domingo, 1 de julho de 2012

DEU NO WINE REPORT: o resumo da semana




DEU NO WINE REPORT
(para ler as matérias na íntegra, clique na noticia)

SALVAGUARDAS:
O Wine Report resolveu publicar este editorial. Escorado pelas mais de 10.200 assinaturas que referendaram a petição pública contra a salvaguarda, queremos dar voz a estes produtores. E também vamos avisar aos que estão escondidos, calados, ou simplesmente indiferentes que nossa voz não calou, não cansou e tampouco esqueceu. NÓS NÃO IREMOS COMPRAR VINHOS NACIONAIS CASO ESSA SALVAGUARDA SEJA ADOTADA. Com a exceção mais do que justa feita aos rótulos dos viticultores que marcarem posição oficial e escrita condenando o pedido. Apenas para lembrar: até agora, os produtores que já vieram a público condenar a salvaguarda são: Adolfo Lona, Angheben, Antonio Dias, Cave Geisse, Chandon, Don Abel, Era dos Ventos, Maximo Boschi, Salton, Vallontano e Villagio Grando. Caso essa lei passe, serão apenas os vinhos destas corajosas vinícolas que representarão o Brasil em nossas adegas. 


Após a audiência pública promovida pelo ministério do desenvolvimento indústria e comércio (MDIC) sobre as Salvaguardas, realizada na última quinta-feira (28), em Brasília, o Wine Report conversou  com o Secretário-geral do Comitê Europeu das Empresas de Vinho (CEEV), José Ramon Fernandez (na foto), e com Nicolas Ozanam Secretário-geral da Federação dos Exportadores de Vinhos e Espirituosos da França (FEVS). O que os europeus tentaram mostrar na audiência é que não existem as condições necessárias, como alega o IBRAVIN e demais entidades gaúchas, para a aplicação das Salvaguardas. "Com base em todos os argumentos técnicos apresentados não há caso", afirma Ozanam. Fernandez garante que o momento de deixar os técnicos analisarem com calma as informações fornecidas e não jogar gasolina no fogo, ao menos da parte dos produtores europeus. Acredita que a questão técnica prevalecerá e também o bom senso. Seu desejo é de que esta disputa não tivesse sido criada e que os esforços dos produtores brasileiros fossem direcionados, conjuntamente com os importadores e produtores estrangeiros, em prol do vinho e de seu consumo. "Preferia estar investindo em promoção e formação ao invés de estar pagando advogados em Brasília", assegurou.



NOTÍCIAS:







OUTRAS CACHAÇAS:


EVENTOS:


VINHOS:



sexta-feira, 29 de junho de 2012

Ícones brancos de guarda




por Alexandre Lalas

O senso comum recomenda o consumo rápido dos vinhos brancos. E, de fato, na maioria dos casos, o tempo em garrafa não faz nem um pouco bem a este tipo de bebida. Só que, como quase tudo na vida, há exceções que confirmam a regra. E no caso dos vinhos brancos, segundo a MW inglesa Jancis Robinson, cerca de 5% dos rótulos ficam ainda melhores depois de cerca de cinco anos após a colheita. E quando o assunto é guarda longa a coisa fica ainda mais restrita. “Acredito que não chegue a 1% o total de brancos que possuam características para envelhecerem bem por mais de uma década”, assinala Jancis.

Mas, embora raros, estes vinhos existem. Que o diga o colecionador francês Christian Vanneque, que em julho do ano passado pagou a bagatela de R$ 180 mil por uma garrafa de Château d’ Yquem 1811. Ex-sommelier do restaurante parisiense La Tour d’Argent e um dos e um dos degustadores do famoso Julgamento de Paris, em 1976, quando um punhado de vinhos californianos até então desconhecidos bateu, em prova às cegas, os grandes châteaus franceses, mudando a história da indústria vitivinícola, Vanneque chamou a compra de “uma pequena loucura” e pretende abrir a garrafa em 2017, quando completará 50 anos de carreira. Quando enfim provar o Yquem 1811, o francês poderá comprovar as palavras do crítico norte-americano Robert Parker, que degustou o vinho em 1996, dando-lhe os máximos 100 pontos e comparando a bebida a “um creme brûlée”.

Grandes vinhos brancos de sobremesa têm, de fato, uma capacidade de guarda maior. Não apenas o Yquem ou alguns vizinhos de Sauternes, mas grandes tokajis, massandras, eisweins e trockenbeerenausleses costumam envelhecer bem. A razão é a combinação entre a acidez e o açúcar residual presentes nestes vinhos, o que proporciona uma espécie de escudo contra os efeitos do tempo.

Mas não apenas os brancos doces são capazes de encararem um longo tempo na adega. Vinhos secos como alguns grandes borgonhas, rieslings do primeiro time, chenins, semillons, alguns hermitages e uns espanhóis e italianos, entre poucos outros, também entram com louvor nesta lista. Nestes casos, em que a quantidade de açúcar residual nos vinhos é baixa, a chave para a longevidade é a acidez.

“O grande ponto é a quantidade de acidez. Ela agrega frescor e mantém o vinho vivo durante a passagem do tempo. A acidez é parte determinante da estrutura do vinho e é um fator decisivo na hora de determinar se um branco tem ou não capacidade de envelhecimento”, diz Benjamin Joliveau, da Domaine Huet, uma vinícola do vale do Loire que faz brancos secos e doces com longo potencial de guarda.

Mas, como bem destaca Joliveau, há outros fatores que, combinados com a acidez, influenciam na longevidade de um branco seco. “A concentração do vinho é outro fator determinante, assim como o corpo. Também depende do tipo de uva. Castas como riesling e chenin têm, de maneira geral, mais capacidade de produzir vinhos longevos do que a chardonnay e a sauvignon”, explica. “Não podemos esquecer-nos da viticultura. Solos, clones, rendimentos... Tudo isso influencia na concentração do vinho e influi diretamente na capacidade de guarda”, prossegue.

