Mostrando postagens com marcador plaas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador plaas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ao natural

Quando recebi o convite para o lançamento da coleção gastronômica do RS, fiquei nas nuvens e contando os dias. Todos os anos desde que abriu seu restaurante, a chef Roberta Sudbrack promove este evento. O convite vinha com um prato que parecia feito de bambu. E era indispensável que o levássemos no dia do jantar. Como num desfile de moda, no lançamento de um livro, na vernissage de um exposição, todos os convidados ficam ansiosos para entender a mensagem que o que o artista queria passar com aquele prato.

Logo que entrávamos na "casinha laranja", estava sendo projetado um vídeo que a Roberta fez, há alguns anos atrás, "Por uma memória que nos sustente". A exibição já fazia com que entrássemos no clima da nova coleção que leva o nome de "Ao Natural".

Quando subimos para parte de cima do restaurante, nos deparamos com uma mesa lindamente preparada para nos receber. As flores usadas foram hortênsias, em cores bem naturais, verdes e rosa velho. Os convidados já estavam delirando, mesmo com as luzes da cozinha ainda apagadas. Todos com lugares marcados, sentamos e aguardamos o inicio.

Começamos com uma canequinha de barro, que vinha com um bilhetinho: - Consommé de casca de abóbora assada. O gosto do consommé servido daquela mini moringa realçou o sabor da moranga/ abóbora, dando ainda um gosto terral. Muito bom voltar a sentir, depois de muitos anos, o lábio grudar no barro cru.


A flor de abobrinha, gema, raiz e...só foi o prato seguinte. Comi com as mãos mesmo e usei a flor de abobrinha como uma colher para a gema. Foi um estouro só na boca.


Depois foi a vez da castanha crua, cará, aviú e...só. Logo o primeiro da mesa que leu aviú, já começou a procurar o que era aquilo. A sempre antenada Luciana Fróes, que estava por perto e conhece bem o aviú, foi logo dizendo que se tratava de uma espécie de camarão minúsculo. Tudo resolvido, o garçom informa que é aconselhável usar as mãos. Mal sabia ele que já eu já estava fazendo isso desde o outro prato. O sabor é tão intrigante que tenho que provar novamente para tirar chegar a uma conclusão sobre o prato. Às vezes acabo de assistir um filme e fico com a mesma impressão.



Mas com a burrata, piracuí, ovas e ...só, foi só certezas. Amei e quero repetir sempre. Piracuí, segundo o dicionário de gastronomia de Luís da Câmara Cascudo, é farinha de peixe, que depois de seco é socado, reduzido a pó e colocado no fumeiro para apurar o gosto. Ficou incrível com as outras três texturas.


Eis que surge uma colher com o bilhetinho que dizia ostra vegetal: tomate, salsa e ...só. Por mais que pareça outra coisa e a gente fique a procurar outros ingredientes, de fato é só tomate e salsa. Mas a temperatura com que é servida essa ostra é o que faz a diferença, não esquecendo a textura do tomate. Parece tão deliciosamente simples que ficamos a nos perguntar porque não tivemos essa ideia antes. Elementar.


De quando em vez a chef colocava as caras no vidro da cozinha e olhava para o salão como se para checar o que as pessoas pensavam a respeito dos pratos. Bem sabia ele que estávamos todos em estado de êxtase com o desfile.

Quando chegou o palmito bebê, tomate, basílico e ...só, cheguei a me emocionar. É a coisa mais delicada que já vi nos últimos tempos. Mesmo assim, não tive a menor pena em traçá-lo. Voltei no tempo, quando eu ainda não conhecia o palmito pupunha, apenas aquele outro, meu velho conhecido, que tinha uma mordida diferente, mais durinho, menos tenro. Uma delícia de viagem.


