quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Por uma vida mais doce

Já imaginou chupar um limão e dizer que tem gosto de bala? Ou tomar um gole de vinagre e afirmar que é tão doce quanto suco de maçã? Também tem aqueles que dizem que o queijo de cabra tenha virado cheesecake. Isso tudo sem ingerir nenhum tipo de droga, apenas comendo uma fruta. Obviamente não estamos falando de qualquer fruta, e sim da fruta do milagre (Sideroxylon dulcificum). Uma frutinha pequenininha, menor que uma uva, originaria do oeste da África, mas disponível aqui no Brasil.

A fruta tem pouca quantidade de açúcar e mesmo o seu gosto não é doce. Mas ela possui moléculas ativas de glicoproteína, com algumas cadeias de carboidratos, chamadas miraculina (a provável autora do milagre). Quando a fruta é mastigada essas moléculas se misturam com as papilas gustativas tornando doce, os alimentos ácidos. A causa exata para essa mudança de sabor é desconhecida, mas existe a teoria de que a miraculina atua destorcendo a forma dos receptores de açúcares. É como se a molécula enganasse a percepção do gosto azedo da língua. O efeito dura mais ou menos uma hora.

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Bill Koch ataca outra vez

Bill Koch, rico executivo de energia na Flórida, Estados Unidos, é colecionador contumaz de vinhos. Dono de uma adega de 40 mil garrafas, avaliada em mais de US$ 12 milhões, Koch, nos últimos anos, tem se dedicado também a outra atividade: combater a falsificação de rótulos raros. Um dos métodos que o executivo encontrou é processar as casas de leilão que vendem vinhos falsos.

Vítima da fúria de Koch, a Zachys, tradicional casa de leilão norte-americana, sofria um processo que se arrastava desde 2007. O motivo: dezenove garrafas de vinho compradas entre 2004 e 2005 por US$ 370 mil, que Koch alegou serem falsas. Nesta semana, Koch e o presidente da Zachys, Jeff Zacharia, chegaram a um acordo. Os termos financeiros do acerto não foram revelados, mas a Zachys aceitou mudar a forma com que os vinhos são descritos nos catálogos da empresa. Em diversas ocasiões, Koch mostrou repúdio à forma com que os vinhos eram anunciados nos avisos de leilões. “Se compramos um vinho que uma casa de leilões vendeu dizendo que era do tempo de Jesus, temos que inspecioná-lo. E se dizemos a eles que se trata de uma falsificação, eles mandam a gente olhar para as letras miúdas atrás do catálogo e dizem que não podemos mesmo confiar em tudo o que vemos, que as coisas são vendidas como elas são. Acho isso extremamente ofensivo, um absurdo”, declarou Koch.

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Parente é serpente

De um lado, um patriarca de idade avançada e sua nova parceira. Do outro, filhos que trabalham na empresa familiar, à sombra da figura paterna, e esperando o momento de dividirem a herança. Eclodem brigas, intrigas e quedas de braço. Até que o pai expulsa os filhos do conselho da companhia. Roteiro de algum filme ou novelão? Até poderia ser. Mas é realidade e está acontecendo em uma das mais tradicionais vinícolas espanholas: a Bodegas Faustino.

Julio Faustino Martínez, com o devido apoio de Mari Cruz Lizarazu, a nova namorada, iniciou uma sangrenta batalha contra os próprios filhos, Lourdes e Carmen Martínez Zabala, que culminou com a expulsão das filhas do conselho da empresa. E mais demissões ainda podem vir. Especula-se que os dois outros filhos de Julio, José Miguel (CEO da Faustino) e Pilar, que ainda ocupam cargos na empresa, podem ser os próximos a terem as cabeças cortadas pelo patriarca.

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Ares irrespiráveis

Yannick Chenet, 43 anos, viticultor francês, morreu no último dia 15 de janeiro, vítima de leucemia. Durante décadas, cultivou vinhas em Poitou-Charentes, no sudoeste da França. Em abril de 2004, o viticultor inadvertidamente respirou vapores nocivos de sua máquina de pulverização agrícola sem uma máscara. Internado, entrou em coma. Desde então, a doença afetou os rins e o sistema nervoso do viticultor, que entrou em coma em várias ocasiões. Chenet foi o primeiro agricultor a ter a morte oficialmente ligada ao uso de pesticidas nas plantações francesas. Cerca de outros 40 agricultores sofrem de males ligados ao uso de produtos químicos.

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Dou-lhe uma...