O trabalho na adega é outro ponto importante a ser considerado. “A vinificação também tem um peso importante. Fazer a fermentação malolática faz com que a acidez do vinho baixe. Aqui no Huet, nunca usamos esta prática justamente por buscar um maior frescor. Manter esta acidez é importante para que o vinho possa envelhecer bem. Por fim, o tempo em barricas também influencia na oxigenação e oxidação de um vinho, influindo em sua capacidade de guarda”, completou Joliveau.

Um dos expoentes da viticultura biodinâmica e produtor cuja capacidade de guarda dos brancos que faz é incontestável, o francês Nicolas Joly traz outros pontos interessantes ao debate. “O potencial de guarda de um vinho é baseado no tipo de vida que a uva levou e do que foi feito na adega”, ensina. “Práticas modernas encurtam enormemente o tempo de vida das uvas. A razão é simples: o uso do inseticida reduz a ação das raízes que buscam alimentação em micro organismos no solo. Os inseticidas matam estes micros organismos. Daí, a raiz volta à superfície para buscar a alimentação em fertilizantes químicos. Este sistema polui a seiva e afeta diretamente a fotossíntese”, explica Joly.

“Portanto, estas práticas já reduzem o potencial de vida da uva e ainda prejudica o gosto. Na adega, o excesso de tecnologia que é usado na produção do vinho, como o uso de enzimas, gorduras, leveduras selecionadas e outras coisas que não são naturais da vinha, reduzem ainda mais a capacidade de vida do vinho”, afirma.

“A biodinâmica é apenas um catalisador das forças as quais a planta precisa para ser saudável. E por conta disso, quase não precisamos fazer nada na adega. É claro que precisamos olhar o pH dos vinhos, mas o básico é o que já falamos”, comenta Joly. O francês conclui fazendo uma comparação. “Nos vinhos verdadeiramente biodinâmicos (há muitos que são mais marketing do que de fato biodinâmicos), muitas vezes necessitamos da agressão da oxidação para que o vinho mostre todo o potencial que tem. Estes vinhos costumam ficar ainda melhores dois dias depois que a garrafa é aberta. Em contraponto, vinhos produzidos através da agricultura moderna precisam justamente de forte proteção contra a oxidação, pois sozinhos não têm forças para lutar contra ela”, finaliza.

O produtor friulano Josko Gravner tem ponto de vista semelhante ao de Nicolas Joly. Radical até a última gota, aboliu o uso de barricas novas nos vinhos que faz. Hoje em dia, executa um trabalho cuidadoso na vinha, coloca tudo em uma grande ânfora de terracota, sem adição de leveduras selecionadas nem tampouco controle de temperatura. Veda, e deixa lá por sete meses. Depois, afina em grandes cascos neutros de madeira e o vinho é engarrafado sem clarificação e nem filtração, na lua crescente. Sete anos depois para os vinhos comuns e dez para os reservas, Gravner entrega ao mercado rótulos únicos, raros e com enorme potencial de guarda.

“Quando o vinho nasceu, ele era branco. Os tintos ainda sequer pensavam em existir”, provoca. “As uvas brancas, ao contrário das tintas, podem se beneficiar de um longo contato com a casca, que é onde moram os nutrientes capazes de dar longevidade ao vinho”, resume Gravner. “E tanto a natureza sabe das coisas, que a podridão nobre ataca apenas as uvas brancas”, conclui o italiano de sangue esloveno que desdenhando das tendências, resguarda-se das voltas que o mundo dá se apegando às mais antigas tradições. E encontra nas experiências do passado o caminho do futuro, fazendo os vinhos como faziam os romanos.

Apego à tradição e ojeriza às tendências de mercado são pontos em comum entre Gravner e o espanhol Julio Cesar Lópes de Heredia, bisneto de Don Rafael Lópes de Heredia, o fundador da Viña Tondonia, vinícola de Rioja, mundialmente famosa pelos brancos espetaculares que produz. E que tem a particularidade de chegarem ao mercado muitas vezes mais de uma década depois que as uvas para a produção daquele rótulo foram colhidas.

“Acredito no mínimo possível de interferência, tanto na vinha quanto na bodega. Os vinhos se fazem por si só”, diz Julio. Embora o estilo da Tondonia – de brancos ricos em estrutura e com um toque de oxidação – seja cada vez mais raro em um mundo ávido por vinhos fáceis, o produtor não dá a mínima para as tendências e modas do mercado. “Nossos vinhos são sim diferentes, mas traduzem com exatidão o que é a Rioja. Há muitos produtores que dançam de acordo com a música, ficam indo de lá pra cá e a cada cinco anos, e quando muda o gosto do consumidor, muda o vinho deles, não há identidade”, critica. Embora não possam ser tachados de vinhos comerciais, o fato é que o vinho feito na bodega de Julio vende e bem. Prova inconteste de que não apenas há vinhos brancos que podem envelhecer bem, mas também há um time de consumidores cujas portas das adegas estão escancaradas para estas verdadeiras preciosidades.

domingo, 24 de junho de 2012

Para imprimir e levar junto




por Alexandre Lalas


Começa nesta segunda-feira (25) a caravana da importadora Decanter. São 69 produtores, de 11 países, que apresentarão cerca de 400 rótulos a enófilos do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. A partir deste ano, devido ao crescimento do portfólio da empresa, a feira passa a ser anual. E em 2012, o foco é o Velho Mundo, com 67 produtores de 10 países diferentes. No meio desta selva de rótulos, nem sempre é possível provar tudo. Para facilitar o trabalho do enófilo dedicado, o Wine Report preparou uma lista com 15 produtores que, no meio de tanta coisa boa, você não pode deixar de visitar.