Em seguida, foi a vez do cará, piracuí, galinha e ...só. O cará vinha dentro do ravióli, a galinha virou caldo e o piracuí voltou fazendo a vez do parmesão. Isso tudo misturado, para comer de colher. Ainda bem que não faltou o indispensável pão para raspar o prato.[


O desfile seguiu com um mergulho no mar: robalo, tomate, jambu e ...só. Fico muitas vezes com dúvida se devo ou não comer a pele do peixe, mas no caso desse robalo, estava tão convidativa que nem titubeei. Macio que só ele, com tomatinhos milimetricamente cortados. Mais uma vez o pão me ajudou a não deixar nem uma gota do caldo que estava divino.


Eu ainda estava tentando entender a sequência de pratos quando chegou a queixada, farinha ácida e só. Outra vez, fiquei de queixo caído. Não pensei em mais nada, queria comer aquela farinha de colheradas no café da manhã. E que carne macia! Foi o momento de maior silêncio que tivemos durante todo o jantar. Todos ficamos pasmos. Para quem não sabe, a queixada é uma espécie de porco selvagem, mas diferente do javali.


Ainda em êxtase, recebemos a primeira sobremesa: tâmara, chá preto, licuri e só. Mesmo não sendo muito fã de tâmara nem de licuri, amo chá preto então provei sem medo e não me arrependi, o chá preto derreteu todo gosto dos outros dois ingredientes e deixou tudo mais delicado, sentindo somente uma nuance de cada elemento do prato.


A segunda sobremesa chamava-se leite frito e ...só. Arrebatador! Tinha um gostinho de rabanada, não sei se pela canela ou pela textura e ainda tinha doce de leite. Um sonho.


Para terminar a noite, nos devolveram nossos pratos-convite junto com um lápis de carvão. A ideia era que expressássemos de alguma maneira o que havíamos sentido no jantar. Acho que aí a ficha caiu, realmente estávamos todos ali, testando e sendo testados. Uns desenharam, outros escreveram. Mas no final, todos brincamos de Escravos de Jó com os pratos.

Em seguida (e debaixo de entusiasmados aplausos) entrou toda a equipe da cozinha do RS na sala, com a chef por último. Quando tudo acabou, fiquei tão emocionada que me deu vontade de chorar. Assim como acontece quando assistimos a um concerto emocionante, ou um grande filme que comove. Mas ali não havia nem o escurinho do cinema nem o anonimato da plateia, por isso contive as lágrimas. Ademais, ainda era preciso parabenizar a chef. Mas quando ela veio falar comigo, eu ainda mal conseguia articular qualquer palavra. Mesmo assim, acho que ela entendeu perfeitamente o que eu queria dizer. Assim como eu acho que entendi tudo o que ela quis passar com a simplicidade genial da noite. Naturalmente. E só...


texto e fotos: Luciana Plaas

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Bodas de prata da gastronomia carioca

por Luciana Plaas

Em 1987, a Estação Primeira de Mangueira foi a grande campeã do carnaval do Rio de Janeiro, homenageando Carlos Drummond de Andrade. O Flamengo do técnico Carlinhos, comandado em campo por Zico, Leandro e Renato Gaúcho, faturou o tetracampeonato brasileiro. Moreira Franco, vencedor das eleições no ano anterior, sucedia Leonel Brizola no governo do Estado do Rio. Mais do que os traficantes, eram os bicheiros que detinham o poder paralelo na cidade, chegando até a serem recebidos pelo governador em pleno Palácio Guanabara.

José Sarney era o presidente do Brasil e o Plano Cruzado começava a fazer água. Ulisses Guimarães comandava o congresso que preparava a nova constituição brasileira. A ditadura ainda era uma ferida aberta, mas os bichos papões eram a divida externa e a inflação. Mesmo com tudo isso, as pessoas no Brasil se divertiam com as peripécias de Rafaela Alvaray (Marília Pêra) e Montenegro (Marco Nanini), na novela Brega & Chique, de Cassiano Gabus Mendes. Na parada de sucessos, Que País é Este?, do Legião Urbana; Codinome Beija-Flor, de Cazuza, Bon Jovi, U2. Era o tempo da Glasnost e da Perestroika na União Soviética. E a Alemanha ainda estava dividida por um muro.

