domingo, 15 de julho de 2012

O grande encontro




Começa nesta segunda-feira (16), a sexta edição do Encontro Mistral. A versão 2012 do evento traz ao Brasil 81 produtores de 16 países, que apresentarão aos enófilos, centenas de rótulos de diferentes regiões, uvas, estilos e preços. A feira começa em São Paulo, onde será realizada nos dias 16, 17 e 18, sempre no Hotel Grand Hyatt, entre 17h e 21h30. Os cariocas terão que correr para provar tudo. No Rio, o evento acontecerá em apenas um dia, quinta-feira (19), no Sofitel, também entre 17h e 21h30. Como o tempo será curto para tanto vinho, o Wine Report preparou um pequeno guia, destacando 20 dos 81 produtores que estarão presentes ao evento. Mas atenção: não é uma lista com os melhores isso ou aquilo. Apenas algumas dicas de certos vinhos que você não pode deixar de provar. As sugestões estão dispostas em ordem alfabética:

Alois Lageder
(Alto Adige, Itália)
Vinhos puros e limpos são a marca deste produtor do norte da Itália, cada vez mais reconhecido pela crítica internacional como um importante nome da região.
O que provar: Pinot Grigio Benefizium Porer 2007
Quem vai estar lá: Alexander Hecht

Ànima Negra
(Mallorca, Espanha)
Miquelangel Cerdá era pescador. Do mar, partiu para a terra. Plantou vinhas, fez vinhos. E que vinhos! Rendimentos baixos, produção pequena, castas autóctones... Produtor cultuado, já por cá esteve em outros eventos da Mistral. Além dos grandes vinhos, é um excelente papo.
O que provar: ÀN Anima Negra 2007
Quem vai estar lá: Miquelangel Cerdá

Bollinger
(Champanhe, França)
São poucas as casas de champanhe cuja elegância mistura-se à da mística em torno da bebida. A Bollinger certamente é uma delas. São vinhos finos, elegantes, delicados, cheios de classe. E, ao mesmo tempo, dotados de uma bela estrutura capaz de carregar a champanhe sem problema através dos anos. Ótima maneira de começar bem a feira.
O que provar: Spécial Cuvée Brut
Quem vai estar lá: Philippe Menguy

Campolargo
(Bairrada, Portugal)
Carlos Campolargo é um sujeito de riso farto, cabeleira revolta e ideias firmes. Para ele, muito mais relevante do que as castas autóctones está a fidelidade ao lugar de origem: no caso, a amada Bairrada. Por isso, procura refletir em seus vinhos, independente das castas usadas na produção da bebida, o gosto da terra de onde eles são gerados.
O que provar: Calda Bordalesa 2006
Quem vai estar lá: Carlos Campolargo

Castello di Ama
(Toscana, Itália)
Entre obras de arte contemporânea e vinhos muito acima da média, Marco Pallanti e Lorenza tocam esta joia da Toscana e, certamente, uma das principais referências da região dos chiantis. Impressiona a qualidade de toda a linha. E chama a atenção a devoção pelo que a terra dá. Mesmo diferentes, todos os vinhos têm a assinatura de Marco: uma acidez vibrante e uma elegância austera.
O que provar: Castello di Ama Chianti Classico 2007
Quem vai estar lá: Marco Pallanti

Château Musar
(Vale do Bekaa, Líbano)
Este é um dos grandes vinhos do mundo. Possui uma soberba capacidade de guarda, muita personalidade, estrutura e vivacidade. Em troca, exige paciência. Um Château Musar não é um vinho para abrir e provar assim sem mais nem menos. É preciso esperar. São sete anos entre a colheita das uvas e o lançamento do vinho. E uma vez aberto, é preciso decantar. Por horas e horas. Às vezes, de um dia para o outro até. Mas a espera vale a pena.  
O que provar: Château Musar 2003
Quem vai estar lá: Serge Hochar

Cos d’Estournel
(Bordeaux, França)
O Cos é um dos meus bordeaux preferidos. A combinação entre força e elegância, entre fruta e terra, entre o moderno e o tradicional, faz desta casa uma síntese de St. Estèphe. Imperdível.
O que provar: Château Cos d’Estournel 2009
Quem vai estar lá: Géraldine Santier

Daumas Gassac
(Languedoc-Roussillon, França)
Émile Peynaud foi o responsável pela criação desta vinícola, ícone do sul da França. Os vinhos são carregados de tipicidade, cheios de taninos e consagrados por adjetivos elogiosos da crítica especializada.
O que provar: Daumas de Gassac Rouge 2009
Quem vai estar lá: Victorine Babé

Gaía
(Nemea, Peloponeso e Santorini, Grécia)
A agiorgítiko – literalmente, uva de São Jorge – é a especialidade desta casa grega. E em tempos de Corinthians campeão da Taça Libertadores, nada como fazer um agrado ao santo e provar os vinhos feitos com esta casta.
O que provar: Agiorgítiko by Gaía 2009
Quem vai estar lá: Iliana Sidiropoulou

