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quinta-feira, 3 de março de 2011
Os artistas do espetáculo
Imagine a cena: em uma prova de vinhos, o degustador, analisando a bebida, sai com essa:
- Este cabernet tem um toque de Mozart, com notas de Haydn.
Pois se a ideia do amalucado austríaco Markus Bachmann pegar, é bem possível que enochatos mais meticulosos tentem mesmo descobrir quais influências musicais o vinho carrega na taça.
É que Markus inventou uma caixa de som especial para ser acoplada nos tanques de fermentação e que toca a música que o enólogo acha que será uma boa influência para o vinho. Pode ser um jazz, rock, ou mesmo músicas clássica ou eletrônica.
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Pirotecnia saborosa
Demorei muito para ter coragem de ir ao Oro. Ouvia tanto que o chef Felipe Bronze estava fazendo isso, aquilo. Acho que fiquei com medo. Até porque não sou muito fã dessa modernidade toda. Tomei coragem, marquei com um grupo de amigos e fomos. A primeira coisa que gostei, foi entrar no restaurante pelo lado oposto aonde era a entrada do último restaurante que abriu ali, o XX. Aliás tudo é o oposto do antecessor, que fechou com menos com menos de um ano de funcionamento e era a tradução da irregularidade.
Do salão dá pra ver o que acontece na cozinha, só que eles não conseguem ver os clientes. Nada lá é convencional. Para quem vê de fora, a luz da cozinha é fúcsia, e dá um clima de laboratório e ficção científica. Mas acredito que lá dentro, a luz seja branca mesmo, tradicional, ou seria complicado cozinhar.
Logo chegou o maître Raul de Lamare que nos apresentou o cardápio. Como não sabíamos exatamente o que escolher, decidimos colocar o nosso jantar nas mãos do chef.
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quarta-feira, 2 de março de 2011
O vinho em alta
O crescimento do mercado mundial de vinhos pós-crise financeira global está fazendo com que muitas instituições que cuidam dos interesses dos países produtores de vinho trabalhem forte na conquista de novos consumidores. Alemanha e Portugal miram forte no Reino Unido. O Brasil promoveu recentemente encontro entre produtores e importadores nos Estados Unidos, país em que os chilenos pretendem consolidar posição. A França invadiu, com Bordeaux na frente, a China. E a Argentina aposta na malbec para abrir as fronteiras internacionais. No meio disso tudo, duas associações decidiram, nesta semana, as suas estratégias para o começo de 2011. A Wines of Turkey lançou uma campanha para promover os vinhos turcos na Inglaterra, e os produtores australianos estão de olho grande no mercado do Vietnam.
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Concha y Toro compra Fetzer
A Concha y Toro anunciou na noite de ontem a compra da Fetzer Vineyards, uma das dez maiores vinícolas norte-americanas em volume. O valor do negócio foi de US$ 238 milhões (cerca de R$ 400 milhões). A expectativa é de que a transação seja concluída até abril deste ano, depois de aprovada pelos conselhos reguladores do mercado. A Fetzer pertencia ao grupo californiano Brown-Forman.
A transação inclui um portfólio de marcas que possuem boa posição no mercado norte-americano. Só em 2010, Fetzer, Bonterra, Five Rivers, Jakel, Sanctuary e Litlle Black Dress venderam, somadas, 3.1 milhões de caixas, q representaram um valor de US$ 156 milhões. A Concha y Toro também ficou com 429 hectares de vinhas no condado de Mendocino, na Califórnia e adegas com capacidade de produzir 42 milhões de litros, além de uma engarrafadora. No total, a vinícola chilena herdou 240 empregados da empresa norte-americana.
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
O paraíso dos bebuns
A ex-república soviética da Moldávia, um pequeno país espremido entre a Romênia e a Ucrânia ostenta o título de maior consumidor de álcool do mundo. Os moldávios deixaram os tchecos para trás e assumiram a ponta da tabela, segundo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O consumo de álcool per capita da Moldávia é de 18,22 litros por ano. O número equivale a quase o triplo da média mundial, que é de 6,1 litros per capita. A estatística aponta a quantidade álcool puro que é ingerida por pessoa e não o volume de bebidas alcoólicas que é consumido.
O álcool causa a morte de cerca de 2,5 milhões de pessoas por ano, segundo a OMS. Número superior ao de doenças como tuberculose e AIDS. O número de jovens entre 15 e 29 anos que perdem a vida por motivos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas é de 320 mil, por ano.
A Moldávia é um dos países mais pobres da Europa. É dividido entre as etnias russa e romena. O país é um grande produtor de vinhos, mas a qualidade é tão discutível que recentemente a Rússia – principal mercado dos vinhos moldávios – baniu a importação de rótulos do país por questões de higiene. Na ocasião, um diretor da agência de vigilância sanitária da Rússia chegou a declarar que os vinhos da Moldávia ‘deveriam ser usados para pintar cercas’.