Pois foi em 1987, que Danusia Barbara lançou o seu primeiro Guia de restaurantes do Rio de Janeiro. Então, apenas três casas receberam as máximas quatro estrelas: Laurent, Le Saint-Honoré e o Valentino's. Nenhum deles existe mais. Mas lugares como Antiquarius, o Claude Troisgros e o Clube Gourmet, ainda em Botafogo, já existiam. E levaram três estrelas na classificação da época. Com duas estrelas, o Bife de Ouro estava lá junto com Caesar Park, (pela feijoada) o Le Pré Catelan e o The Lord Jim Pub, pelo chá. Na época eram bem comuns restaurantes com boa comida, música ao vivo, show e dança. Hoje é difícil encontrar um.

Botafogo tinha mais restaurantes do que o Leblon. A Rua Dias Ferreira, apesar de já abrigar várias casas, ainda não era considerada a jóia da coroa da gastronomia da Zona Sul. Mas o Sushi Leblon já estava ali, só que com outro nome: Tatsumi Sushi-Bar. O Final do Leblon ainda vivia seus áureos tempos. Outros que deixaram saudades são Chalé, Hippopotamus, Manolo's, Le Saint-Honoré, Luna Bar, Jazzmania, Mistura Fina e o dinamarquês Helsingor, entre tantos. A Academia da Cachaça e o Antiquarius eram considerados os lugares da moda. Prova cabal de que certos modismos não passam. Cheques eram muito mais aceitos do que cartões de crédito. O dinheiro de plástico ainda era uma raridade. Eram nove restaurantes chineses contra 16 japoneses. No guia atual, são dois chineses contra 42 japoneses.

Na próxima segunda-feira, dia 6 de dezembro, Danusia Barbara estará lançando a edição 2011 de seu Guia de Restaurantes do Rio. É o 25º ano consecutivo em que a jornalista lança o livro. Vai ser na Livraria da Travessa, do shopping Leblon, a partir das 19hs. Quem quiser saber mais sobre como anda a gastronomia no Rio de Janeiro está convidado a aparecer.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Feira moderna

Luciana Plaas


O que é um produto orgânico? Essa foi a pergunta que uma rede de TV estava fazendo às pessoas quando cheguei na feira orgânica do Leblon. Para serem considerados orgânicos, as frutas, hortaliças, grãos, laticínios e carnes têm de ser produzidos respeitando o meio ambiente e sem utilizar agrotóxicos, pesticidas e outras substâncias que possam colocar em risco a saúde dos produtores e consumidores.


Para garantir que um produto é orgânico é preciso verificar todo o sistema de produção. Por isso, o Ministério da Agricultura criou um selo certificando se o produto respeita as normas estabelecidas para que possa ser rotulado como orgânico. O selo do SISORG (Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica) passará a ser obrigatório, a partir de janeiro de 2011, para todos os produtos orgânicos comercializados no varejo. Feirantes e pequenos produtores que fazem venda direta ao consumidor estarão livres da obrigatoriedade do selo. Mas para que esses produtos sejam vendidos como orgânicos, esses agricultores precisam ser vinculados a uma organização de controle social cadastrada nos órgãos do governo.


Quem escolhe produtos orgânicos está preocupado com a saúde, em preservar o meio ambiente e ajudar os pequenos produtores rurais. Na feira do Leblon, que começou esta semana, lá estavam pouco mais de uma dúzia de produtores. O Capril de Ville que faz queijos em Visconde de Mauá estava lá. A Fátima do Verde Orgânico também participa da feira: ela fornece legumes e verduras para vários restaurantes do Rio, além de ter o apoio do Claude Troisgros. Assim como os produtos orgânicos, a feira é pequena, mas faz a diferença.