Todas as mais otimistas previsões foram superadas no leilão realizado em Hong Kong, na China, neste final de semana, quando o compositor Andrew Lloyd Webber leiloou parte de sua coleção de vinhos raros.

Foi arrecadado um total de US$ 5,6 milhões, cerca de R$ 9,5 milhões com a venda de 746 lotes do acervo particular do autor de Cats, Evita e O Fantasma da Ópera, entre outras obras.

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O pior pesadelo

Pode haver coisa pior para um sommelier do que perder o paladar? Pois este pesadelo aconteceu com o uruguaio Charlie Arturaola. E a história é tão inusitada que virou até filme. El Camino del Vino narra a história real do sommelier uruguaio Charlie Arturaola, um dos mais importantes a atuar nos Estados Unidos, e que, no auge da carreira, perdeu o palato enquanto apresentava o prêmio Mendoza's Masters of Food & Wine Awards.

O filme, contado em forma de documentário, será apresentado no Festival de Berlim e conta com a participação de Michel Rolland, Susana Balbo, Jean Bousquet e outros nomes estrelados do mundo vitivinícola.

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Scotch em alta

Em visita à destilaria da Chivas Regal em Keith, Nick Clegg, vice primeiro-ministro inglês, elogiou a indústria de uísque da Escócia, que celebrou um aumento nas exportações de 12% nos dez primeiros meses do ano passado.

“As empresas de uísque escocês estão dando grandes passos para explorar novos mercados e novas oportunidades. O governo do Reino Unido seguirá fazendo o possível para ajudá-los. Nós assinamos um acordo com a China no ano passado para garantir que haja uma maior proteção jurídica para o uísque naquele país. Agora, o acesso justo de mercado e da liberalização tarifária em relação à Índia é uma das principais prioridades em 2011”, declarou Clegg.

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Perdido no porão

Andreas Neymeyer, um viticultor alemão, encontrou 500 garrafas de vinho do tempo da Segunda Guerra Mundial. O lote foi encontrado pouco antes do Natal, na propriedade da família, no sul da Alemanha.

Em declarações à Agência Reuters, Neymeyer explicou que as garrafas foram encontradas num porão, durante a limpeza de um edifício queimado situado na propriedade.

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Ele é o tal


A vinícola uruguaia Narbona contratou o consultor francês Michel Rolland para preparar o primeiro vinho de alta gama da casa.

As vinhas para o projeto ficam em Carmelo e são das variedades pinot noir e tannat, além das recém-plantadas syrah e petit verdot.

Os técnicos da empresa do francês, a EnoRolland fará visitas periódicas aos vinhedos da Narbona e trabalharão em conjunto com a enóloga residente da vinícola uruguaia, Valeria Chiola.

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Quando os chefs se encontram

Nesta sexta-feira, dia 21, o Damien Montecer, do Térèze, recebe o Emmanuel Bassoleil, do Unique, de São Paulo, para um jantar a quatro mãos. Os dois chefs prometem aliar a sofisticação do foie gras e do azeite de trufas com a simplicidade da batata baroa e do queijo coalho.

O jantar será harmonizado pela representante comercial da WineBrands, Patrícia Kozmann, que usará vinhos da importadora para acompanhar os pratos.

O preço por pessoa é de R$ 320 e as reservas podem ser feitas pelo telefone 3380-0220.

Abaixo, o menu completo

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O novo alcaide

Yiannis Boutaris, veterano viticultor grego, tomou posse como prefeito da cidade grega de Salónica, a segunda maior do país. Aos 69 anos, Boutaris é o primeiro prefeito apoiado pelos socialistas a chegar ao poder em 24 anos.

Em 1997, o viticultor fundou a Kir-Yanni, após sair da Boutari por conta de uma briga com o próprio irmão. Em 2003, Boutaris foi homenageado pela revista Times, por conta de suas contribuições à sociedade grega.

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Eologicamente correto

A Associação de Viticultores Orgânicos da Nova Zelândia (OWNZ) iniciou uma campanha com o objetivo de que, até 2020, pelo menos 20% dos vinhedos do país sejam orgânicos.

A OWNZ reúne 140 produtores adeptos da agricultura orgânica na Nova Zelândia. No ano passado, a associação entrou em contato com a New Zealand Wine Growers (NZW), entidade que defende os interesses dos viticultores do país, para que juntassem forças no incentivo à cultura orgânica.

