quarta-feira, 6 de julho de 2011

Barca Velha aporta na Lagoa

O jornalista Alexandre Lalas, editor do Wine Report, vai comandar uma degustação dos sonhos, na próxima terça-feira, dia 12 de julho, no restaurante Mr. Lam, na Lagoa, Zona Sul do Rio de Janeiro. Seis safras do Barca Velha, o maior ícone de Portugal, serão provados na noite: 1965, 1978, 1983, 1991, 1999 e 2000. Além da degustação, Alexandre irá falar um pouco sobre a mística e a história do Barca Velha.

A degustação faz parte do projeto CAVE (Cariocas Amantes de Vinhos Especiais), que já promoveu uma prova com os vinhos da Domaine de La Romanée Conti e outra com champanhes especiais.

Após a degustação, será servido um jantar harmonizado com vinhos portugueses.

O preço por pessoa, com jantar e serviço incluído, custa R$ 1,2 mil.

As reservas podem ser feitas através do telefone 2286-6661 ou no email rafaela.nobrega@mrlam.com.br.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A maldição da estrela

Quando os críticos do Guia Michelin concedem uma estrela a um restaurante, a expectativa dos donos é de que filas se formem na porta e a casa fature alto. Nem sempre é assim. A vida real mostra que nem apenas de prêmios vive um estabelecimento comercial. Vide o exemplo de Olivier Douet, chef e dono do Le Lisita, bistrô que fica em Nîmes, no sul da França, e agraciado com uma estrela Michelin desde 2006. Com o restaurante vazio e cansado dos altos custos necessários para manter um restaurante padrão uma estrela Michelin, o chef radicalizou: devolveu o prêmio aos organizadores.

Quando ganhou a honraria, Douet comemorou. Mal sabia ele que, pouco tempo depois, a tal estrelinha se transformaria quase em uma maldição. Manter o padrão estrelado de um restaurante não é barato. É a excelência do atendimento, a qualidade dos ingredientes. Tudo isso custa caro. E, para que a conta no fim do mês feche, acaba refletindo nos preços cobrados no cardápio.

Só que os habitués da casa não gostaram da novidade e foram sumindo do restaurante. Novos clientes não vieram na mesma proporção em que os antigos foram minguando. E a crise de 2008 foi a pá de cal nos planos de Douet. O chef, que pensava em ampliar o restaurante usando um terreno na parte de trás da casa, lutou arduamente para não quebrar.

A maneira encontrada por Douet para não precisar fechar as portas da casa foi voltar às raízes. E transformou o Le Lisita em uma informal brasserie. “Em um restaurante estrelado, é preciso um garçom para cada cinco, seis pessoas. Em uma brasserie, o mesmo cara atente até 30 clientes”, explicou o chef.

Sem estrelas, mas com custos menores e preços mais baixos, Douet espera trazer de volta os velhos clientes.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Malte que vale ouro



A Chivas Brothers lançou um uísque que custa US$ 200 mil (R$ 320 mil), mais as taxas. A bebida foi feita em homenagem às mais antigas joias da coroa britânica: a Honours of Scotland.

O blend do Royal Salute Tribute to Honour inclui uísques raros selecionados da Royal Salute Vault, da destilaria Strathisla. O master blender Colin Scott produziu apenas 21 garrafas do Tribute to Honour, justamente para marcar os 21 anos de carreira dele como blender.

“A Chivas tem um fenomenal arquivo de uísque super velhos e, alguns deles, depois de décadas de lenta e cuidadosa maturação, adquirem uma riqueza, intensidade e concentração únicas, suntuosas. São destes poucos e preciosos líquidos que eu, pessoalmente, selecionei o blend e compus o Tribute To Honour”, disse Scott.

A garrafa é de porcelana preta, com detalhes em ouro e em prata, e é enfeitada com 413 diamantes brancos e negros.