Feiras
Terça-feira - Nossa Senhora da Paz - Ipanema
Quinta-feira - Rua Marques de São Vicente, 225, Gávea (PUC)
Quinta-feira - Praça Antero de Quental - Leblon
Sábado - Praça do Russel - Glória
Sábado - Rua Marechal Dantas Barreto, Campo Grande (Atrás do estacionamento do West Shopping)
Sábado - Glória - Praça do Russel
Sábado - Pracinha do bairro Peixoto
Sábado - Em frente a Igreja São José
Domingo - Estrada da Barra da Tijuca nº 1990 - Itanhangá

Outras maneiras de comprar orgânicos

Verde Orgânico - Fátima: 9650-5314 /(24)2259-2106 (faz entregas 3ª, 5ª e sábado)
www.sitiodomoinho.com
Fazenda do Cafundó (cafundo@ism.com.br)
Capril De Ville - Mirantão - Visconde de Mauá (deville@guiamaua.com.br) - (32) 3294 2064

sábado, 4 de setembro de 2010

O vinho é pop

por Luciana Plaas

O cantor norte-americano de música country Boz Scaggs pode até andar meio desaparecido da mídia, pelo menos fora das fronteiras do gênero musical nos Estados Unidos. Mas segue na ativa, em tour com Michael McDonald e Donald Fagen, dois outros nomes do country.


No entanto, Boz Scaggs, autor de hits setentistas como we’re all alone, embora não pense ainda em pendurar o microfone, cada vez mais tem se dedicado a outra atividade: a de produtor de vinhos.


Esta história começou em 1996, quando Boz e a esposa Dominque se mudaram para o vale do Napa. O casal comprou uma propriedade de 2,5 hectares ao longo de Mayacamas Ridge, ao norte do Monte Veeder, numa altitude que varia entre 330 e 450 metros. De início, eles pensaram em plantar árvores frutíferas. Mas aí um amigo ligado ao vinho foi visitar o casal e sugeriu que eles plantassem umas mudas de syrah, sobras de outro vinhedo, que carregava atrás da caminhonete.


Na primavera seguinte, quando as mudas floresceram, criaram raízes profundas também em Boz e na esposa. E, fãs dos vinhos do sul do Rhône, compraram mudas de outras duas uvas da região: mourvèdre e grenache, cujos clones vinham do renomado Château de Beaucastel, em Châteauneuf-du-Pape. Era o nascimento da Scaggs Vineyard.


O primeiro vinho foi feito no ano 2000. O enólogo responsável é o experiente Ken Bernards. A filosofia é a de menor intervenção possível nas vinhas. Desde 2005, os vinhedos, os pomares e as oliveiras de Scaggs receberam o certificado de orgânico. No início, o casal nem pensava em comercializar os vinhos. Toda a produção era bebida com amigos. Mas os elogios de quem provava a bebida e a certeza de estarem fazendo vinhos de qualidade incentivou o casal a lançar os rótulos da Scaggs no mercado.


A produção é artesanal e mínima. São dois rótulos: o Scaggs Vineyard Mt. Veeder Montage, cuja safra 2007 é um corte das três uvas plantadas na propriedade com predominância da mourvèdre. Deste vinho, foram lançadas apenas 348 garrafas, ao preço de US$ 75 cada. O outro rótulo é um vinho rosado, feito com a grenache. No site da Scaggs, o pacote com três garrafas da safra 2009 custa US$ 75.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sem reinventar a roda

Luciana Plaas

Seu Augusto, um cearense que sabe o que quer e com experiência de mais de quarenta anos no ramo, costuma dizer que o restaurante do qual é dono, o Málaga, no Centro do Rio, não tem novidades na comida. Não tem intenção de inventar a roda e nem de fazer releitura de nada. Tudo é muito conhecido, antigo, testado e aprovado.


Pude comprovar que realmente ele estava falando a verdade. O couvert (R$9), não poderia ser mais tradicional: pães, manteiga, patê e azeitonas. Depois veio um prato de Mussarela de búfala, presunto de Parma e legumes grelhados (R$36). Estava uma delícia, também sem nenhuma surpresa. Em seguida nos serviu um Polvo (R$48) que estava dos mais macios que comi nos últimos tempos.