Kanonkop
(Stellenbosch, África do Sul)
Casa sul-africana que produz um pinotage de respeito, um cabernet-sauvignon sempre muito bem pontuado e um vinho de entrada de gama pra lá de saboroso: o Kadette. Mas bom mesmo é o corte bordalês da vinícola, o Paul Sauer. Prove, feche os olhos, e sinta-se em Bordeaux.
O que provar: Paul Sauer 2008
Quem vai estar lá: Johann Krige

Kracher
(Burgenland, Áustria)
Alois Kracher era um gênio. E que foi embora cedo demais, em 2007. Mas deixou um belo legado, cuidado com esmero pelo filho Gerhard, que estará na feira. Os brancos doces são simplesmente espetaculares.
O que provar: Cuvée Auslese 2009
Quem vai estar lá: Gerhard Kracher

Lungarotti
(Úmbria, Itália)
Úmbria e Abruzzo são duas regiões italianas pouco celebradas no mundo vitivinícola. Tudo bem que há motivos para tal. Muitos vinhos de qualidade duvidosa saem destas duas paragens. Mas de onde não saem vinhos ruins? Quem nunca tomou um bordeaux de quinta que atire a primeira taça! No entanto, tanto Úmbria quanto Abruzzo guardam joias raras, vinhos de primeira linha e – melhor – bem mais em conta do que similares de outras regiões mais votadas. Lungarotti é um destes produtores. Vale provar a linha toda. Mas o destaque absoluto é um vinho raro, um tinto doce, feito com a sagrantino. Tomara que esteja na feira! É uma obra de arte.
O que provar: Sagrantino di Montefalco Passito 2007
Quem vai estar lá: Marco Zauli

Niepoort
(Douro, Portugal)
Dirk Niepoort é um sujeito singular. Tem o hábito de carregar na mala do carro em que viaja, grandes vinhos. E abre onde estiver, na hora em que der na telha. Irrequieto, maluco, inventivo, genial. Outro estande onde vale a pena provar tudo o que estiver à mostra, dos brancos aos vinhos do porto. Se lá estiver o Redoma branco então, melhor ainda!
O que provar: Redoma Reserva Branco 2009
Quem vai estar lá: Dirk Niepoort

Pascal Jolivet
(Loire, França)
Eu sou fã de vinhos do vale do Loire. E mais fã ainda dos vinhos de Pascal Jolivet. O cara sabe o que faz. Prove o que ele abrir, sem susto. E delicie-se com pouillys e sancerres minerais, elegantes, saborosos.
O que provar: Exception Sancerre 2004
Quem vai estar lá: Pascal Jolivet

Paul Hobbs Winery
(Califórnia, Estados Unidos)
Um dos grandes nomes da viticultura norte-americana, Paul Hobbs é craque. Os vinhos são encorpados, robustos, concentrados, cheios de fruta. Mas sempre com um toque delicado, uma acidez bem trabalhada, um tanino fino. O cabernet do cara é fora de série. E o pinot que ele faz em Russian River está, fácil, entre os melhores do mundo feitos com a uva. Paul Hobbs deve ficar apenas em São Paulo. Mas os vinhos virão para o Rio.
O que provar: Paul Hobbs Pinot Noir Lindsay Vineyard Russian River 2008
Quem vai estar lá: Paul Hobbs

Quinta da Pellada
(Dão, Portugal)
Muita gente aponta o Dão como a Borgonha de Portugal. Se aceitarmos a comparação, então certamente Álvaro Castro é uma espécie de Aubert de Villaine português. O enólogo faz vinhos de rara elegância, finos, delicados. Irreverente, um tanto desorganizado, sagaz, genial. Outra mesa onde não há que se ter pressa.
O que provar: Quinta da Pellada Carrocel 2008
Quem vai estar lá: Maria Castro

Remírez de Ganuza
(Rioja. Espanha)
Rioja de estilo moderno, mas mantendo a tipicidade da região, este produtor tem rapidamente ganhado espaço no coração da crítica especializada. Motivos não faltam. Os vinhos são grandiosos. Toda a linha vale a pena. E aos mais interessados em enologia, fica a dica: converse com o cara. Ele sabe muito.
O que provar: Remírez de Ganuza Reserva 2004
Quem vai estar lá: Fernando Remírez de Ganuza

Tapanappa
(South Australia, Austrália)
Este é um projeto conjunto da Bollinger, do Château Lynch Bages e do enólogo australiano Brian Coser. Esqueça a Austrália de vinhos potentes, carregados de fruta, super-extraídos, mega concentrados e um tanto cansativos. Aqui diz presente a Austrália boa, onde extração, concentração e fruta convivem com uma fineza dos taninos e uma acidez mais presente.
O que provar: Tapanappa Tiers Chardonnay 2007
Quem vai estar lá: Marc Hoffmann