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Vinho antigo

Uma vinícola com mais de seis mil anos – a mais antiga já encontrada – foi descoberta em um complexo de cavernas nas montanhas da Armênia, por um time internacional de arqueólogos. No lugar, foram encontrados um tonel que serviria para prensar as uvas, jarras usadas na fermentação do mosto e até um cálice primitivo.

Segundo Gregory Areshian, da Universidade da Califórnia, Los Angeles e co-diretor da escavação, embora outras evidências de consumo e fabrico de vinho mais antigos já tenham sido encontrados, este é o mais remoto esboço de uma linha de produção completa já descoberto.

A descoberta foi anunciada hoje pela National Geographic Society e publicada na versão online do Journal of Archaeological Science.

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A viagem da madeira

Das florestas da Espanha até a destilaria da Macallan. Esta foi a viagem feita pelo fotógrafo Albert Watson, que fotografou toda o trajeto da madeira usada para edição limitada do Macallan Sherry Oak 20 Years Old.


Durante doze dias, o fotógrafo viajou cerca de 1,1 mil quilômetros, captando imagens para serem usadas como rótulos do uísque. Na edição limitada, cada garrafa virá com uma fotografia de Watson no rótulo, e mais um conjunto de outras dez gravuras da viagem. O preço: 700 libras, o equivalente a R$ 1.835.


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A Penfolds é (RED)


A vinícola australiana Penfolds anunciou a adesão à uma campanha global que visa erradicar a AIDS. A (RED) é um fundo mundial, cuja intenção é trazer o setor privado ao combate da doença, especialmente no continente africano.

Segundo a Penfolds, 15% da venda total das marcas Koonunga Hill e Thomas Hyland, duas das mais populares da vinícola, irão para a (RED).


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

11 motivos para brindar 2011

por Alexandre Lalas


É lugar mais do que comum dizer que espumante rima com réveillon, que o brinde de final de ano merece um champanhe e coisas do gênero. Mas é inevitável. Quando o relógio se aproxima da meia-noite, meio mundo começa a desamarrar o arame e, depois dos fogos de artifício, o barulho que mais se ouve é o espocar das rolhas das garrafas de espumante.

Portanto, segue abaixo mais uma listinha. Desta vez, com onze espumantes, de diferentes origens e preços, para comemorar a passagem de ano. Só não vale sacudir a garrafa e desperdiçar o precioso líquido gasoso que vem dentro da garrafa.

Saúde e feliz 2011 a todos.

Fabian Brut Champenoise NV
Serra Gaúcha, Brasil
Espumante feito pela Fabian, vinícola familiar do Rio Grande do Sul, de excelente relação custo-benefício. No nariz, maçã, frutas secas e um tostado leve. Na boca, é elegante, delicado e fresco.
Nota: 8,5
Preço médio: R$ 40
Onde: Vini Rio

Maximo Boschi Brut Speciale 2006
Vale dos Vinhedos, Brasil
Meu amigo Homero Sodré, quando provou este corte de chardonnay e pinot noir, falou na hora: “este espumante é para iniciados”. Acertou na mosca. Mais do que o descompromissado e delicioso frescor dos espumantes, este aqui aposta em outro caminho: o da estrutura. No mercado nacional, só o 130 da Casa Valduga tem o mesmo estilo. Perlage delicadíssima; nariz rico, com notas de frutas secas, especialmente damasco e abacaxi, e um toque de tostado; na boca, é encorpado, com volume, mas sem perder o frescor que se espera de todos os espumantes. Final longo e com um toque de pão.
Nota: 9
Preço médio: R$ 79
Onde: Confraria Carioca

Vallontano LH Zanini Extra Brut 2008
Vale dos Vinhedos, Brasil
Primeiro espumante produzido através do método tradicional por esta simpática vinícola de artesãos do Rio Grande do Sul. Corte de chardonnay e pinot noir, agrada em cheio. Embora o perlage ainda esteja um tiquinho agressivo, isso não influi em nada a satisfação que o vinho causa. No nariz, frutas cítricas, damasco e uma leve nota de pão. Na boca, frescor é a chave. É leve, delicado e muito gostoso. Daqueles em que a garrafa vai embora sem que ninguém dê conta.
Nota: 8,5
Preço médio: R$ 79,50
Onde: Mistral

Vértice Rose NV
Douro, Portugal
A touriga franca é a base deste espumante rosado bastante interessante feito em Portugal. No nariz, framboesa, morango e cereja. Na boca, é bem cremoso, fresco e fino, com um toque de framboesa no final.
Nota: 8,5
Preço médio: R$ 87
Onde: Adega Alentejana