Como o Seu Augusto disse que não haveria surpresas, nem me animei com o potinho de um risoto amarelo que puseram na minha frente. Mas o Arroz com pequi e camarões (R$ 38) surpreendeu. Estava bem melhor do que parecia e do que eu esperava. Comi tudo. Foi super bem com o vinho que estávamos tomando, Anakena Viognier. Quando achei que chegaríamos à principal razão de nossa passagem pelo Centro, o esperado leitão, me enganei, veio uma provinha do Bacalhau às natas (R$ 38). Gostoso, mas eu estava me guardando para a estrela da tarde, o famoso Leitão do Málaga.



De repente ele chegou e com tudo, inteirinho e reluzente. Estava lindo! Fui servida e não acreditava como a carne estava macia. Faca nem era preciso. Veio acompanhado de batatas coradas e farofa brasileira. Só provei a farofa, porque estava era concentrada no porquinho. Não era tão temperado como os de Portugal. Nem se notava tanto a gordura de alguns outros lugares. Estava na medida. Assado em baixa temperatura. O molho, servido à parte, muito bem feito, fino, sem gordura, mas com acidez. Gostaria de estar com uma fome maior para comer mais. Vale lembrar que este prato deve ser encomendado de véspera, assim como o cabrito. O prato de leitão, com qualquer acompanhamento, custa R$59.




Na hora da sobremesa, pensei em pedir um fruta, mas o Seu Augusto disse que lá eles faziam Bananas flambadas (R$28 para duas pessoas) como ninguém. Não houve como resistir. Realmente sabem o que estão fazendo. Foi assim o almoço inteiro. Sem novidades, nem invencionices, como diz Seu Augusto. Mas bom e consistente do começo ao fim.



Serviço:
Málaga
Miguel Couto 121
Centro
(21)2253-0862
(21)2233-3515
http://www.malaga.com.br

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Para quando bater a preguiça

por Luciana Plaas



Existe alguma boa razão para pedir comida em casa? Conheço algumas. Preguiça de cozinhar e de sair de casa já são mais do que suficiente. Mas a melhor de todas é quando a comida entregue em casa é tão boa quanto a do restaurante. Não muda nada, nem no gosto nem na textura. Aí vira vício. Não precisa nem estar com preguiça, basta sentir vontade.

A comida japonesa é muito boa, mesmo quando pedida em casa. Existe um lugar no Leblon chamado Deusimar Sushi. Sempre peço de lá. É bem pequenininho. Tudo é muito fresco e de altíssima qualidade. Um conselho é evitar pedir fritura, porque não tem como chegar crocante. Mas os combinados ficam iguais, o nirá e os cogumelos também agüentam bem a "viagem". Para os que preferem comer no restaurante, eles tem umas mesas do lado de fora, que são mais aconchegantes do que a parte de dentro.



Pizza é o tipo de comida que prefiro comer na pizzaria. Acho que nunca é a mesma coisa. Recentemente atendi à recomendação de uma amiga, moradora da Gávea, e pedi pizza no lugar sugerido por ela. Chama-se Sasso e só trabalha com entregas no domicílio. Assim a coisa muda, estão preparados para isso. Foi a melhor pizza para viagem que já comi.

Portanto, quando bater aquela fome, junto com uma preguiça incontrolável lembre-se dessas duas sugestões. Eu gosto muito.


Deusimar Sushi
R. General Urquiza, 188, Loja B
Leblon
(21) 2512-6827
(21) 2239-3876

Sasso
R. Marquês de São Vicente, 188
Gávea
(21) 2529-8272

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O vinho é a estrela

por Luciana Plaas


Do lado de fora dá pra ver as garrafas de vinho. Na parte de dentro, mais garrafas por todos os lados. Olhando assim, seria apenas mais uma loja de vinhos. Mas subindo as escadas, se chega ao Bistrô. Mal dá pra acreditar na quantidade de gente que cabe ali dentro. Diariamente acontece um happy hour e mensalmente tem uma programação com degustações, muitas vezes com visitas de enólogos dos vinhos degustados.

Semana passada, estive em uma degustação conduzida por Enrique Tirado, enólogo responsável pela produção do Don Melchor, um ícone do Chile.