Tasca d’Almerita
(Sicília, Itália)
Aos poucos a Sicília vai conquistando um espaço importante no mundo do vinho. A cada ano aumenta o número de bons rótulos que saem de lá. A Tasca é uma das pioneiras na recuperação da credibilidade dos vinhos sicilianos. Há muita coisa boa para provar aqui, de diferentes partes da ilha. Prove tudo. É a melhor maneira para entender a enorme diversidade da Sicília.
O que provar: Tascante IGT 2008
Quem vai estar lá: Antonio Virando

Vallontano
(Vale dos Vinhedos, Brasil)
Que o Brasil há algum tempo produz bons vinhos não é novidade pra ninguém. Mas o que tem aparecido em qualidade parece ter sumido em inteligência. Uma onda de imbecilidade parece ter assolado irremediavelmente o universo vinícola nacional. Vide o tenebroso selo fiscal e o fantasma da monstruosa salvaguarda, que ainda vive a nos assombrar. Tais medidas visam favorecer os grandes nomes da indústria de vinhos do Brasil. E ajudam a esmagar os pequenos, por sinal, os que mais têm contribuído para esta percepção da melhora de qualidade dos vinhos brazucas. Entre as vozes dissonantes, está a do corajoso e talentoso Luis Henrique Zanini, da Vallontano – uma reserva de inteligência nesse descerebrado mundo da viticultura nacional.
O que provar: Espumante LH Zanini Extra Brut 2010
Quem vai estar lá: Luis Henrique Zanini

Confira a lista completa dos produtores clicando aqui. O ingresso para o Encontro Mistral 2012 custa R$ 290. Reservas e informações, pelo telefone (11) 3372 3400.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os novos vinhos da Montes




O enólogo Aurelio Montes, um dos principais nomes da viticultura chilena, esteve ontem no Rio de Janeiro para um almoço com jornalistas. O dono da Viña Montes esteve na cidade para apresentar novos rótulos produzidos pela vinícola e lançados aqui pela importadora Mistral.

Aurelio mostrou os três rótulos da linha Outer Limits: um sauvignon blanc, um pinot noir e um corte de carignan, grenache e mourvèdre (CGM). A ideia é produzir vinhos em condições extremas, “onde nenhum produtor havia estado antes”. Os dois primeiros, são feitos com uvas provenientes de um vinhedo em Zapallar, no Vale do Aconcágua, norte do país. O enólogo foi o primeiro a plantar vinhas por lá. Pequeno e charmoso balneário onde a elite chilena costuma cultivar mansões, Zaballar é uma aposta pessoal de Aurelio. Os vinhedos ficam a apenas sete quilômetros da costa. Os 45 hectares que o enólogo tem por lá são as únicas vinhas da região.

Já o CGM é feito mesmo no vale de Apalta, em Colchágua, onde Aurelio tem terras que não acabam mais. As condições extremas, no entanto, lá estão. Segundo o enólogo, as vinhas destas três uvas ficam no alto da cordilheira da costa, em condições extremas. Daí a inclusão deste vinho na linha Outer Limits.

Aurelio ainda apresentou um corte de cabernet-sauvignon e malbec da linha Twins, o Montes Alpha Malbec e um vinho de sobremesa feito com a gewürztraminer.

Leia a nota de degustação dos rótulos provados clicando no nome do vinho:



texto: Alexandre Lalas
foto: Luciana Plaas

domingo, 1 de julho de 2012

DEU NO WINE REPORT: o resumo da semana




DEU NO WINE REPORT
(para ler as matérias na íntegra, clique na noticia)

SALVAGUARDAS:
O Wine Report resolveu publicar este editorial. Escorado pelas mais de 10.200 assinaturas que referendaram a petição pública contra a salvaguarda, queremos dar voz a estes produtores. E também vamos avisar aos que estão escondidos, calados, ou simplesmente indiferentes que nossa voz não calou, não cansou e tampouco esqueceu. NÓS NÃO IREMOS COMPRAR VINHOS NACIONAIS CASO ESSA SALVAGUARDA SEJA ADOTADA. Com a exceção mais do que justa feita aos rótulos dos viticultores que marcarem posição oficial e escrita condenando o pedido. Apenas para lembrar: até agora, os produtores que já vieram a público condenar a salvaguarda são: Adolfo Lona, Angheben, Antonio Dias, Cave Geisse, Chandon, Don Abel, Era dos Ventos, Maximo Boschi, Salton, Vallontano e Villagio Grando. Caso essa lei passe, serão apenas os vinhos destas corajosas vinícolas que representarão o Brasil em nossas adegas. 