O uísque será lançado em setembro deste ano e as garrafas serão individualmente numeradas. Do lote de 21 garrafas produzidas, apenas 20 serão vendidas. Uma ficará guardada na Royal Salute Vault. O interessado em comprar uma das garrafas pode tentar a sorte através do email Giaia.Rener@pernod-ricard.com.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A malbec que se cuide


Houve um tempo em que o verdadeiro cabernet era o franc. Uma época anterior à atual, pra lá de distante. Mas um belo dia, o cabernet franc e a sauvignon blanc resolveram cruzar. Nascia a cabernet-sauvignon. E hoje em dia, quando alguém fala em beber um cabernet, definitivamente não é do franc que a pessoa está falando.

Mas se hoje vive à sombra da filha famosa, não dá pra negar que a cabernet franc segue tendo lá a sua importância no mundo dos vinhos. Basta lembrar que o Cheval-Blanc, um dos melhores (e mais caros) vinhos do mundo é feito com a uva. E em Bordeaux a cepa é bem comum a presença da uva nos cortes de vinhos da região. O auxílio luxuoso da cabernet franc é sempre bem-vindo para ajudar a domar a agressividade da cabernet-sauvignon.

Mas há certos lugares onde a cabernet franc ainda reina soberana. O vale do Loire, na França, é um destes recantos sagrados da uva. Ali, deliciosos chinons e st-nicolas-de-bourgueils são feitos com a casta. No Friuli – região italiana – a uva também gera grandes vinhos. Há varietais ainda de cabernet franc espalhados pelo Novo Mundo. Na Argentina e no Chile são realidade. Australianos, neozelandeses, sul-africanos, uruguaios, norte-americanos e canadenses fazem vinhos com a uva. Para algumas pessoas, o Brasil tem potencial para produzir bons rótulos com a cabernet franc. E em outros países europeus, como Espanha e Hungria, é possível encontrar tintos feitos com a uva.

Na intenção de entender melhor como se comporta essa casta mundo afora, a Confraria dos Nove e o Wine Report promoveram uma prova às cegas da uva. A degustação foi realizada nesta segunda-feira (9) na loja da Grand Cru, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro. Participaram da prova os sommeliers Eder Heck, Elaine de Oliveira e Marcos Lima, os enólfilos Duda Zagari, Luciana Plaas e Roberto Cortes de Lacerda, além do repórter que vos escreve. As amostras foram adquiridas diretamente com os importadores ou compradas em lojas do Rio de Janeiro. Seriam 19 rótulos, mas um vinho foi eliminado por apresentar defeito. A degustação foi conduzida pelo sommelier Pedro Osmar, da Confraria Carioca.

A prova foi equilibrada, com os oito primeiros se destacando do resto dos vinhos. Conferidas as notas e reveladas as garrafas, uma surpresa e uma constatação: os cinco primeiros colocados eram argentinos. Ou seja, a uva se dá muito bem por lá, obrigado. Portanto, a malbec que se cuide. Há muito mais no cenário argentino que supunha nossa vã enologia...

Leia o resultado da prova em Wine Report

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Para sempre na memória


Em 1884, ainda havia escravos oficiais no Brasil. A população do país era menor do que hoje é a de São Paulo. Embora em processo de fritura, a monarquia ainda comandava o país. Naquela época, Adriano Ramos Pinto já produzia vinhos do porto. E foi um vinho do porto vintage, da safra 1884, a grande atração de uma prova, seguida de jantar, que a Adriano Ramos Pinto e a importadora Franco Suissa, na noite de quarta-feira, no restaurante Trindade, em São Paulo.

E, mesmo que a noite tivesse sido reservada apenas para o Vintage 1884, já teria sido espetacular. Mas a prova incluiu a degustação de outras seis safras do Adriano Ramos Pinto Vintage. Eram elas: 1924, 1934, 1952, 1970, 1983 e 2007. Portanto, uma prova de vinhos do porto de três diferentes séculos.