De entrada foi servida Lagosta ao molho de pêra. Para harmonizar, Terrunyo Sauvignon Blanc. O prato combinou bem com vinho, que era bastante fresco.

O primeiro prato tinha uma apresentação bastante interessante. Era o Bacalhau à Bergut, uma brandade servida dentro de um pão. Já havia comido algo parecido, mas servido com sopa de queijo. O prato estava gostoso com o pão crocante que comi até as beiradas, mas a harmonização não funcionou. Foi servido com o Don Melchor 2006. Caso tivesse sido servido com o vinho anterior, teria dado mais certo. Além de que, o vinho não lembrava em nada um Don Melchor. O último que provara foi o 2004, há dois anos e ainda guardava o sabor na memória.

Tudo resolvido no prato seguinte, um Filet ao foie gras com suspiro de batata ao funghi. Servido com o Don Melchor 2005. Agora sim, o filé estava macio, assim com o vinho. Fiz as pazes com o Don Melchor.

Para os amantes do chocolate, a sobremesa estava na medida, Terrine de chocolate suíço Lindt. E para os amantes do vinho de sobremesa também: Late Harvest Concha y Toro.

O Bergut não deve ser visto como um lugar de alta gastronomia ou um restaurante extraclasse. O foco ali é o vinho, é reunir os amigos em uma mesa, em torno de uma boa garrafa, a preço mais do que justo e com uma comida saborosa e sem grandes pretensões. E o bistrô alcança com perfeição esses objetivos.

Bergut Castelo
Avenida Erasmo Braga 299, Centro - RJ (21)2220-1887

sábado, 7 de agosto de 2010

Um cordeiro para os pais

por Luciana Plaas

Domingo é Dia dos Pais. Nestas datas, não recomendo restaurante algum. É fila atrás de fila, trânsito, um caos. Mas para não deixar a data passar em branco, segue uma receita para quem preferir celebrar em casa mesmo. O cordeiro agrada a nove entre dez homens. E esta é uma receita do Jamie Oliver, daquelas que não tem erro e não dão trabalho algum. Atenção pois o prato requer um longo tempo de cozimento, que deixa a carne ainda mais macia e gostosa. Portanto se for fazer o cordeiro, programe-se.

Serve 6 pessoas
1 pernil de cordeiro
sal e pimenta
3 colheres de sopa de azeite de oliva
6 fatias de bacon
3 cebolas roxas, cortadas em quatro
3 dentes de alho, descascados e fatiados
2 mãos cheias de um mix de ervas (tomilho, alecrim e loro)
4 batatas grandes, descascadas e cortadas em quatro
1 aipo cortado em quatro
6 cenouras, descascadas e partidas ao meio
3 batatas baroa, descascadas e partidas ao meio
1 garrafa de vinho branco

Aqueça forno na temperatura de 170C. Tempere o pernil com pimenta e sal. Numa caçarola grande ou em um tabuleiro, doure o pernil com azeite até que fique dourado de todos os lados. Acrescente o bacon e as cebolas e por último alho. Continue fritando por mais 3 minutos. Coloque os vegetais e as ervas, o vinho e a mesma quantidade de água. Deixe ferver e cubra com papel laminado. Leve ao forno por 5 horas, até que fique macio. Tempere o molho que sair da carne. Prove. Sirva com os vegetais.

sábado, 24 de julho de 2010

Recompensa aos peregrinos

por Luciana Plaas

Sábado passado tive um dia intenso de peregrinação por lojas de decoração. Foi um entra e sai de estacionamentos, sobe e desce de escadas, filas e mais filas. Quando entramos no carro e finalmente sentamos, senti que estava cansada e, o pior, faminta. Fiz uma pergunta singela: "alguém está com fome?". Minha sogra respondeu que sim. Ufa, que alívio, pensei. O Alexandre disse que tomaria uma sopinha. Que desgosto. O primeiro pensamento que me veio a cabeça foi a sopa de milho, do restaurante Bazzar, em Ipanema. Vou morrer de fome, pensei, estamos do outro lado da cidade. Foi quando lembrei que estávamos muito perto do Mercado Produtor.