Após a audiência pública promovida pelo ministério do desenvolvimento indústria e comércio (MDIC) sobre as Salvaguardas, realizada na última quinta-feira (28), em Brasília, o Wine Report conversou  com o Secretário-geral do Comitê Europeu das Empresas de Vinho (CEEV), José Ramon Fernandez (na foto), e com Nicolas Ozanam Secretário-geral da Federação dos Exportadores de Vinhos e Espirituosos da França (FEVS). O que os europeus tentaram mostrar na audiência é que não existem as condições necessárias, como alega o IBRAVIN e demais entidades gaúchas, para a aplicação das Salvaguardas. "Com base em todos os argumentos técnicos apresentados não há caso", afirma Ozanam. Fernandez garante que o momento de deixar os técnicos analisarem com calma as informações fornecidas e não jogar gasolina no fogo, ao menos da parte dos produtores europeus. Acredita que a questão técnica prevalecerá e também o bom senso. Seu desejo é de que esta disputa não tivesse sido criada e que os esforços dos produtores brasileiros fossem direcionados, conjuntamente com os importadores e produtores estrangeiros, em prol do vinho e de seu consumo. "Preferia estar investindo em promoção e formação ao invés de estar pagando advogados em Brasília", assegurou.



NOTÍCIAS:







OUTRAS CACHAÇAS:


EVENTOS:


VINHOS:



sexta-feira, 29 de junho de 2012

Ícones brancos de guarda




por Alexandre Lalas

O senso comum recomenda o consumo rápido dos vinhos brancos. E, de fato, na maioria dos casos, o tempo em garrafa não faz nem um pouco bem a este tipo de bebida. Só que, como quase tudo na vida, há exceções que confirmam a regra. E no caso dos vinhos brancos, segundo a MW inglesa Jancis Robinson, cerca de 5% dos rótulos ficam ainda melhores depois de cerca de cinco anos após a colheita. E quando o assunto é guarda longa a coisa fica ainda mais restrita. “Acredito que não chegue a 1% o total de brancos que possuam características para envelhecerem bem por mais de uma década”, assinala Jancis.

Mas, embora raros, estes vinhos existem. Que o diga o colecionador francês Christian Vanneque, que em julho do ano passado pagou a bagatela de R$ 180 mil por uma garrafa de Château d’ Yquem 1811. Ex-sommelier do restaurante parisiense La Tour d’Argent e um dos e um dos degustadores do famoso Julgamento de Paris, em 1976, quando um punhado de vinhos californianos até então desconhecidos bateu, em prova às cegas, os grandes châteaus franceses, mudando a história da indústria vitivinícola, Vanneque chamou a compra de “uma pequena loucura” e pretende abrir a garrafa em 2017, quando completará 50 anos de carreira. Quando enfim provar o Yquem 1811, o francês poderá comprovar as palavras do crítico norte-americano Robert Parker, que degustou o vinho em 1996, dando-lhe os máximos 100 pontos e comparando a bebida a “um creme brûlée”.

Grandes vinhos brancos de sobremesa têm, de fato, uma capacidade de guarda maior. Não apenas o Yquem ou alguns vizinhos de Sauternes, mas grandes tokajis, massandras, eisweins e trockenbeerenausleses costumam envelhecer bem. A razão é a combinação entre a acidez e o açúcar residual presentes nestes vinhos, o que proporciona uma espécie de escudo contra os efeitos do tempo.

Mas não apenas os brancos doces são capazes de encararem um longo tempo na adega. Vinhos secos como alguns grandes borgonhas, rieslings do primeiro time, chenins, semillons, alguns hermitages e uns espanhóis e italianos, entre poucos outros, também entram com louvor nesta lista. Nestes casos, em que a quantidade de açúcar residual nos vinhos é baixa, a chave para a longevidade é a acidez.

“O grande ponto é a quantidade de acidez. Ela agrega frescor e mantém o vinho vivo durante a passagem do tempo. A acidez é parte determinante da estrutura do vinho e é um fator decisivo na hora de determinar se um branco tem ou não capacidade de envelhecimento”, diz Benjamin Joliveau, da Domaine Huet, uma vinícola do vale do Loire que faz brancos secos e doces com longo potencial de guarda.

Mas, como bem destaca Joliveau, há outros fatores que, combinados com a acidez, influenciam na longevidade de um branco seco. “A concentração do vinho é outro fator determinante, assim como o corpo. Também depende do tipo de uva. Castas como riesling e chenin têm, de maneira geral, mais capacidade de produzir vinhos longevos do que a chardonnay e a sauvignon”, explica. “Não podemos esquecer-nos da viticultura. Solos, clones, rendimentos... Tudo isso influencia na concentração do vinho e influi diretamente na capacidade de guarda”, prossegue.

O trabalho na adega é outro ponto importante a ser considerado. “A vinificação também tem um peso importante. Fazer a fermentação malolática faz com que a acidez do vinho baixe. Aqui no Huet, nunca usamos esta prática justamente por buscar um maior frescor. Manter esta acidez é importante para que o vinho possa envelhecer bem. Por fim, o tempo em barricas também influencia na oxigenação e oxidação de um vinho, influindo em sua capacidade de guarda”, completou Joliveau.