Antes da prova, conduzida com maestria por João Rosas, da Ramos Pinto, uma pequena palestra sobre a história da empresa e uma degustação de outros quatro rótulos de vinhos tranquilos da vinícola.

Abaixo, a nota de degustação de todos os vinhos provados no inesquecível evento:

Ramos Pinto Collection 2008
Douro, Portugal
No nariz, fruta vermelha madura, com evolução para carne e coro. Na boca, taninos duros, acidez marcante, bom volume, longo – 8

Duas Quintas Reserva 2008
Douro, Portugal
No nariz, um toque floral, fruta vermelha madura, compota, chocolate. Na boca, boa entrada, acidez viva, macio, cai no meio de boca, recupera com um bom final – 8,5

Duas Quintas Reserva 2000
No nariz, floral, com notas de cassis e licor de amora. Na boca, taninos duros, acidez marcada, perde no meio da boca e tem um final quente e leve amargor – 8

Duas Quintas Reserva 1994
No nariz, fruta madura, passas com evolução para chocolate e café. Na boca, acidez perfeita, taninos finos, bom volume, final longo – 9

Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 2007
No nariz, abre com aromas de esmalte, evolui para figo seco, castanha assada e um toque balsâmico. Na boca, bom volume, maciez, final longo – 8,5

Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1983
No nariz, amora, violeta, chocolate, figo seco. Na boca, é intenso, sedoso, volumoso e longo – 9,5

Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1970
No nariz, groselha, pimenta, caramelo, chá. Na boca, é exuberante, elegante, intenso e com um final enorme – 9,5

Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1952
No nariz, eucalipto, chá, pimenta, damasco seco. Na boca, é elegante, harmônico, macio, com bom volume, imenso – 9,5

Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1934
No nariz, caramelo, chá, pimenta, mel, amêndoa amarga. Na boca, é elegante, macio, harmônico, longo – 10

Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1924
É emocionante encontrar um vinho com esta idade e nesta forma ainda tão exuberante. No nariz, marmelada, caramelo, amêndoa amarga, mel. Na boca, intenso, elegante, harmônico, macio, com um final interminável – 10

Adriano Ramos Pinto Porto Vintage 1884
É incrível como um vinho de 127 anos ainda pode estar vivo, em condições de ser degustado. No nariz, já prevalecem os aromas químicos, principalmente iodo, mas evolui para caramelo, e chá. Na boca, ainda conserva acidez, e um final longo e amargo, com um toque de boldo. Seria injusto dar nota a um vinho assim, mas é um prazer e uma emoção prová-lo – s/n

terça-feira, 26 de abril de 2011

O jantar dos chefs

No próximo sábado, dia 30 de maio, vai rolar, em Visconde de Mauá, a 14ª edição do Jantar dos Chefs. O evento – já tradicional no calendário gastronômico da aprazível cidade da serra da Mantiqueira – é a reunião de três amigos cozinheiros com um chef convidado, em uma das melhores pousadas da região. Na Pousada Terras Altas, Flávia Quaresma, Paulo Pinho e Paulo Nicolay recebem Dalton Rangel, para uma noite regada a alta gastronomia e grandes vinhos em um ambiente exclusivo e intimista.


Nesta edição do jantar, caberá à chef Flávia Quaresma a preparação da entrada. Será o Polvo entre o mar e o sertão. Em seguida, virá o primeiro prato, um Spaghettini com camarões e cogumelos, criação de Paulo Nicolay – que além de festejado consultor de vinhos, exibe nestes jantares os dotes culinários que tem. A noite segue com o Brasato ao malbec com batatas perfumadas e alecrim, preparado por Dalton Rangel, o chef convidado, que dirige a cozinha do Yuka, restaurante de Visconde de Mauá. O jantar termina com a Banana caramelada com sorvete de creme de Paulo Pinho, chef do Sagrada Familia, que fica no Centro do Rio. Cada prato vem acompanhado por um vinho, escolhido especialmente por Paulo Nicolay.