Jansz Premium Cuvée NV
Tasmânia, Austrália
Nem só de diabos, lagartos estranhos, dragões e demônios esvoaçantes vive a Tasmânia. A região é pródiga em bons vinhos, especialmente, espumantes. Como este aqui, corte de chardonnay e pinot noir, com 2% de pinot meunier. No nariz, morangos, maçã, pêra, nozes e um toque floral. Na boca, é cremoso, fresco e levemente cítrico.
Nota: 8,5
Preço médio: R$ 100
Onde: KMM

Cave Geisse Terroir 2006
Pinto Bandeira, Brasil
Este é um espumante bem tradicional, sempre muito bem feito, feito por um dos grandes craques do ofício, o sempre simpático Mario Geisse. Corte de chardonnay e pinot noir, elegante e fino, com notas de maçã, frutas secas, amêndoas e um leve toque de mel. Na boca, mantém o padrão de fineza, com boa estrutura, equilíbrio preciso e um bom final. Dos melhores do país.
Nota: 9
Preço médio: R$ 105
Onde: Vinícola Geisse

Gramona Imperial Brut Gran Reserva 2005
Penedès, Espanha
Um cava de respeito, de excelente qualidade, desta vinícola-referência da região. Corte de xarel.lo, macabeo e chardonnay; com nariz rico em aromas, com notas de maçã verde, especiarias, frutas secas, brioche e um toque de tostado. Na boca, é cremosa, frutada, com uma acidez perfeita e um final elegante.
Nota: 9
Preço médio: R$ 115
Onde: Casa Flora

Henriot Brut Souverain NV
Champanhe, França
Um dos melhores champanhes de base disponíveis no mercado brasileiro. Nariz delicado e intenso, com notas de mel, frutas secas e brioche. Na boca, é fino, macio e cremoso, com final longo e agradável.
Nota: 9
Preço: R$ 175,07
Onde: Vinci

Ferrari Perlé Brut 2004
Trento, Itália
Este espumante italiano não tem nada a ver com as vermelhas baratinhas de Maranello. Em comum, apenas o nome. O que não impede que este Ferrari aqui tenha lá o seu valor. Na verdade, um baita valor. Às cegas, é difícil não jurar que trata-se de um legítimo champanhe, blanc des blancs, de produtor de respeito. Na verdade, dá de dez em várias champas campeãs de venda por aqui. Delicado e elegante, com notas de avelãs, brioche e damasco seco no nariz. Na boca, fica ainda melhor. É cremoso, fino, fresco, com bom volume e final longo. Uma beleza.
Nota: 9
Preço médio: R$ 199,90
Onde: Decanter

Lanson Rosé Label Brut NV
Champanhe, França
Champanhe de cor salmão bem claro, com aromas de rosas, cereja e um toque de compota. Na boca, é fresco, fino e macio, com um final longo e frutado.
Nota: 9
Preço médio: R$ 200
Onde: Barrinhas

Cuvée William Deutz Millésime Brut 1998
Champanhe, França
Este cuvée não deve nada a nenhum grande champanhe de produtores mais estrelados. Nariz fino, com notas de maçã cozida, damasco seco, brioche, noz moscada. Na boca, é macio, fino, cremoso, delicado, o supra-sumo da elegância. Este champanhe é uma experiência única. Para datas especiais. Saúde.
Nota: 10
Preço médio: R$ 622
Onde: Casa Flora

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Bodas de prata da gastronomia carioca

por Luciana Plaas

Em 1987, a Estação Primeira de Mangueira foi a grande campeã do carnaval do Rio de Janeiro, homenageando Carlos Drummond de Andrade. O Flamengo do técnico Carlinhos, comandado em campo por Zico, Leandro e Renato Gaúcho, faturou o tetracampeonato brasileiro. Moreira Franco, vencedor das eleições no ano anterior, sucedia Leonel Brizola no governo do Estado do Rio. Mais do que os traficantes, eram os bicheiros que detinham o poder paralelo na cidade, chegando até a serem recebidos pelo governador em pleno Palácio Guanabara.