Um dos expoentes da viticultura biodinâmica e produtor cuja capacidade de guarda dos brancos que faz é incontestável, o francês Nicolas Joly traz outros pontos interessantes ao debate. “O potencial de guarda de um vinho é baseado no tipo de vida que a uva levou e do que foi feito na adega”, ensina. “Práticas modernas encurtam enormemente o tempo de vida das uvas. A razão é simples: o uso do inseticida reduz a ação das raízes que buscam alimentação em micro organismos no solo. Os inseticidas matam estes micros organismos. Daí, a raiz volta à superfície para buscar a alimentação em fertilizantes químicos. Este sistema polui a seiva e afeta diretamente a fotossíntese”, explica Joly.

“Portanto, estas práticas já reduzem o potencial de vida da uva e ainda prejudica o gosto. Na adega, o excesso de tecnologia que é usado na produção do vinho, como o uso de enzimas, gorduras, leveduras selecionadas e outras coisas que não são naturais da vinha, reduzem ainda mais a capacidade de vida do vinho”, afirma.

“A biodinâmica é apenas um catalisador das forças as quais a planta precisa para ser saudável. E por conta disso, quase não precisamos fazer nada na adega. É claro que precisamos olhar o pH dos vinhos, mas o básico é o que já falamos”, comenta Joly. O francês conclui fazendo uma comparação. “Nos vinhos verdadeiramente biodinâmicos (há muitos que são mais marketing do que de fato biodinâmicos), muitas vezes necessitamos da agressão da oxidação para que o vinho mostre todo o potencial que tem. Estes vinhos costumam ficar ainda melhores dois dias depois que a garrafa é aberta. Em contraponto, vinhos produzidos através da agricultura moderna precisam justamente de forte proteção contra a oxidação, pois sozinhos não têm forças para lutar contra ela”, finaliza.

O produtor friulano Josko Gravner tem ponto de vista semelhante ao de Nicolas Joly. Radical até a última gota, aboliu o uso de barricas novas nos vinhos que faz. Hoje em dia, executa um trabalho cuidadoso na vinha, coloca tudo em uma grande ânfora de terracota, sem adição de leveduras selecionadas nem tampouco controle de temperatura. Veda, e deixa lá por sete meses. Depois, afina em grandes cascos neutros de madeira e o vinho é engarrafado sem clarificação e nem filtração, na lua crescente. Sete anos depois para os vinhos comuns e dez para os reservas, Gravner entrega ao mercado rótulos únicos, raros e com enorme potencial de guarda.

“Quando o vinho nasceu, ele era branco. Os tintos ainda sequer pensavam em existir”, provoca. “As uvas brancas, ao contrário das tintas, podem se beneficiar de um longo contato com a casca, que é onde moram os nutrientes capazes de dar longevidade ao vinho”, resume Gravner. “E tanto a natureza sabe das coisas, que a podridão nobre ataca apenas as uvas brancas”, conclui o italiano de sangue esloveno que desdenhando das tendências, resguarda-se das voltas que o mundo dá se apegando às mais antigas tradições. E encontra nas experiências do passado o caminho do futuro, fazendo os vinhos como faziam os romanos.

Apego à tradição e ojeriza às tendências de mercado são pontos em comum entre Gravner e o espanhol Julio Cesar Lópes de Heredia, bisneto de Don Rafael Lópes de Heredia, o fundador da Viña Tondonia, vinícola de Rioja, mundialmente famosa pelos brancos espetaculares que produz. E que tem a particularidade de chegarem ao mercado muitas vezes mais de uma década depois que as uvas para a produção daquele rótulo foram colhidas.

“Acredito no mínimo possível de interferência, tanto na vinha quanto na bodega. Os vinhos se fazem por si só”, diz Julio. Embora o estilo da Tondonia – de brancos ricos em estrutura e com um toque de oxidação – seja cada vez mais raro em um mundo ávido por vinhos fáceis, o produtor não dá a mínima para as tendências e modas do mercado. “Nossos vinhos são sim diferentes, mas traduzem com exatidão o que é a Rioja. Há muitos produtores que dançam de acordo com a música, ficam indo de lá pra cá e a cada cinco anos, e quando muda o gosto do consumidor, muda o vinho deles, não há identidade”, critica. Embora não possam ser tachados de vinhos comerciais, o fato é que o vinho feito na bodega de Julio vende e bem. Prova inconteste de que não apenas há vinhos brancos que podem envelhecer bem, mas também há um time de consumidores cujas portas das adegas estão escancaradas para estas verdadeiras preciosidades.

domingo, 24 de junho de 2012

Para imprimir e levar junto




por Alexandre Lalas


Começa nesta segunda-feira (25) a caravana da importadora Decanter. São 69 produtores, de 11 países, que apresentarão cerca de 400 rótulos a enófilos do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. A partir deste ano, devido ao crescimento do portfólio da empresa, a feira passa a ser anual. E em 2012, o foco é o Velho Mundo, com 67 produtores de 10 países diferentes. No meio desta selva de rótulos, nem sempre é possível provar tudo. Para facilitar o trabalho do enófilo dedicado, o Wine Report preparou uma lista com 15 produtores que, no meio de tanta coisa boa, você não pode deixar de visitar.