As vagas são limitadas, e o preço por pessoa é de R$ 175. Quem preferir, pode se hospedar na Terras Altas mesmo. Clique aqui para acessar o site da pousada. Abaixo, as informações completas sobre o Jantar dos Chefs:

terça-feira, 12 de abril de 2011

A queda

“Meu Armageddon pessoal, enfim, acabou”. Com este desabafo, Patricia Kluge (na foto) resumiu o alívio que sentiu ao saber que o amigo de longa data Donald Trump comprara a Kluge Estate Winery, propriedade de 2 mil hectares, no estado de Virgínia, que pertencia a ela.

Trump pagou apenas US$ 6,2 milhões, pouco mais de um quinto do valor da hipoteca da propriedade, fixada em US$ 28 milhões e muito abaixo do valor estimado pela vinícola, avaliada em US$ 70 milhões.

Nas últimas semanas, vários rumores tornaram a vida de Patricia ainda mais infernal. A central de boatos alimentou a versão de que a viúva de seu ex-marido, John Kluge, poderia comprar junto ao banco a propriedade e transformar tudo em um imenso campo de golfe. Seria um triste fim para a vinícola que Patricia e o marido William Moses montaram em 1999, mas cuja excêntrica administração e erros crassos de avaliação levaram à bancarrota menos de 10 anos depois de aberta.

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

O uísque do capitão

Ernest Shackleton foi um explorador anglo-irlandês e é considerado um dos mais importantes desbravadores da Antártida. Entre 1907 e 1909, liderou uma expedição para alcançar o Pólo Sul, mas foi forçado a desistir a apenas 180 quilômetros do destino final, por conta da falta de suprimentos, depois de terem percorrido mais de 3 mil km no continente gelado. Na pressa de voltarem ao barco, já que o gelo já começava a se formar no mar e ameaçava a travessia do barco, Shackleton e seus comandados deixaram para trás alguns suprimentos. Entre os objetos largados no gelo, estavam cinco caixas de uísque escocês e brandy.

Este autêntico tesouro etílico foi encontrado no ano passado, em uma cabana usada pelo explorador na expedição. Embora algumas garrafas tivessem quebrado, a maioria estava intacta. Na ocasião, Richard Paterson, técnico da destilaria Whyte and Mackay, que forneceu o uísque para Shackleton, disse que a receita original para a mistura de maltes não existia mais. Mas manteve a esperança de que a bebida pudesse ser recriada. “Se o conteúdo puder ser confirmado, extraído com segurança e analisado, pode ser possível reproduzir a mistura original”, disse Paterson.

Pois nesta semana, a Whyte and Mackay anunciou que conseguiu recriar o uísque centenário enterrado no gelo pelo famoso explorador. Depois de semanas misturando e combinando diferentes tipos de malte, Richard Paterson garante que conseguiu chegar à exata mistura da bebida de Shackleton. O sucesso da empreitada foi atestado pelo especialista em uísque, Dave Broom – única pessoa de fora da Whyte and Mackay a provar tanto o líquido da garrafa original quanto a recriação de Paterson.

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Merlot is on fire

“O nível de álcool da merlot está tão alto que corremos sério risco de perdermos o estilo característico de Bordeaux”. A frase é dono do château Leoville Poyferre, Didier Cuvelier. “Uma das vantagens de plantar a merlot aqui no Médoc era justamente o fato de que a uva tinha um amadurecimento melhor do que a do cabernet-sauvignon”, explicou o francês. Mas nas safras 2009 e 2010 foi comum casos de merlots ultrapassando os 15% de volume alcoólico, uma situação que Cuvelier classificou como “perturbadora”.

Outra importante voz que fez coro às preocupações de Cuvelier foi a do consultor Denis Dubourdieu. Ele notou uma tendência nas propriedades da Margem Direita de ambicionarem uma maior concentração de açúcares nas uvas, e para tanto, apelarem para técnicas como o desfolhamento, o que gera uvas menores e mais concentradas. E, consequentemente, mais alcoólicas.