De Sousa
(Champanhe, França)
A ascendência é portuguesa, daí o nome desta Maison. Mas a alma é francesa mesmo, e a casa produz rótulos a partir de uvas cultivadas de forma biodinâmica, de extrema elegância, com farto reconhecimento da imprensa especializada na França. Ótima maneira de começar os trabalhos.
Destaque: Cuvée 3A Brut Grand Cru
Quem vai estar na feira: Charlotte de Sousa (proprietária)

Montirius
(Rhône, França)
Novidade no catálogo da Decanter, esta pequena vinícola é tocada pelo casal Eric e Cristine Saurel. Eles cuidam de 32 hectares em Vacqueyras e 16 em Gigondas. São vinhedos velhos e tratados sem composto químico desde 1980. Biodinâmicos desde 1996, apresentam vinhos feitos com a menor intervenção humana possível, e frutos fiéis do terroir de onde vêm.
Destaque: Vacqueyras Le Clos 2006
Quem vai estar na feira: Eric e Cristine Saurel (proprietários)

Domaine L’Oustal Blanc
(Languedoc, França)
Fermentação integral com as cascas, barricas abertas, defesa das castas autóctones, desprezo pelas regras oficiais, viticultura biodinâmica, reconhecimento internacional. Tudo isso já seria mais do que bons motivos para prestar atenção neste produtor. Não bastasse tudo isso, quem estará apresentando os vinhos é a encantadora Isabel Fonquerle, a dona da casa.
Destaque: Prima Donna Minervois La Livinière 2008
Quem vai estar na feira: Isabel Fonquerle (proprietária)

Pieropan
(Veneto, Itália)
Se você acha que a garganega não é capaz de gerar grandes brancos, é porque certamente não conhece os vinhos desta vinícola do Veneto. Aqui, o tradicional e saboroso soave ganha outra conotação. Vinhos sérios, complexos, mas sem deixar de lado o agradável frescor que é marca da região.
Destaque: La Rocca Soave Classico 2007
Quem vai estar na feira: Dario Pieropan (proprietário)

Gulfi
(Sicília, Itália)
Mais um produtor orgânico, este é um dos bons nomes que comprovam o renascimento da qualidade na solar Sicília. Os neros d’avola da Gulfi são obras de arte. Destaque também para o nerello mascalese, feito aos pés do Etna.
Destaque: Nerobufaleffj 2006
Quem vai estar na feira: Matteo Catania (proprietário)


Reichsrat Von Buhl
(Pfalz, Alemanha)
Os belos rótulos já chamam a atenção para este produtor cheio de história na viticultura alemã. Mas muito além da aparência, vale é o que está dentro da garrafa. E neste caso, o conteúdo ganha com folga da forma. Orgânica desde 2008, a vinícola é propriedade do milionário Achim Niederberger.
Destaque: Deidesheimer Herrgottsacker Riesling Trocken 2010
Quem vai estar na feira: Janke Zeltwanger (representante)

Hiedler
(Kamptal, Áustria)
Vinícola familiar, adepta da viticultura ecológica, esta é a primeira casa austríaca do portfólio da Decanter. Os vinhos são simplesmente fora de série. Toda a gama é boa, desde os brancos secos, aos tintos e fechando com o branco doce. Sem medo de errar, a Hiedler eleva a já adorável grüner veltliner e um patamar superior.
Destaque: Grüner Veltliner Thal 2010
Quem vai estar na feira: Maria Angeles Hiedler (proprietária)

Alves de Sousa
(Douro, Portugal)
Domingos Alves de Sousa é simpático toda a vida. Não perde uma chance de visitar o Brasil. E muito além desta simpatia, está um sujeito que sabe fazer vinhos. Responsável por um portfólio sem fim, é capaz de produzir, com a mesma competência, um vinho de batalha, leve e fresco, para o dia-a-dia e outro de estilo único, diferente, incomum. Mas sempre com as digitais dele lá marcando presença. Um craque.
Destaque: Reserva Pessoal Branco 2004
Quem vai estar na feira: Domingos Alves de Sousa (proprietário)

Cossart Gordon
(Madeira, Portugal)
Mais antiga casa produtora de vinhos da Madeira, a Cossart Gordon faz, desde 1953, parte do grupo Madeira Wine Company (MWC). A marca da vinícola é a fineza. São vinhos de rara beleza, feito para iniciados. E com uma longevidade de dar inveja a Oscar Niemeyer.
Destaque: Bual 15 Years Old Medium Rich
Quem vai estar na feira: Filipe Pereira (gerente de marketing)

Domaine Sigalas
(Santorini, Grécia)
Professor de matemática, filósofo, dramaturgo. Estas são outras “profissões” de Paris Sigalas, o artista por trás destes tão bem cuidados tesouros gregos. Como um tributo aos deuses, o enólogo produz joias puras, autênticos retratos do magnífico terroir de Santorini.
Destaque: Mavrotragano 2009
Quem vai estar na feira: Charikleia Mavrommati (gerente de exportação)

Simcic Marjan
(Goriska Brda, Eslovênia)
Dentre as ex-repúblicas iugoslavas, a Eslovênia talvez seja a que mais destaque conseguiu no mundo vitivinícola nos últimos anos. Grandes vinhos saem daquele pequeno país. Marjan Simcic é um dos principais nomes do cenário esloveno. Bola dentro da importadora, chance de ouro para o enófilo que não ter medo de ser feliz.
Destaque: Rebula Opoka 2007
Quem vai estar na feira: Marjan Simcic (proprietário)