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O consumo de álcool per capita da Moldávia é de 18,22 litros por ano. O número equivale a quase o triplo da média mundial, que é de 6,1 litros per capita. A estatística aponta a quantidade álcool puro que é ingerida por pessoa e não o volume de bebidas alcoólicas que é consumido.
O álcool causa a morte de cerca de 2,5 milhões de pessoas por ano, segundo a OMS. Número superior ao de doenças como tuberculose e AIDS. O número de jovens entre 15 e 29 anos que perdem a vida por motivos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas é de 320 mil, por ano.
A Moldávia é um dos países mais pobres da Europa. É dividido entre as etnias russa e romena. O país é um grande produtor de vinhos, mas a qualidade é tão discutível que recentemente a Rússia – principal mercado dos vinhos moldávios – baniu a importação de rótulos do país por questões de higiene. Na ocasião, um diretor da agência de vigilância sanitária da Rússia chegou a declarar que os vinhos da Moldávia ‘deveriam ser usados para pintar cercas’.
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Dream team do bem
Uma espécie de dream team da gastronomia brasileira vai juntar as panelas e colocar as mãos à obra neste domingo, dia 21 de fevereiro, no Pré Catelan, no Hotel Sofitel, em Copacabana, Zona Sul do Rio. Serão 21 chefs de primeira grandeza, que, juntos, irão preparar nove serviços, harmonizados com três diferentes vinhos, precedidos de um pocket show da Rio Jazz Orchestra em coquetel na piscina do Hotel Fasano.
O motivo desta reunião de bambas é pra lá de nobre: ajudar as vítimas da tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro. Todo o dinheiro arrecadado será doado à ONG Move Rio e Minha Ajuda – Sua Casa. O único pedido dos chefs é que 20% do dinheiro seja repassado a pequenos produtores da região que tiveram os negócios destruídos pela calamidade.
Todos os chefs envolvidos doaram os insumos que serão utilizados no preparo dos pratos. Os que vieram de fora do Rio, pagaram a passagem do próprio bolso. A equipe que fará o serviço também trabalhará de graça. Os hotéis Fasano e Sofitel cederam a hospedagem para quem veio de outras cidades.
O evento – que custa R$ 2,5 mil por pessoa – vai começar às 18h30 com um coquetel, champanhe e o show na piscina do Hotel Fasano. Na sequência, os 100 convidados serão levados para o restaurante Le Pré Catelan para o jantar, que terá início às 20h30. Serão cinco cursos, com harmonização de vinhos assinada pela enóloga e sommelière Cecília Aldaz (Oro), e serviço conduzido pelos craques do salão, Jean Pierre Fivria (Le Pré Catelan), Ricardo Zaroni (Fasano al Mare), Raul de Lamare (Oro), Danielle Dahoui (Ruella).
Leia a lista dos chefs participantes e o menu do evento em Wine Report
O motivo desta reunião de bambas é pra lá de nobre: ajudar as vítimas da tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro. Todo o dinheiro arrecadado será doado à ONG Move Rio e Minha Ajuda – Sua Casa. O único pedido dos chefs é que 20% do dinheiro seja repassado a pequenos produtores da região que tiveram os negócios destruídos pela calamidade.
Todos os chefs envolvidos doaram os insumos que serão utilizados no preparo dos pratos. Os que vieram de fora do Rio, pagaram a passagem do próprio bolso. A equipe que fará o serviço também trabalhará de graça. Os hotéis Fasano e Sofitel cederam a hospedagem para quem veio de outras cidades.
O evento – que custa R$ 2,5 mil por pessoa – vai começar às 18h30 com um coquetel, champanhe e o show na piscina do Hotel Fasano. Na sequência, os 100 convidados serão levados para o restaurante Le Pré Catelan para o jantar, que terá início às 20h30. Serão cinco cursos, com harmonização de vinhos assinada pela enóloga e sommelière Cecília Aldaz (Oro), e serviço conduzido pelos craques do salão, Jean Pierre Fivria (Le Pré Catelan), Ricardo Zaroni (Fasano al Mare), Raul de Lamare (Oro), Danielle Dahoui (Ruella).
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
O bunga-bunga de Alan García
O presidente peruano Alan García se meteu em uma polêmica dos diabos. O motivo nada tem a ver com o bunga-bunga do premiê italiano Silvio Berlusconi, mas é razão de indignação semelhante entre os peruanos. É que Garcia comprou um lote especial de uma bodega de Mendoza, na Argentina, imprimiu a própria foto nos rótulos e levou o vinho ao Peru sem sequer pagar o imposto de importação da bebida. Narcisismo Colossal e Frivolidade no Palácio foram algumas das manchetes dos jornais peruanos, que não perdoaram o egocentrismo do presidente.
O vinho é um corte de mabec, merlot e syrah, produzido pela Viniterra, vinícola que fica em Lujan de Cuyo, cuja produção foi de apenas cinco mil litros. Na edição especial, vem o nome do presidente, com a foto, a bandeira do Peru e a indicação de que se trata de um malbec 2003.