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Este mundo é um hospício


Uma bela tarde, Todd Fox chegou em casa com uma barrica cheia de aspargos amassados e disse à esposa: “Dê um jeito nisso aqui”. Kellie (a esposa) não teve dúvidas: adicionou água, açúcar e leveduras. E a coisa começou a fermentar. Nascia assim o primeiro ‘vinho’ feito com aspargos que se tem notícia no mundo.



“É bem clarinho e tem um leve aroma de aspargo e uma pequena doçura”, garante Kellie. “Mas o cheiro na hora em que começou a fermentar não era muito agradável”, admitiu a mãe da bebida.


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segunda-feira, 28 de março de 2011

A rainha da elegância

Desde que o simpático Miles, no filme Sideways, detonou a merlot e defendeu arduamente a pinot noir, que a uva ganhou pontos no imaginário coletivo do consumidor de vinho. Na época do filme, principalmente nos Estados Unidos, o consumidor enlouqueceu. Caixas e mais caixas de tintos feitos com a pinot noir eram vendidas como água, enquanto os merlots, pobrezinhos, agonizavam, esquecidos e empoeirados, em prateleiras de lojas e estoques de produtores.


Alguns anos já se passaram do filme, mas, se não é o sucesso avassalador da época, a pinot não foi parar no limbo das celebridades instantâneas. Vinhos feitos a partir da casta continuam indo bem em restaurantes e lojas especializadas. Ainda bem. Em um mundo repleto de robustos malbecs, cabernets, syrahs e afins, a delicadeza da uva é sempre muito bem-vinda.


E a diversidade de lugares, climas e terroirs em que a pinot é produzida atualmente, tem gerado boas e produtivas discussões sobre a tipicidade da uva. Que o pinot noir referência é o da Borgonha, ninguém discute. Os bons são elegantes, ricos, intensos e imensos. Os melhores são clássicos inesquecíveis e incomparáveis. Por isso, nos outros cantos do mundo, todos os produtores que arriscam produzir vinhos feitos com a uva buscam uma identidade borgonhesa no vinho. O problema é: existe uma identidade borgonhesa? Qual é, exatamente, o gosto de um pinot da Borgonha?

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quinta-feira, 10 de março de 2011

O néctar do ditador



Khvanchkara é um vinho tinto da Geórgia, naturalmente meio-doce, feito com as uvas alexandria e mudzhuretuli tardiamente colhidas, cuja produção remonta ao início do século XX e era uma das bebidas preferidas do ditador soviético Josef Stálin. Pois o vinho, um dos mais populares da Geórgia, voltou ao noticiário por um motivo inusitado: o escritório de patentes do governo da ex-república soviética abriu negociações com a empresa norte-americana Dozortsev para – reparem o absurdo – recuperar o nome da bebida no mercado dos Estados Unidos. Hoje em dia, apenas a Dozortsev pode vender vinhos com o nome Khvanchkara em território norte-americano.

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quarta-feira, 9 de março de 2011

As invasões bárbaras


A invasão chinesa em Bordeaux segue a toda velocidade. Além de esgotarem estoques e inflacionarem os preços dos vinhos da região, os mandarins do Grande Reino do Oriente mudaram de tática e resolveram mesmo ir beber direto na fonte. Agora, foi a vez de o empresário Richard Shen Dongjun (na foto) – de 42 anos, e dono de uma cadeia de joalherias espalhadas por Xangai e pelo sudeste da China – realizar o sonho do château próprio. Por uma soma não revelada, Dongjun comprou de Frederic Ducos o Château Laulan Ducos, um cru bourgeois do Médoc, de 22 hectares. Esta foi a sexta propriedade bordalesa vendida aos chineses. Anteriormente, os châteaus Latour-Laguens, Richelieu, Chenu Lafitte, De la Salle e De Viaud já haviam trocado de mãos.