Só tinha ido ao Mercado durante o dia. Tudo parece muito diferente à noite. Falta aquela alegria das barraquinha de peixe, aquele movimento todo. Mas tínhamos que escolher, e rápido, algum lugar para comer. Entre os restaurantes do local, optamos pelo La Plancha.

Sentamos e fomos logo pedindo o caldinho de sururu, antes mesmo das bebidas. O garçom disse que tinha acabado. Que tristeza! Escolhemos então o caldinho de frutos do mar (R$ 18,50). Logo perguntei ao garçom se demorava muito, tamanha era a minha fome. Ele disse que era feito na hora. Resposta certa, mas não a que eu queria ouvir naquele momento. Conversa vai, conversa vem, o Alexandre solta a frase que eu esperava: "aqui tem uma lagosta e uma cavaquinha maravilhosas, alguém se anima?" Todos nos animamos. Perguntamos ao garçom o que estava melhor, a lagosta ou a cavaquinha? Lagosta foi a resposta. Seguimos a sugestão do garçom e pedimos o prato (R$ 148) para dividirmos entre os três.

Quinze minutos depois, chegaram os caldinhos. A aparência nunca é muito boa, mas o cheiro estava diabólico de tão bom e o pote era enorme. Estava super quente. Ainda isso, depois de esperar ficar pronto, agora tinha que esperar esfriar, para não queimar a língua. Mas ter paciência é uma tarefa difícil quando se está com fome. Mesmo quente, encarei o caldo. Estava divino. No final já nem usava a colher, virei o potinho mesmo. Que satisfação. Com aquele friozinho então, caiu muito bem. Quando pensei que nos precipitamos em pedir as lagostas, coisa de gente esfomeada, elas chegaram.

Sempre tenho medo de pedir lagosta. Muitas vezes não vem no ponto certo. A do La Plancha, grelhada, na brasa, somente com manteiga, veio no ponto. O prato dava direito a um acompanhamento. Pedimos arroz de brócolis. Estava bom.

Na volta pra casa, pensei que para fazer toda aquela peregrinação em lojas novamente, só mesmo se me prometessem uma recompensa tão boa quanto aquele caldinho e aquela lagosta.

La Plancha 148
Av. Ayrton Sena, 1791 - boxes 7 a 10
Barra da Tijuca - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3325-3383

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Bom desde os tempos de Garrincha

por Luciana Plaas

Há quantos anos você não vai ao Plataforma? Eu não ia fazia tempo. Desde a época em que Garrincha conduzia a casa, frequentada quase diariamente por Tom Jobim. Até duas semanas atrás, quando fui depois do jogo Brasil contra Costa do Marfim, na primeira fase da Copa do Mundo. Depois disso, voltei ao restaurante nesta semana.

Quando fomos depois do jogo, éramos um grupo grande. Estávamos famintos. Avisamos ao garçom que trouxesse tudo. O couvert, (pães de queijo, torradas, manteiga, patê e azeitona; R$14,00), lingüiça (R$6,00 a unidade), e o que mais tivesse por vir. As cestas de pão de queijo foram chegando e acabando rapidamente. Quentinhos, uma gostosura. A esta altura, parecia que estávamos comendo por comer, um atrás do outro. Mas a linguiça, mesmo com toda a fome que eu estava, não me agradou. Estava passada. Sensação que repetiu-se da última vez que estive no Plataforma.

Na hora de escolher os pratos, pedi ajuda ao garçom. Ele me sugeriu o steak ao sal grosso (R$62 para uma pessoa e R$95 para duas). Embora a fome fosse grande, Alexandre e eu decidimos dividir uma porção individual. Estava divino, macio, no ponto que pedimos. Outras pessoas do grupo pediram o T-bone (R$56,00) que parecia bom também. Quem optou pelo o babybeef (R$54,00) não ficou tão feliz. Chegamos a conclusão de que os garçons que indicam o filé ao sal grosso estão certíssimos. Realmente é o melhor prato da casa.