Korta Katarina
(Peljesac, Postup e Dingac, Croácia)
Por trás do sucesso do chardonnay do Château Montelena, vencedor entre os brancos do famoso Julgamento de Paris, em 1976, estava o trabalho de um enólogo croata: Mike Grgich. Na época, o jovem imigrante tinha desbravado a América em busca de oportunidades. Hoje já não seria mais preciso. Fazer vinhos (bons) na Croácia é fácil. À geografia que sempre ajudou, juntou-se a nova situação do país, de paz, tranquilidade e prosperidade – elementos tão importantes quanto uma boa uva na hora de produzir grandes vinhos. Este é um dos belos produtores locais, que aposta nas castas autóctones, no conceito de “crus” e na agricultura sustentável. Olho neles.
Destaque: Plavac Mali 2007
Quem vai estar na feira: Marko Pavlac (gerente de vendas e marketing)

Attila Gere
(Vilány, Hungria)
Para quem acha que a Hungria é só tokaji, eis a prova definitiva em contrário. Attila Gere, um ex-guarda florestal, é um dos responsáveis pela ressureição da viticultura húngara pós-comunismo. Prove tudo e surpreenda-se com merlots e cabernets que você juraria serem bordaleses. Imperdível.
Destaque: Solus 2007
Quem vai estar na feira: Andrea Gere (proprietária)

Arzuaga
(Ribera del Duero, Espanha)
Esta vinícola fica, nada mais nada menos, do que entre a Vega Sicilia e a Pingus, duas das mais festejadas bodegas espanholas. O estilo fica entre o tradicionalismo do Vega e o modernismo da Pingus. E a qualidade é lá em cima. Vale provar a linha inteira.
Destaque: Arzuaga Reserva Especial 2004
Quem vai estar na feira: Ignacio Arzuaga (proprietário)


Palácio de Fefiñanes
(Galiza, Espanha)
A alvarinho é uma das grandes uvas brancas de Portugal. E na feira estará um dos papas da casta, o enólogo Anselmo Mendes, responsável por alguns dos melhores vinhos do mundo feitos com a cepa. Mais uma razão para conferir esta vinícola da Galiza, que faz um exuberante e moderno alvarinho. Nesta comparação, o vencedor é sempre o consumidor.
Destaque: Albariño de Fefiñanes III Año 2007
Quem vai estar na feira: Juan Gil de Araujo (proprietário)



Locais e datas:
25 de junho -Rio Janeiro- Rio Othon Palace- Av. Atlântica, 3264- Copacabana
26 de junho- São Paulo- Hotel Tivoli- Al. Santos, 1437
27 de junho- São Paulo- Al. Santos, 1437
28 de junho- Porto Alegre- Sheraton Hotel- Rua Olavo Barreto Vianna, 18- Moinhos
29 de junho – Belo Horizonte- Av. do Contorno, 8657

 A feira acontecerá das 16 h às 22h nas quatro capitais. O ingresso custará R$ 250. Os ingressos devem ser adquiridos antecipadamente nas Enotecas Decanter das respectivas cidades: São Paulo Tel. (11) 3073-0500; Belo Horizonte Tel. (31) 3287-3618; Rio de Janeiro Tel. (21) 2286-8838, Porto Alegre (51)3222-1131.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Demitida




Um ano depois de dançar pela casa e celebrar o fim de um “Armageddon pessoal”, a dublê de socialite e empresária Patricia Kluge foi obrigada a encarar a face mais dura de um velho amigo. Quando a Kluge Estate Winery – propriedade de dois mil hectares no estado de Virgínia que pertencia a ela – faliu, Patricia comemorou quando Donald Trump, companheiro de longa data, antecipou-se à concorrência e arrematou o espólio. Mas o que a ex-milionária não esperava é ouvir de viva-voz o bordão que consagrou o velho amigo na televisão norte-americana. Pouco mais de um ano depois de confirmar a presença de Patricia a frente da vinícola, Trump mudou de ideia e demitiu a socialite do comando da Kluge.


Patricia, uma socialite rica que ganhou milhões de dólares do ex-marido no divórcio, foi o rosto da vinícola desde a sua criação. E não se importou em gastar os tubos para equipar a adega com o que de mais moderno havia no mercado. Ela ainda investiu em enólogos e consultores estrelados, e até em caixas exclusivas desenhadas por artistas renomados. Tudo com a intenção de colocar a Virgínia no mapa do vinho norte-americano.


No entanto, ao lado do marido William Moses, um ex-executivo da IBM, o casal, combinando arrogância com ingenuidade, conduziu a Kluge Estate Winery diretamente para o brejo. Para bancar o projeto, pegaram dinheiro emprestado no Banco de Crédito da Virgínia, não conseguiram pagar, hipotecaram a propriedade, pegaram mais empréstimos a acabaram quebrando. Deram um calote de US$ 35 milhões. O banco tomou tudo e levou a leilão. E, enquanto os lojistas barganhavam tentando comprar uma caixa com os vinhos da vinícola por US$ 45 (antes da falência, a garrafa custava US$ 12), Donald Trump não brincou em serviço: por US$ 6,2 milhões, arrematou a propriedade, as marcas, a adega e os vinhos que lá estão. Detalhe: a Kluge Estate Winery havia sido avaliada, no começo da confusão, em US$ 70 milhões.


Na época, contando com a promessa de que continuaria a frente da vinícola, Patricia comemorou o socorro prestado pelo velho amigo. Mas Donald Trump não ficou bilionário colecionando amizades, e logo colocou o filho Eric para tomar conta do negócio. No começo, ainda ofereceu o cargo de vice-presidente a Patricia. Mas na última semana, a socialite foi comunicada de que “sua presença não era mais necessária no trabalho”.


Em entrevista ao jornal New York Post, Trump minimizou o caso. “Nós fizemos um contrato de transição para o primeiro ano, e que terminou. Ainda estamos trabalhando com ela um pouco, e temos um bom relacionamento com Patricia. Mas nunca é fácil quando você constrói algo parecido com isso e no final acaba trabalhando para as pessoas que compram o sonho que era seu. Mas ela tem um gosto incrível, sabe diferenciar a qualidade das coisas e os vinhos são assim, estão entre os melhores feitos no país”, explicou.