De Sousa
(Champanhe, França)
A ascendência é portuguesa, daí o nome desta Maison. Mas a alma é francesa mesmo, e a casa produz rótulos a partir de uvas cultivadas de forma biodinâmica, de extrema elegância, com farto reconhecimento da imprensa especializada na França. Ótima maneira de começar os trabalhos.
Destaque: Cuvée 3A Brut Grand Cru
Quem vai estar na feira: Charlotte de Sousa (proprietária)

Montirius
(Rhône, França)
Novidade no catálogo da Decanter, esta pequena vinícola é tocada pelo casal Eric e Cristine Saurel. Eles cuidam de 32 hectares em Vacqueyras e 16 em Gigondas. São vinhedos velhos e tratados sem composto químico desde 1980. Biodinâmicos desde 1996, apresentam vinhos feitos com a menor intervenção humana possível, e frutos fiéis do terroir de onde vêm.
Destaque: Vacqueyras Le Clos 2006
Quem vai estar na feira: Eric e Cristine Saurel (proprietários)

Domaine L’Oustal Blanc
(Languedoc, França)
Fermentação integral com as cascas, barricas abertas, defesa das castas autóctones, desprezo pelas regras oficiais, viticultura biodinâmica, reconhecimento internacional. Tudo isso já seria mais do que bons motivos para prestar atenção neste produtor. Não bastasse tudo isso, quem estará apresentando os vinhos é a encantadora Isabel Fonquerle, a dona da casa.
Destaque: Prima Donna Minervois La Livinière 2008
Quem vai estar na feira: Isabel Fonquerle (proprietária)

Pieropan
(Veneto, Itália)
Se você acha que a garganega não é capaz de gerar grandes brancos, é porque certamente não conhece os vinhos desta vinícola do Veneto. Aqui, o tradicional e saboroso soave ganha outra conotação. Vinhos sérios, complexos, mas sem deixar de lado o agradável frescor que é marca da região.
Destaque: La Rocca Soave Classico 2007
Quem vai estar na feira: Dario Pieropan (proprietário)

Gulfi
(Sicília, Itália)
Mais um produtor orgânico, este é um dos bons nomes que comprovam o renascimento da qualidade na solar Sicília. Os neros d’avola da Gulfi são obras de arte. Destaque também para o nerello mascalese, feito aos pés do Etna.
Destaque: Nerobufaleffj 2006
Quem vai estar na feira: Matteo Catania (proprietário)


Reichsrat Von Buhl
(Pfalz, Alemanha)
Os belos rótulos já chamam a atenção para este produtor cheio de história na viticultura alemã. Mas muito além da aparência, vale é o que está dentro da garrafa. E neste caso, o conteúdo ganha com folga da forma. Orgânica desde 2008, a vinícola é propriedade do milionário Achim Niederberger.
Destaque: Deidesheimer Herrgottsacker Riesling Trocken 2010
Quem vai estar na feira: Janke Zeltwanger (representante)

Hiedler
(Kamptal, Áustria)
Vinícola familiar, adepta da viticultura ecológica, esta é a primeira casa austríaca do portfólio da Decanter. Os vinhos são simplesmente fora de série. Toda a gama é boa, desde os brancos secos, aos tintos e fechando com o branco doce. Sem medo de errar, a Hiedler eleva a já adorável grüner veltliner e um patamar superior.
Destaque: Grüner Veltliner Thal 2010
Quem vai estar na feira: Maria Angeles Hiedler (proprietária)

Alves de Sousa
(Douro, Portugal)
Domingos Alves de Sousa é simpático toda a vida. Não perde uma chance de visitar o Brasil. E muito além desta simpatia, está um sujeito que sabe fazer vinhos. Responsável por um portfólio sem fim, é capaz de produzir, com a mesma competência, um vinho de batalha, leve e fresco, para o dia-a-dia e outro de estilo único, diferente, incomum. Mas sempre com as digitais dele lá marcando presença. Um craque.
Destaque: Reserva Pessoal Branco 2004
Quem vai estar na feira: Domingos Alves de Sousa (proprietário)

Cossart Gordon
(Madeira, Portugal)
Mais antiga casa produtora de vinhos da Madeira, a Cossart Gordon faz, desde 1953, parte do grupo Madeira Wine Company (MWC). A marca da vinícola é a fineza. São vinhos de rara beleza, feito para iniciados. E com uma longevidade de dar inveja a Oscar Niemeyer.
Destaque: Bual 15 Years Old Medium Rich
Quem vai estar na feira: Filipe Pereira (gerente de marketing)