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quinta-feira, 3 de março de 2011

Os artistas do espetáculo



Imagine a cena: em uma prova de vinhos, o degustador, analisando a bebida, sai com essa:
- Este cabernet tem um toque de Mozart, com notas de Haydn.
Pois se a ideia do amalucado austríaco Markus Bachmann pegar, é bem possível que enochatos mais meticulosos tentem mesmo descobrir quais influências musicais o vinho carrega na taça.

É que Markus inventou uma caixa de som especial para ser acoplada nos tanques de fermentação e que toca a música que o enólogo acha que será uma boa influência para o vinho. Pode ser um jazz, rock, ou mesmo músicas clássica ou eletrônica.

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Pirotecnia saborosa



Demorei muito para ter coragem de ir ao Oro. Ouvia tanto que o chef Felipe Bronze estava fazendo isso, aquilo. Acho que fiquei com medo. Até porque não sou muito fã dessa modernidade toda. Tomei coragem, marquei com um grupo de amigos e fomos. A primeira coisa que gostei, foi entrar no restaurante pelo lado oposto aonde era a entrada do último restaurante que abriu ali, o XX. Aliás tudo é o oposto do antecessor, que fechou com menos com menos de um ano de funcionamento e era a tradução da irregularidade.

Do salão dá pra ver o que acontece na cozinha, só que eles não conseguem ver os clientes. Nada lá é convencional. Para quem vê de fora, a luz da cozinha é fúcsia, e dá um clima de laboratório e ficção científica. Mas acredito que lá dentro, a luz seja branca mesmo, tradicional, ou seria complicado cozinhar.

Logo chegou o maître Raul de Lamare que nos apresentou o cardápio. Como não sabíamos exatamente o que escolher, decidimos colocar o nosso jantar nas mãos do chef.

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quarta-feira, 2 de março de 2011

O vinho em alta



O crescimento do mercado mundial de vinhos pós-crise financeira global está fazendo com que muitas instituições que cuidam dos interesses dos países produtores de vinho trabalhem forte na conquista de novos consumidores. Alemanha e Portugal miram forte no Reino Unido. O Brasil promoveu recentemente encontro entre produtores e importadores nos Estados Unidos, país em que os chilenos pretendem consolidar posição. A França invadiu, com Bordeaux na frente, a China. E a Argentina aposta na malbec para abrir as fronteiras internacionais. No meio disso tudo, duas associações decidiram, nesta semana, as suas estratégias para o começo de 2011. A Wines of Turkey lançou uma campanha para promover os vinhos turcos na Inglaterra, e os produtores australianos estão de olho grande no mercado do Vietnam.

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Concha y Toro compra Fetzer



A Concha y Toro anunciou na noite de ontem a compra da Fetzer Vineyards, uma das dez maiores vinícolas norte-americanas em volume. O valor do negócio foi de US$ 238 milhões (cerca de R$ 400 milhões). A expectativa é de que a transação seja concluída até abril deste ano, depois de aprovada pelos conselhos reguladores do mercado. A Fetzer pertencia ao grupo californiano Brown-Forman.

A transação inclui um portfólio de marcas que possuem boa posição no mercado norte-americano. Só em 2010, Fetzer, Bonterra, Five Rivers, Jakel, Sanctuary e Litlle Black Dress venderam, somadas, 3.1 milhões de caixas, q representaram um valor de US$ 156 milhões. A Concha y Toro também ficou com 429 hectares de vinhas no condado de Mendocino, na Califórnia e adegas com capacidade de produzir 42 milhões de litros, além de uma engarrafadora. No total, a vinícola chilena herdou 240 empregados da empresa norte-americana.