Cada prato dava direito a um acompanhamento. Escolhemos batatas suflê, creme de espinafre, e farofa de ovo com banana . Os acompanhamentos eram simplesmente, acompanhamentos. Nada de especial.

Pedimos duas sobremesas para dividirmos. Banana flambada (R$24,00) e Cup Camargo (creme de abacate, R$16), que pedimos que fosse servido com Frangelico. Todos na mesa gostariam de uma colherada a mais.

Quando voltei ao restaurante, convidada por uma importadora de vinhos, não tive chance de escolher o que queria. A carne servida foi a picanha. Não estava lá grande coisa. Ou seja, no Plataforma, como em tantos lugares o garçom sabe exatamente o que indicar. Portanto, para quem for ao Plataforma melhor ficar no Steak ao sal grosso. Continua ótimo.

Plataforma
Rua Adalberto Ferreira, 32
Leblon
Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2274.4022
www.plataforma.com

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Na Copa e na cozinha

por Luciana Plaas

Demorei bastante tempo para ir até o restaurante Eñe, em São Conrado. Ao meu ver, quando um restaurante abre é muito difícil avaliar como ele realmente vai ser. É preciso dar tempo para a cozinha se acertar e o serviço ficar afiado. Antes de seis meses, não acho justo qualquer crítica. Logo quando o Eñe abriu, ouvi comentários contra e a favor da casa. Por isso, esperei até que parassem de falar um pouco de lá para ir e tirar as minhas próprias conclusões.

Era sábado e nossa mesa, de sete. Nada melhor do reunir vários amigos de uma vez só. Se a mesa é redonda então, todo mundo fica feliz. Como a maioria de nós estávamos indo ao Eñe pela primeira vez, o maître sugeriu o Gran Menu Degustação (R$140,00).

Começamos no melhor estilo espanhol: o couvert da casa, que tem pão, linguiças e chouriço, regados por um azeite maravilhoso (R$14,00). Daí por diante os pratos vieram num ritmo contínuo e preciso. Lembrando que era uma sábado e o restaurante estava lotado.

O primeiro prato foi o Tartar de pescados com ovas de peixe voador. Além de lindo era uma delicadeza só. Acidez no ponto certo. Começamos bem, pensei.

O segundo foi o Ravioli de castanhas de caju, foie gras e azeitonas pretas. Um ravióli grande com um caldo bem saboroso. Achei um pouco doce demais. Culpa de castanha.

Depois veio o Olhete com crosta de fideus e ceviche de melancia. Outro prato muito bonito. Adorei a crosta de fideus, uma espécie de massa bem fininha. Deu uma crocância boa ao peixe. Por sinal, este nem me encantou tanto assim. Em compensação, poderia comer um prato inteiro do ceviche de melancia.

O próximo prato foi o Ensopado de alcachofra com panceta e caldo de carne. Estava divino. A mesa inteira gostou. Parecia que seria o eleito da noite. Até que nos serviram o último prato: Leitão crocante com maçã. Fui às nuvens. Um delírio. Como é bom comer um porquinho bem feito e crocante.

Mas, uma das pessoas da mesa, que não come carne, escolheu o Arroz negro com lagostim e lula. Todos provamos o prato dela. Coitada, quase não sobrou nada, de tão bom que estava. Da próxima vez, este prato será uma das minhas escolhas. O bom de um menu degustação é justamente o fato de podermos provar uma série de pratos diferentes. Por alguns nos apaixonamos, por outros, nem tanto. O que vale é a surpresa.

Como estávamos bebendo vinho, seguimos com queijos. Aliás contamos com o serviço impecável e a presença elegante da sommelière Cecília Aldaz.

Para terminar veio a sobremesa: Turrón gelado de amêndoas. Muito gostoso.
Realmente os espanhóis, quinhentos anos depois de dividirem o globo com Portugal, estão querendo reconquistar o mundo. Na culinária, nos vinhos e até no futebol.

Eñe - Hotel Intercontinental
Avenida Prefeito Mendes de Morais, 222
São Conrado
TEL. (21) 3322-6561
www.enerestaurante.com.br