Domaine Sigalas
(Santorini, Grécia)
Professor de matemática, filósofo, dramaturgo. Estas são outras “profissões” de Paris Sigalas, o artista por trás destes tão bem cuidados tesouros gregos. Como um tributo aos deuses, o enólogo produz joias puras, autênticos retratos do magnífico terroir de Santorini.
Destaque: Mavrotragano 2009
Quem vai estar na feira: Charikleia Mavrommati (gerente de exportação)

Simcic Marjan
(Goriska Brda, Eslovênia)
Dentre as ex-repúblicas iugoslavas, a Eslovênia talvez seja a que mais destaque conseguiu no mundo vitivinícola nos últimos anos. Grandes vinhos saem daquele pequeno país. Marjan Simcic é um dos principais nomes do cenário esloveno. Bola dentro da importadora, chance de ouro para o enófilo que não ter medo de ser feliz.
Destaque: Rebula Opoka 2007
Quem vai estar na feira: Marjan Simcic (proprietário)

Korta Katarina
(Peljesac, Postup e Dingac, Croácia)
Por trás do sucesso do chardonnay do Château Montelena, vencedor entre os brancos do famoso Julgamento de Paris, em 1976, estava o trabalho de um enólogo croata: Mike Grgich. Na época, o jovem imigrante tinha desbravado a América em busca de oportunidades. Hoje já não seria mais preciso. Fazer vinhos (bons) na Croácia é fácil. À geografia que sempre ajudou, juntou-se a nova situação do país, de paz, tranquilidade e prosperidade – elementos tão importantes quanto uma boa uva na hora de produzir grandes vinhos. Este é um dos belos produtores locais, que aposta nas castas autóctones, no conceito de “crus” e na agricultura sustentável. Olho neles.
Destaque: Plavac Mali 2007
Quem vai estar na feira: Marko Pavlac (gerente de vendas e marketing)

Attila Gere
(Vilány, Hungria)
Para quem acha que a Hungria é só tokaji, eis a prova definitiva em contrário. Attila Gere, um ex-guarda florestal, é um dos responsáveis pela ressureição da viticultura húngara pós-comunismo. Prove tudo e surpreenda-se com merlots e cabernets que você juraria serem bordaleses. Imperdível.
Destaque: Solus 2007
Quem vai estar na feira: Andrea Gere (proprietária)

Arzuaga
(Ribera del Duero, Espanha)
Esta vinícola fica, nada mais nada menos, do que entre a Vega Sicilia e a Pingus, duas das mais festejadas bodegas espanholas. O estilo fica entre o tradicionalismo do Vega e o modernismo da Pingus. E a qualidade é lá em cima. Vale provar a linha inteira.
Destaque: Arzuaga Reserva Especial 2004
Quem vai estar na feira: Ignacio Arzuaga (proprietário)


Palácio de Fefiñanes
(Galiza, Espanha)
A alvarinho é uma das grandes uvas brancas de Portugal. E na feira estará um dos papas da casta, o enólogo Anselmo Mendes, responsável por alguns dos melhores vinhos do mundo feitos com a cepa. Mais uma razão para conferir esta vinícola da Galiza, que faz um exuberante e moderno alvarinho. Nesta comparação, o vencedor é sempre o consumidor.
Destaque: Albariño de Fefiñanes III Año 2007
Quem vai estar na feira: Juan Gil de Araujo (proprietário)



Locais e datas:
25 de junho -Rio Janeiro- Rio Othon Palace- Av. Atlântica, 3264- Copacabana
26 de junho- São Paulo- Hotel Tivoli- Al. Santos, 1437
27 de junho- São Paulo- Al. Santos, 1437
28 de junho- Porto Alegre- Sheraton Hotel- Rua Olavo Barreto Vianna, 18- Moinhos
29 de junho – Belo Horizonte- Av. do Contorno, 8657

 A feira acontecerá das 16 h às 22h nas quatro capitais. O ingresso custará R$ 250. Os ingressos devem ser adquiridos antecipadamente nas Enotecas Decanter das respectivas cidades: São Paulo Tel. (11) 3073-0500; Belo Horizonte Tel. (31) 3287-3618; Rio de Janeiro Tel. (21) 2286-8838, Porto Alegre (51)3222-1131.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Demitida




Um ano depois de dançar pela casa e celebrar o fim de um “Armageddon pessoal”, a dublê de socialite e empresária Patricia Kluge foi obrigada a encarar a face mais dura de um velho amigo. Quando a Kluge Estate Winery – propriedade de dois mil hectares no estado de Virgínia que pertencia a ela – faliu, Patricia comemorou quando Donald Trump, companheiro de longa data, antecipou-se à concorrência e arrematou o espólio. Mas o que a ex-milionária não esperava é ouvir de viva-voz o bordão que consagrou o velho amigo na televisão norte-americana. Pouco mais de um ano depois de confirmar a presença de Patricia a frente da vinícola, Trump mudou de ideia e demitiu a socialite do comando da Kluge.