A história de Patricia Kluge é repleta de excentricidades e confusões. Nascida Patricia Maureen Rose, no Iraque, filha de um tradutor inglês com uma mãe iraquiana, estudou em Londres, casou-se com um produtor de filmes eróticos e se notabilizou por fotos nuas e por escrever uma coluna com dicas sexuais. Cansou do casamento e da profissão, largou marido e trabalho e se mudou de mala e cuia para Nova Iorque. Lá, conheceu o multimilionário norte-americano John Kluge, em processo de divórcio. Apaixonaram-se e casaram em 1981.


Enquanto estiveram casados, protagonizaram escândalos e fizeram a festa dos fofoqueiros de plantão. Principalmente por conta do passado apimentado de Patricia. Em um dos mais ruidosos episódios, o casal desistiu de organizar um sarau para o príncipe Charles e a princesa Diana depois que os tabloides britânicos publicaram fotos de Patricia nua e de cenas do picante filme The Nine Ages of Nakedness, um soft-pornô, protagonizado por ela. Nove anos depois da troca de alianças, entraram em cena os advogados e veio o divórcio. Apesar de os valores do acordo não terem sido divulgados, especula-se que Patricia saiu do casamento US$ 1 bilhão mais rica do que entrou.


Mesmo após a união com o terceiro (e atual) marido, os escândalos continuaram a pipocar. Um dos mais cabeludos foi um suposto affair da socialite com o governador da Virgínia, Douglas Wilder, primeiro negro a governar o estado, entre 2005 e 2008. Embora ambos tenham negado enfaticamente o romance, o fato é que os constantes encontros entre os dois e o clima de intimidade explosiva não fizeram outra coisa que não alimentar as especulações.


Nada disso parecia abalar o estilo de vida de Patricia, que promovia jantares nababescos na mansão erguida no meio da vinícola, com a presença constante de políticos, artistas de cinema, e outras figurinhas fáceis do show business norte-americano.


Mas o que os escândalos não tiveram força suficiente para provocar, a total falta de planejamento com as finanças teve. Com a crise de crédito, o casal não conseguiu mais honrar os compromissos e se viram presos a um emaranhado de empréstimos não pagos e promissórias vencidas. As dívidas cresciam em progressão geométrica e nem a liquidação do patrimônio do casal foi suficiente para pagar a conta. Caía o castelo de areia baseado em sexo, luxo e glamour que Patricia Kluge construíra ao longo da vida.


Procurada pela imprensa norte-americana para comentar sua demissão da vinícola que ajudou a criar, Patricia esnobou flashes e holofotes e preferiu optar pelo silêncio. 

por Alexandre Lalas

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Brunch na Locanda



No final de maio, eu e um grupo de amigos resolvemos ir até Petrópolis. E a ida até a cidade imperial foi motivo mais do que suficiente para darmos um pulo na Locanda Della Mimosa e aproveitarmos o brunch de domingo. Mas não esperem aquela comida servida em réchauds, tipo um bufê. Nada disso. Na verdade, nem bem é um brunch, mas um verdadeiro almoço, com uma série de pratos que podem ser repetidos a gosto do freguês. E tudo servido na mesa mesmo.

Começamos com o espumante Dignus, que chegou junto com os pães, quentinhos e crocantes, a manteiga que veio na temperatura certa, e o azeite. Não demorou e o garçom trouxe salmão com vinagrete cítrico, salada caprese (a mozarela de búfala desmanchava na boca) e aspargos com ovos e azeite trufado, usado na medida. Como se não fosse suficiente para abrir os trabalhos, em seguida chegaram um carpaccio de rosbife com champignons e uma seleção de queijos, mortadela italiana, presunto serrano e legumes grelhados. Tudo impecável. E essa variedade de entradas era só a parte fria do brunch!

Até poderia terminar tudo ali. Mas não estávamos nem na metade. Em seguida, começaram a chegar, servidos em mini porções, os pratos quentes. A lasanha bolonhesa estava leve e muito saborosa. O ravióli também arrancou gemidos e teve gente pedindo bis. E ainda provamos o nhoque e o stracoto com polenta. Na Locanda é assim. Pratos simples se tornam astros, como a lasanha a bolonhesa que mesmo fora de moda em outros lugares, lá nunca perde a majestade.

Quem ainda aguenta sobremesa, escolhe no cardápio. Eu pedi o zabaglione, outro prato clássico tão pouco lembrado. Fartei-me. Depois, só mesmo um café (ou chá). E a estrada.


Galeria de imagens:










terça-feira, 12 de junho de 2012

Dress to drink



Pesquisadores da University of Western Austrália (UWA) encontraram um meio de criar tecido usando um processo de fermentação semelhante ao utilizado na produção de bebidas como vinho e cerveja. Foi a senha para que a dublê de estilista e artista contemporânea Donna Franklin criasse uma moda que promete ser a sensação nas passarelas mundiais em um futuro próximo: um vestido feito com vinho tinto.


A bossa nova foi uma parceria da estilista com a Bioalloy, instituto que realiza as pesquisas para a UWA, e batizada como Micro’be. O tecido foi conseguido através da introdução de bactérias capazes de transformar álcool em ácido acético (acetobacter) em uma cuba contendo vinho tinto. O processo é o mesmo usado na produção de vinagre. Quando cultivada em uma solução contendo glicose, a bactéria produz celulose, que é quimicamente semelhante ao algodão.


Leia a matéria completa e veja a galeria de imagens do vestido em:

Dress to drink

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Foco nos EUA



A importadora Winebrands promoveu uma degustação, no restaurante Vieira Souto, em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para apresentar a um grupo que misturou jornalistas, donos de restaurante, sommeliers e formadores de opinião, alguns rótulos norte-americanos que recém-entraram no portfólio da empresa. O Wine Report esteve por lá.