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O vinho é um corte de mabec, merlot e syrah, produzido pela Viniterra, vinícola que fica em Lujan de Cuyo, cuja produção foi de apenas cinco mil litros. Na edição especial, vem o nome do presidente, com a foto, a bandeira do Peru e a indicação de que se trata de um malbec 2003.
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Valeu, chefe
Apagou-se uma das mais cintilantes estrelas da gastronomia mundial. Morreu, aos 53 anos, o cozinheiro catalão Santi Santamaria, um dos maiores chefs da atualidade. Santi estava sentado em uma mesa do seu próprio restaurante em Cingapura, que é dirigido pela filha, quando passou mal. A necropsia ainda não foi feita, mas tudo indica que a causa da morte foi um fulminante ataque cardíaco.
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Wine Rocks
O casamento entre o vinho e a cultura pop anda mesmo a todo vapor. O cantor e guitarrista Boz Scaggs já montou uma pequena vinícola, bandas como Motörhead e Train lançaram rótulos próprios. Há artistas que leiloam parte da adega, como Andrew Lloyd Webber e, mais recentemente, Chris de Burgh. Sem falar no cineasta Francis Ford Coppola, dono de um autêntico château no coração do vale do Napa, na Califórnia. No Brasil, o locutor Galvão Bueno e o pianista Mu Carvalho são dois exemplos de personalidades que já enveredaram pelos lados da enologia.E nesta semana, mais uma vez o mundo pop atravessou o caminho de Baco.
Michael Diamond, ou, simplesmente, Mike D. (na foto), da banda Beastie Boys, lançou um blog em que faz críticas de vinho, hospedado no site de James Suckling. Enquanto o novo álbum da banda Hot Sauce Committee, Pt. 2 não vem, Mike estreou na nova atividade na última segunda-feira, com um post sobre meia garrafa de um tinto da Borgonha – o Jean-Marc Morey Santenay La Comme Dessus 2006 – cuja nota foi 93 pontos, em uma escala de 100. Segundo Mike, o vinho é “elegante e contido, cheio de fruta madura, notas terrosas, com um quê de ‘funk refinado’”. Ainda de acordo com Mike, o vinho está ‘ready to rock’.
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Michael Diamond, ou, simplesmente, Mike D. (na foto), da banda Beastie Boys, lançou um blog em que faz críticas de vinho, hospedado no site de James Suckling. Enquanto o novo álbum da banda Hot Sauce Committee, Pt. 2 não vem, Mike estreou na nova atividade na última segunda-feira, com um post sobre meia garrafa de um tinto da Borgonha – o Jean-Marc Morey Santenay La Comme Dessus 2006 – cuja nota foi 93 pontos, em uma escala de 100. Segundo Mike, o vinho é “elegante e contido, cheio de fruta madura, notas terrosas, com um quê de ‘funk refinado’”. Ainda de acordo com Mike, o vinho está ‘ready to rock’.
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Aos treinos, companheiros!
Eis aí uma corrida que mesmo o mais preguiçoso dos enófilos gostaria de ganhar: a maratona de Sauternes. O motivo é simples. Os vencedores de cada categoria irão receber, além das tradicionais medalhas e troféus, uma garrafa magnum de Château d’Yquem e o próprio peso em sauternes.
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Entre 'causos' e quibes
Quem nunca parou diante de uma carrocinha de cachorro-quente – com água na boca e morto de fome, e pediu o sanduíche com tudo o que tinha direito, de ervilha a queijo parmesão e batata palha – que atire o primeiro saco de pipoca.
Pois estes trabalhadores, que passam meia vida cozinhando em plena rua, muitas vezes são esquecidos, relegados a segundo plano, tratados como meros camelôs. Injustiça brava. Alguns são chefs de qualidade, verdadeiros artistas da baixa gastronomia, com um vasto repertório de quitutes, salgados e histórias.
E para resgatar algumas destas mis histórias, Sérgio Bloch e Inês Garçoni lançaram o livro Guia Carioca da Gastronomia de Rua (Ed. Arte Ensaio), com fotos de Marcos Pinto, dedicado aos mestres da informal arte de comer na rua, muitas vezes em pé mesmo.
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Pois estes trabalhadores, que passam meia vida cozinhando em plena rua, muitas vezes são esquecidos, relegados a segundo plano, tratados como meros camelôs. Injustiça brava. Alguns são chefs de qualidade, verdadeiros artistas da baixa gastronomia, com um vasto repertório de quitutes, salgados e histórias.
E para resgatar algumas destas mis histórias, Sérgio Bloch e Inês Garçoni lançaram o livro Guia Carioca da Gastronomia de Rua (Ed. Arte Ensaio), com fotos de Marcos Pinto, dedicado aos mestres da informal arte de comer na rua, muitas vezes em pé mesmo.
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