Patricia, uma socialite rica que ganhou milhões de dólares do ex-marido no divórcio, foi o rosto da vinícola desde a sua criação. E não se importou em gastar os tubos para equipar a adega com o que de mais moderno havia no mercado. Ela ainda investiu em enólogos e consultores estrelados, e até em caixas exclusivas desenhadas por artistas renomados. Tudo com a intenção de colocar a Virgínia no mapa do vinho norte-americano.


No entanto, ao lado do marido William Moses, um ex-executivo da IBM, o casal, combinando arrogância com ingenuidade, conduziu a Kluge Estate Winery diretamente para o brejo. Para bancar o projeto, pegaram dinheiro emprestado no Banco de Crédito da Virgínia, não conseguiram pagar, hipotecaram a propriedade, pegaram mais empréstimos a acabaram quebrando. Deram um calote de US$ 35 milhões. O banco tomou tudo e levou a leilão. E, enquanto os lojistas barganhavam tentando comprar uma caixa com os vinhos da vinícola por US$ 45 (antes da falência, a garrafa custava US$ 12), Donald Trump não brincou em serviço: por US$ 6,2 milhões, arrematou a propriedade, as marcas, a adega e os vinhos que lá estão. Detalhe: a Kluge Estate Winery havia sido avaliada, no começo da confusão, em US$ 70 milhões.


Na época, contando com a promessa de que continuaria a frente da vinícola, Patricia comemorou o socorro prestado pelo velho amigo. Mas Donald Trump não ficou bilionário colecionando amizades, e logo colocou o filho Eric para tomar conta do negócio. No começo, ainda ofereceu o cargo de vice-presidente a Patricia. Mas na última semana, a socialite foi comunicada de que “sua presença não era mais necessária no trabalho”.


Em entrevista ao jornal New York Post, Trump minimizou o caso. “Nós fizemos um contrato de transição para o primeiro ano, e que terminou. Ainda estamos trabalhando com ela um pouco, e temos um bom relacionamento com Patricia. Mas nunca é fácil quando você constrói algo parecido com isso e no final acaba trabalhando para as pessoas que compram o sonho que era seu. Mas ela tem um gosto incrível, sabe diferenciar a qualidade das coisas e os vinhos são assim, estão entre os melhores feitos no país”, explicou.


A história de Patricia Kluge é repleta de excentricidades e confusões. Nascida Patricia Maureen Rose, no Iraque, filha de um tradutor inglês com uma mãe iraquiana, estudou em Londres, casou-se com um produtor de filmes eróticos e se notabilizou por fotos nuas e por escrever uma coluna com dicas sexuais. Cansou do casamento e da profissão, largou marido e trabalho e se mudou de mala e cuia para Nova Iorque. Lá, conheceu o multimilionário norte-americano John Kluge, em processo de divórcio. Apaixonaram-se e casaram em 1981.


Enquanto estiveram casados, protagonizaram escândalos e fizeram a festa dos fofoqueiros de plantão. Principalmente por conta do passado apimentado de Patricia. Em um dos mais ruidosos episódios, o casal desistiu de organizar um sarau para o príncipe Charles e a princesa Diana depois que os tabloides britânicos publicaram fotos de Patricia nua e de cenas do picante filme The Nine Ages of Nakedness, um soft-pornô, protagonizado por ela. Nove anos depois da troca de alianças, entraram em cena os advogados e veio o divórcio. Apesar de os valores do acordo não terem sido divulgados, especula-se que Patricia saiu do casamento US$ 1 bilhão mais rica do que entrou.


Mesmo após a união com o terceiro (e atual) marido, os escândalos continuaram a pipocar. Um dos mais cabeludos foi um suposto affair da socialite com o governador da Virgínia, Douglas Wilder, primeiro negro a governar o estado, entre 2005 e 2008. Embora ambos tenham negado enfaticamente o romance, o fato é que os constantes encontros entre os dois e o clima de intimidade explosiva não fizeram outra coisa que não alimentar as especulações.


Nada disso parecia abalar o estilo de vida de Patricia, que promovia jantares nababescos na mansão erguida no meio da vinícola, com a presença constante de políticos, artistas de cinema, e outras figurinhas fáceis do show business norte-americano.


Mas o que os escândalos não tiveram força suficiente para provocar, a total falta de planejamento com as finanças teve. Com a crise de crédito, o casal não conseguiu mais honrar os compromissos e se viram presos a um emaranhado de empréstimos não pagos e promissórias vencidas. As dívidas cresciam em progressão geométrica e nem a liquidação do patrimônio do casal foi suficiente para pagar a conta. Caía o castelo de areia baseado em sexo, luxo e glamour que Patricia Kluge construíra ao longo da vida.


Procurada pela imprensa norte-americana para comentar sua demissão da vinícola que ajudou a criar, Patricia esnobou flashes e holofotes e preferiu optar pelo silêncio. 

por Alexandre Lalas