Para ler as notas de degustação dos rótulos provados, basta clicar no nome do vinho:


Château Ste. Michelle Eroica Riesling 2010 

Château Ste. Michelle Indian Wells Chardonnay 2009 

Erath Leland Pinot Noir 2009 

Columbia Crest Grand Estates Cabernet Sauvignon 2006 

Villa Mt Eden Antique Vines Zinfandel 2007 

Stag's Leap Wine Cellar Merlot 2007 

Col Solare 2006 

Columbia Crest Reserve Cabernet Sauvignon 2008

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ao natural

Quando recebi o convite para o lançamento da coleção gastronômica do RS, fiquei nas nuvens e contando os dias. Todos os anos desde que abriu seu restaurante, a chef Roberta Sudbrack promove este evento. O convite vinha com um prato que parecia feito de bambu. E era indispensável que o levássemos no dia do jantar. Como num desfile de moda, no lançamento de um livro, na vernissage de um exposição, todos os convidados ficam ansiosos para entender a mensagem que o que o artista queria passar com aquele prato.

Logo que entrávamos na "casinha laranja", estava sendo projetado um vídeo que a Roberta fez, há alguns anos atrás, "Por uma memória que nos sustente". A exibição já fazia com que entrássemos no clima da nova coleção que leva o nome de "Ao Natural".

Quando subimos para parte de cima do restaurante, nos deparamos com uma mesa lindamente preparada para nos receber. As flores usadas foram hortênsias, em cores bem naturais, verdes e rosa velho. Os convidados já estavam delirando, mesmo com as luzes da cozinha ainda apagadas. Todos com lugares marcados, sentamos e aguardamos o inicio.

Começamos com uma canequinha de barro, que vinha com um bilhetinho: - Consommé de casca de abóbora assada. O gosto do consommé servido daquela mini moringa realçou o sabor da moranga/ abóbora, dando ainda um gosto terral. Muito bom voltar a sentir, depois de muitos anos, o lábio grudar no barro cru.


A flor de abobrinha, gema, raiz e...só foi o prato seguinte. Comi com as mãos mesmo e usei a flor de abobrinha como uma colher para a gema. Foi um estouro só na boca.


Depois foi a vez da castanha crua, cará, aviú e...só. Logo o primeiro da mesa que leu aviú, já começou a procurar o que era aquilo. A sempre antenada Luciana Fróes, que estava por perto e conhece bem o aviú, foi logo dizendo que se tratava de uma espécie de camarão minúsculo. Tudo resolvido, o garçom informa que é aconselhável usar as mãos. Mal sabia ele que já eu já estava fazendo isso desde o outro prato. O sabor é tão intrigante que tenho que provar novamente para tirar chegar a uma conclusão sobre o prato. Às vezes acabo de assistir um filme e fico com a mesma impressão.



Mas com a burrata, piracuí, ovas e ...só, foi só certezas. Amei e quero repetir sempre. Piracuí, segundo o dicionário de gastronomia de Luís da Câmara Cascudo, é farinha de peixe, que depois de seco é socado, reduzido a pó e colocado no fumeiro para apurar o gosto. Ficou incrível com as outras três texturas.


Eis que surge uma colher com o bilhetinho que dizia ostra vegetal: tomate, salsa e ...só. Por mais que pareça outra coisa e a gente fique a procurar outros ingredientes, de fato é só tomate e salsa. Mas a temperatura com que é servida essa ostra é o que faz a diferença, não esquecendo a textura do tomate. Parece tão deliciosamente simples que ficamos a nos perguntar porque não tivemos essa ideia antes. Elementar.


De quando em vez a chef colocava as caras no vidro da cozinha e olhava para o salão como se para checar o que as pessoas pensavam a respeito dos pratos. Bem sabia ele que estávamos todos em estado de êxtase com o desfile.

Quando chegou o palmito bebê, tomate, basílico e ...só, cheguei a me emocionar. É a coisa mais delicada que já vi nos últimos tempos. Mesmo assim, não tive a menor pena em traçá-lo. Voltei no tempo, quando eu ainda não conhecia o palmito pupunha, apenas aquele outro, meu velho conhecido, que tinha uma mordida diferente, mais durinho, menos tenro. Uma delícia de viagem.


Em seguida, foi a vez do cará, piracuí, galinha e ...só. O cará vinha dentro do ravióli, a galinha virou caldo e o piracuí voltou fazendo a vez do parmesão. Isso tudo misturado, para comer de colher. Ainda bem que não faltou o indispensável pão para raspar o prato.[


O desfile seguiu com um mergulho no mar: robalo, tomate, jambu e ...só. Fico muitas vezes com dúvida se devo ou não comer a pele do peixe, mas no caso desse robalo, estava tão convidativa que nem titubeei. Macio que só ele, com tomatinhos milimetricamente cortados. Mais uma vez o pão me ajudou a não deixar nem uma gota do caldo que estava divino.


Eu ainda estava tentando entender a sequência de pratos quando chegou a queixada, farinha ácida e só. Outra vez, fiquei de queixo caído. Não pensei em mais nada, queria comer aquela farinha de colheradas no café da manhã. E que carne macia! Foi o momento de maior silêncio que tivemos durante todo o jantar. Todos ficamos pasmos. Para quem não sabe, a queixada é uma espécie de porco selvagem, mas diferente do javali.


Ainda em êxtase, recebemos a primeira sobremesa: tâmara, chá preto, licuri e só. Mesmo não sendo muito fã de tâmara nem de licuri, amo chá preto então provei sem medo e não me arrependi, o chá preto derreteu todo gosto dos outros dois ingredientes e deixou tudo mais delicado, sentindo somente uma nuance de cada elemento do prato.