José Sarney era o presidente do Brasil e o Plano Cruzado começava a fazer água. Ulisses Guimarães comandava o congresso que preparava a nova constituição brasileira. A ditadura ainda era uma ferida aberta, mas os bichos papões eram a divida externa e a inflação. Mesmo com tudo isso, as pessoas no Brasil se divertiam com as peripécias de Rafaela Alvaray (Marília Pêra) e Montenegro (Marco Nanini), na novela Brega & Chique, de Cassiano Gabus Mendes. Na parada de sucessos, Que País é Este?, do Legião Urbana; Codinome Beija-Flor, de Cazuza, Bon Jovi, U2. Era o tempo da Glasnost e da Perestroika na União Soviética. E a Alemanha ainda estava dividida por um muro.

Pois foi em 1987, que Danusia Barbara lançou o seu primeiro Guia de restaurantes do Rio de Janeiro. Então, apenas três casas receberam as máximas quatro estrelas: Laurent, Le Saint-Honoré e o Valentino's. Nenhum deles existe mais. Mas lugares como Antiquarius, o Claude Troisgros e o Clube Gourmet, ainda em Botafogo, já existiam. E levaram três estrelas na classificação da época. Com duas estrelas, o Bife de Ouro estava lá junto com Caesar Park, (pela feijoada) o Le Pré Catelan e o The Lord Jim Pub, pelo chá. Na época eram bem comuns restaurantes com boa comida, música ao vivo, show e dança. Hoje é difícil encontrar um.

Botafogo tinha mais restaurantes do que o Leblon. A Rua Dias Ferreira, apesar de já abrigar várias casas, ainda não era considerada a jóia da coroa da gastronomia da Zona Sul. Mas o Sushi Leblon já estava ali, só que com outro nome: Tatsumi Sushi-Bar. O Final do Leblon ainda vivia seus áureos tempos. Outros que deixaram saudades são Chalé, Hippopotamus, Manolo's, Le Saint-Honoré, Luna Bar, Jazzmania, Mistura Fina e o dinamarquês Helsingor, entre tantos. A Academia da Cachaça e o Antiquarius eram considerados os lugares da moda. Prova cabal de que certos modismos não passam. Cheques eram muito mais aceitos do que cartões de crédito. O dinheiro de plástico ainda era uma raridade. Eram nove restaurantes chineses contra 16 japoneses. No guia atual, são dois chineses contra 42 japoneses.

Na próxima segunda-feira, dia 6 de dezembro, Danusia Barbara estará lançando a edição 2011 de seu Guia de Restaurantes do Rio. É o 25º ano consecutivo em que a jornalista lança o livro. Vai ser na Livraria da Travessa, do shopping Leblon, a partir das 19hs. Quem quiser saber mais sobre como anda a gastronomia no Rio de Janeiro está convidado a aparecer.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Os novos confrades


A Confraria dos Enófilos do Alentejo entronizou quatro novos confrades, três jornalistas brasileiros e um angolano, que irão reforçar o trabalho desta associação na missão de divulgar e promover o vinho da região. A entronização dos jornalistas brasileiros Suzana Barelli, directora da revista Menu; Alexandre Lalas, director do site Wine Report e da filial do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho; Christian Burgos, editor da revista ADEGA e conselheiro da ABRAVINHO – Associação Brasileira da Imprensa do Vinho; e do angolano Alcides Diamba surge como reconhecimento do trabalho realizado por estes profissionais em prol sector do vinho, especialmente para os Vinhos do Alentejo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Em plena forma


Dois séculos. Este foi o tempo que duas garrafas de champanhe uma da Juglar, marca que sequer existe mais, e outra da Veuve Clicquot, esperaram para enfim serem abertas e degustadas. As garrafas faziam parte do lote de 168 garrafas encontradas por um grupo de mergulhadores no Mar Báltico, em um barco naufragado na costa da Finlândia, perto do arquipélago Aaland, onde foi feita a degustação.

Quem provou, gostou. A Master of Wine finlandesa, Essi Avellan disse que ambas as garrafas estavam ‘incrivelmente vivas e frescas’.

“Como esperado, ambas estavam um pouco mais doces que o normal, mas com uma cor dourado surpreendentemente brilhante e com aromas de mel e tostado”, disse Essi. “A Juglar estava mais harmoniosa e completa, enquanto a Veuve apresentava um aroma mais picante e defumado, mas com uma impressionante acidez”, completou a finlandesa.

Especula-se que as garrafas faziam parte de um carregamento de champanhe enviado pelo rei Luis XVI à corte imperial da Rússia.