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O paraíso dos bebuns

A ex-república soviética da Moldávia, um pequeno país espremido entre a Romênia e a Ucrânia ostenta o título de maior consumidor de álcool do mundo. Os moldávios deixaram os tchecos para trás e assumiram a ponta da tabela, segundo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O consumo de álcool per capita da Moldávia é de 18,22 litros por ano. O número equivale a quase o triplo da média mundial, que é de 6,1 litros per capita. A estatística aponta a quantidade álcool puro que é ingerida por pessoa e não o volume de bebidas alcoólicas que é consumido.

O álcool causa a morte de cerca de 2,5 milhões de pessoas por ano, segundo a OMS. Número superior ao de doenças como tuberculose e AIDS. O número de jovens entre 15 e 29 anos que perdem a vida por motivos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas é de 320 mil, por ano.

A Moldávia é um dos países mais pobres da Europa. É dividido entre as etnias russa e romena. O país é um grande produtor de vinhos, mas a qualidade é tão discutível que recentemente a Rússia – principal mercado dos vinhos moldávios – baniu a importação de rótulos do país por questões de higiene. Na ocasião, um diretor da agência de vigilância sanitária da Rússia chegou a declarar que os vinhos da Moldávia ‘deveriam ser usados para pintar cercas’.

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Dream team do bem

Uma espécie de dream team da gastronomia brasileira vai juntar as panelas e colocar as mãos à obra neste domingo, dia 21 de fevereiro, no Pré Catelan, no Hotel Sofitel, em Copacabana, Zona Sul do Rio. Serão 21 chefs de primeira grandeza, que, juntos, irão preparar nove serviços, harmonizados com três diferentes vinhos, precedidos de um pocket show da Rio Jazz Orchestra em coquetel na piscina do Hotel Fasano.

O motivo desta reunião de bambas é pra lá de nobre: ajudar as vítimas da tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro. Todo o dinheiro arrecadado será doado à ONG Move Rio e Minha Ajuda – Sua Casa. O único pedido dos chefs é que 20% do dinheiro seja repassado a pequenos produtores da região que tiveram os negócios destruídos pela calamidade.

Todos os chefs envolvidos doaram os insumos que serão utilizados no preparo dos pratos. Os que vieram de fora do Rio, pagaram a passagem do próprio bolso. A equipe que fará o serviço também trabalhará de graça. Os hotéis Fasano e Sofitel cederam a hospedagem para quem veio de outras cidades.

O evento – que custa R$ 2,5 mil por pessoa – vai começar às 18h30 com um coquetel, champanhe e o show na piscina do Hotel Fasano. Na sequência, os 100 convidados serão levados para o restaurante Le Pré Catelan para o jantar, que terá início às 20h30. Serão cinco cursos, com harmonização de vinhos assinada pela enóloga e sommelière Cecília Aldaz (Oro), e serviço conduzido pelos craques do salão, Jean Pierre Fivria (Le Pré Catelan), Ricardo Zaroni (Fasano al Mare), Raul de Lamare (Oro), Danielle Dahoui (Ruella).

Leia a lista dos chefs participantes e o menu do evento em Wine Report

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O bunga-bunga de Alan García

O presidente peruano Alan García se meteu em uma polêmica dos diabos. O motivo nada tem a ver com o bunga-bunga do premiê italiano Silvio Berlusconi, mas é razão de indignação semelhante entre os peruanos. É que Garcia comprou um lote especial de uma bodega de Mendoza, na Argentina, imprimiu a própria foto nos rótulos e levou o vinho ao Peru sem sequer pagar o imposto de importação da bebida. Narcisismo Colossal e Frivolidade no Palácio foram algumas das manchetes dos jornais peruanos, que não perdoaram o egocentrismo do presidente.

O vinho é um corte de mabec, merlot e syrah, produzido pela Viniterra, vinícola que fica em Lujan de Cuyo, cuja produção foi de apenas cinco mil litros. Na edição especial, vem o nome do presidente, com a foto, a bandeira do Peru e a indicação de que se trata de um malbec 2003.

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