A segunda sobremesa chamava-se leite frito e ...só. Arrebatador! Tinha um gostinho de rabanada, não sei se pela canela ou pela textura e ainda tinha doce de leite. Um sonho.


Para terminar a noite, nos devolveram nossos pratos-convite junto com um lápis de carvão. A ideia era que expressássemos de alguma maneira o que havíamos sentido no jantar. Acho que aí a ficha caiu, realmente estávamos todos ali, testando e sendo testados. Uns desenharam, outros escreveram. Mas no final, todos brincamos de Escravos de Jó com os pratos.

Em seguida (e debaixo de entusiasmados aplausos) entrou toda a equipe da cozinha do RS na sala, com a chef por último. Quando tudo acabou, fiquei tão emocionada que me deu vontade de chorar. Assim como acontece quando assistimos a um concerto emocionante, ou um grande filme que comove. Mas ali não havia nem o escurinho do cinema nem o anonimato da plateia, por isso contive as lágrimas. Ademais, ainda era preciso parabenizar a chef. Mas quando ela veio falar comigo, eu ainda mal conseguia articular qualquer palavra. Mesmo assim, acho que ela entendeu perfeitamente o que eu queria dizer. Assim como eu acho que entendi tudo o que ela quis passar com a simplicidade genial da noite. Naturalmente. E só...


texto e fotos: Luciana Plaas

terça-feira, 1 de maio de 2012

Salvaguarda: Europa responde

Os europeus se posicionam em relação ao projeto de implementação de uma salvaguarda para o vinho nacional. A argumentação do Comité de la Communauté économique européenne des 
Industries et du Commerce des Vins, Vins aromatisés, Vins mousseux, Vins de 
Liqueur et autres Produits de la  Vigne (CEEV) é infinitamente mais bem redigida, estruturada e fundamentada do que aquela apresentada pelos peticionários quando entraram com o pedido junto ao Governo Brasileiro.

Leia aqui a argumentação europeia:

Leia aqui a argumentação tupiniquim:

terça-feira, 10 de abril de 2012

Farra marinha


No final de semana, a convite de um casal de amigos, Alexandre e eu fomos almoçar no Satyricon, em Ipanema. Não ia lá fazia muito tempo. Antigamente, quem me levava lá era o meu pai. Como ele não mora no Rio, quando vinha me visitar, sempre fazia questão de marcar alguma coisa por lá. Mas faz tempo que ele não aparece por aqui.

Logo na entrada você já se depara com uma espécie de peixaria, todos os peixes e crustáceos lá expostos. Isso sem falar no aquário que também é impressionante. Mesmo assim, com essa infinidade de frutos do mar, se engana quem pensa que não servem carne. Está no cardápio, eles até oferecem, mas eu é que não ia pedir.

Como nossos amigos são habitués do restaurante, todas as escolhas ficaram por conta deles. E eles acertaram na mosca. Comecei atacando vorazmente os pães de queijo. Aí pensei que deveria me controlar, afinal ninguém vai num restaurante daqueles pra se empanturrar de pão de queijo. Mas eram bons.

Logo em seguida, para minha felicidade, chegou uma travessa gigantesca com vários potinhos com peixes preparados com diferentes temperos. Um cortado bem fininho temperado com pimenta, outro com aneto. Tinha carpaccio, guacamole e ainda vieiras, que estavam maravilhosas, as melhores que já comi no Brasil. Segundo o garçom, são de Arraial do Cabo, para minha surpresa. Pensei que fossem de Santa Catarina. Nada de molhos roubando o gosto das coisas, tudo muito bom.



Depois passamos para os lagostins. Lindos, tenras e até adocicados de tão frescos. Mais uma vez feitas da maneira mais simples. E as lulas também não foram esquecidas. Vieram em duas versões uma só grelhada e outra com molho e pimenta. Da pimenta eu até que gostei, mas foi a grelhada que me conquistou. E não é aquele tipo de lula que desmancha na boca não, mas não é borrachuda e como tem que ser. Quase me esqueci de falar dos cogumelos e que cogumelos. Parecia um filé, macios que só eles. Somente grelhados com salsinha.





Quando achei que tínhamos encerrado a comilança, nosso anfitrião nos disse que tínhamos que provar uma massa imperdível. Então dividimos um pouco para cada um na mesa. Uma massa feita com grão duro, tomatinho, e lagosta. Saboroso e simples. A massa al dente, a lagosta macia e o tomate com sabor. Não precisava mais nada e a porção foi no tamanho ideal. O garçom nos informou que quando quisesse pedir esse prato novamente, é só dizer que é a massa que o seu Jorge pede, Jorge era o nome do nosso anfitrião.



Na hora da sobremesa, foi a nossa anfitriã quem deu o pitaco. Pediu logo um tiramissu, para dividir é claro. Todo molhadinho, e vinha com uma calda de chocolate. Na medida.



Portanto, se você pensa em ir em breve ao Satyricon, guarde este texto. Quem escolheu os pratos sabia o que estava pedindo. E, afinal de contas, é o que dizem: quem tem amigos, não morre pagão.

Satyricon
Rua Barão Torre, 192 - Ipanema
T. 2521-0627
www.satyricon.com.br

sábado, 7 de abril de 2012

Tão perto e tão longe


Na volta de uma viagem para Angra dos Reis, minha filha parou para almoçar no restaurante Bira, em Guaratiba. Assim que chegou em casa, não parava de falar do pastel de camarão. Segundo ela, comeu uns quatro. Desde então, fiquei com muita vontade de dar um pulinho lá para conferir.

Mesmo morando no Recreio, acabo por esquecer que Grumari é aqui perto e Guaratiba nem é tão longe assim. O problema é sempre parar o que se está fazendo e simplesmente ir. Como não conseguia nunca, resolvi pedir ao Alexandre, para que no dia do meu aniversário fossemos lá.