Já o governo de Aaland espera usar a descoberta para promover o arquipélago.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O desastre perfeito

por Alexandre Lalas


Quando a pessoa abre uma garrafa de um vinho em um restaurante chique e propõe um brinde, muitas vezes sequer imagina o caminho que a bebida fez para chegar até ali. Por mais cultura, história e charme que carregue na aura, o vinho é, no final das contas, um produto agrícola. E, como tal, está sujeito às intempéries e aos caprichos da Mãe Natureza.

Pois neste ano, em Sonoma County, nos Estados Unidos, vinhateiros e enólogos foram lembrados de quão pesada pode ser a mão da natureza. Não foi apenas um ano complicado, difícil. Foi um ano perdido. Para muitos, a pior safra da história recente da região.

Com a colheita quase no fim, sobrou pouco para contar a história. Elias Torres, da Halling Vineyard, no negócio desde 1974, não se lembra de um ano tão ruim quanto este 2010. Em um ano normal, a pequena propriedade de três acres que possui, é capaz de produzir 10 toneladas de zinfandel de alta qualidade, o que rende a Elias cerca de US$ 25 mil. Este ano, a coisa foi diferente.

“O sol fritou todas as uvas. Não sobrou uma para contar a história. Nunca vi uma safra tão desastrosa”, lamentou.

Elias não é o único a lamentar. A hora é de fazer contas. Muitos produtores ainda estão avaliando os prejuízos financeiros e os danos às vinhas. O ano começou complicado quando uma praga assolou a área no final da primavera e piorou de vez com a onda de calor que fez em agosto e arruinou campos inteiros.


E como desgraça pouca é bobagem, um temporal no último final de semana deu cores definitivas a um quadro quase catastrófico. A chuva gerou mofo em algumas vinhas, reduzindo ainda mais uma produção já reduzida a quase nada. Catadores eram obrigados a percorrem os vinhedos lentamente, examinando cacho por cacho para determinar quais uvas eram ainda saudáveis o suficiente para serem esmagadas.

“Tivemos que fazer uma baita seleção de uvas. Deixamos muita coisa no campo”, informou Steve Thomas, diretor de operações da Kunde Estate.

Chris Maloney, que dirige uma empresa que faz seguros da colheitas estima que os clientes tiveram perdas que podem ultrapassar os US$ 10 milhões. “Pode ser um recorde. Este foi um ano horroroso”, fez coro.

O total exato de quanto os produtores irão pedir às seguradoras virá a público somente em alguns meses. Pelo menos 64% dos vinhateiros da região estão cobertos por algum tipo de seguro. Dependendo da apólice, os produtores conseguirão reembolso de até 75% do que perderam na temporada.

Mas para alguns analistas, o clima não foi o único vilão da má safra. A recessão norte-americana também teria contribuído para o misere dos produtores. Os preços estavam tão baixos que muitos deles teriam preferido deixar as uvas apodrecerem nas vinhas a colher e vender pelo que os compradores estavam pagando. Estas uvas abandonadas enquanto ainda estavam saudáveis, em um ano normal, poderiam render um bom dinheiro aos produtores.

No entanto, há quem consiga manter um pouco de otimismo mesmo com toda a situação em volta. Diane Wilson, enóloga da Wilson Winery, já está com a colheita praticamente terminada. Faltam colher apenas 2% dos bagos. Segundo ela, apesar da pequena produção, o que sobrou foram uvas de excelente qualidade.

A temporada começou com as nuvens negras da recessão econômica no horizonte. Em abril, uma geada danificou diversas vinhas. Em seguida, um início de verão nebuloso e frio atrasou a maturação das uvas e reduziu o nível de açúcar nos bagos. Regiões mais frias, como Bennett Valley, Russian River e Carneros foram especialmente afetadas pela nebulosidade, que permitiu o aparecimento de fungos e insetos que se tornaram uma praga por todo o condado.

Quando o calor finalmente chegou, veio avassalador e literalmente cozinhou vinhedos inteiros.

“Foi um desastre perfeito”, resumiu Michael Collins, dono e enólogo da Limerick Lane, e cuja produção foi inteiramente perdida, incluindo a parcela centenária de zinfandel. "É a primeira vez que não colherei nada", disse ele. "Nunca vi nada como este ano. Não posso nem acreditar", falou.

Collins disse que até poderia ter sido capaz de colher 20% da produção, mas decidiu que a qualidade das uvas não era boa o suficiente.

"Eu tenho que fazer um vinho de qualidade muito alta, ou não fazer”, disse ele, que decidiu simplesmente deixar tudo apodrecer.

"Na agricultura, de vez em quando, você recebe um taco de beisebol na cara", disse ele. "Este ano, foi assim".