Dito e feito, o dia chegou e partimos. Meio que na corrida, já que o restaurante fecha às 17hs. Chegamos a tempo. Amém. Já na entrada do restaurante, a vista encanta. É maravilhoso, natureza pura. Tudo bem rústico e aconchegante.


Mal sentamos e já fui logo pedindo quatro pastéis (R$4 a unidade), dois de camarão e dois de siri. Para acompanhar, caipirinha de lima com cachaça de alambique. Realmente minha filha tinha razão, dá pra comer muitos desses pastéis. O de camarão é campeão, mas o de siri também é gostoso. Tudo muito bem temperado, com camarão e siri mesmo.



Partimos para a moqueca de camarão (R$135). Enquanto ela não chegava ficamos conversando e tentando descobrir porque demoramos tanto para aproveitar as coisas que estão ao nosso alcance. Antes de chegarmos a qualquer conclusão a moqueca chegou. Cheirosa que só ela. Veio acompanhada de arroz branco e farofa de dendê. Servi-me de moqueca e farofa. Gostei muito do tempero dela, mas o camarão tinha passado um pouco do ponto, coisa de alguns minutinhos a menos. Mesmo assim não parei de comer a moqueca, porque o tempero realmente era certeiro. A farofa também estava um pouco cansada, já não era tão convidativa. Que pena.



Mesmo assim, quero voltar outras muitas vezes lá. Ainda tem a moqueca mista pra provar além de repetir os pastéis de camarão e me deliciar com a vista que não cansa de encantar.

Bira
Estrada da Vendinha, 68 - A
Barra de Guaratiba
T. 2410-8304

Brasil et Clochers



Duelo, bossa-nova, carnaval. Teve de tudo um pouco no Toques et Clochers, mega evento que gira em torno dos vinhos, e que ocorreu entre nos dias 31 de março e 1º de abril, nas cidades de Limoux e Antugnac. Neste ano, o Brasil foi o homenageado da festa. E conferiu um tempero todo especial ao evento, com direito a jantar de gala sob o comando dos chefs Roberta Sudbrack, Claude Troisgros e Rolland Villard, todos residentes no Rio de Janeiro.

As festividades começaram no sábado, com um almoço pondo a frente duas instituições das gastronomias francesa e brasileira: o cassoulet e a feijoada. Com o chef francês Jean Vasquié de um lado do fogão e a brasileira Kátia Barbosa, do Aconchego Carioca, do outro, foi realizada a disputa. Mais de 300 refeições depois, os comensais decidiram entre os dois pratos qual foi o melhor. O resultado foi indiscutível: com mais de 80% dos votos, a feijoada ganhou o duelo.

Após a brincadeira – realizada na praça principal da cidade de Limoux – os convidados foram a pequena Antugnac, onde seria realizada a abertura oficial das festividades. E sob um sol inclemente, teve início um desfile, seguido de festa e degustação, em uma festa que misturou gastronomia, música, artes plásticas, artesanato e vinho. Orgulhosos, produtores desfilavam suas bandeiras e catedrais, festejando a chegada da primavera.


O Brasil marcou presença novamente, com uma barraca montada estrategicamente no alto da cidade, com direito a livros e folhetos sobre o Rio de Janeiro, e quitutes como bolinho de feijoada, coxinha de galinha e queijo coalho com goiabada, preparados pela equipe do Aconchego Carioca. Em frente à barraca, um pequeno palco com uma banda brasileiríssima, comandada pelo pianista Mu Carvalho, pelo violonista Paulinho Lemos e pelo saxofonista Raul Mascarenhas colocava as pessoas para dançar ao som de samba e bossa-nova até o sol se por.



Em outros locais da pequena vila, bandas das cidades vizinhas se revezavam misturando ritmos tradicionais franceses a ousadias como a música tema do filme Rei Leão, sucessos do Abba e até um heavy metal meio fanfarra cover do Metallica. Em toda a parte, degustação de vinhos regionais, barraquinhas com gastronomia local (como ostras, foie gras e cassoulet) e inúmeros pequenos ateliers de artistas da região expondo quadros, gravuras, azulejos e artesanato em geral.

No final do dia, uma queima de fogos deixou todos ainda mais animados e a festa rolou até alta madrugada, sem que nenhum incidente fosse registrado – é bom deixar claro.

No dia seguinte, pela manhã, os convidados puderam degustar as amostras de cerca de 140 barricas, dos 60 principais produtores da Cooperativa de vinhos Aimery Sieur d'Arques, e que seriam leiloadas na tarde do mesmo dia. São quatro as regiões que compõe o universo da AOC Limoux. O mais valorizado costuma ser o Haute-Vallée. Neste ano, não foi diferente. No leilão, que arrecadou um total de € 728 mil e contou com a presença da baronesa Philippine de Rothschild, o clocher de La Serpent, que já havia sido o campeão no ano passado, voltou a se destacar sendo arrematado por € 8,8 mil. Entre os compradores (atacadistas, sommeliers, importadores e restauranteurs do mundo inteiro), muitos brasileiros, que ficaram com quase uma dezena das barricas.




Após o leilão, para celebrar, o jantar de gala. Com o salão decorado com motivos brasileiros, os chefs Roberta Sudbrack, Claude Troisgros e Rolland Villard desfilavam suas criações, bem escoltados por vinhos selecionados pelo sommelier Dionísio Chaves. No palco, a mesma banda que se apresentara em Antugnac no dia anterior, fazia a festa. E o espírito festeiro dos brasileiros contagiou tanto os convidados de diversas nacionalidades que, antes mesmo que a sobremesa fosse servida, a pista já estava cheia e o carnaval já havia começado oficialmente em Limoux.