Mostrando postagens com marcador chile. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador chile. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de setembro de 2010

O vinho da pedra amarela

por Alexandre Lalas

Gonzalo Muñoz e Sven Bruchfeld eram colegas de universidade no Chile. Desde a época, já sonhavam em montar alguma coisa juntos no futuro. Mas um foi estudar na Espanha, o outro saiu por aí trabalhando em vinícolas mundo afora e o projeto esfriou. Até que calhou de Sven e Gonzalo se encontrarem para passarem uns dias Narbonne, na França. Foram juntos a uma degustação de syrah em uma vinícola local e saíram de lá com a certeza de que a hora para tocar os projetos em conjunto havia chegado. E que a uva escolhida para dar continuidade ao sonho de ambos era a syrah.

De volta ao Chile, saíram em busca de um lugar para plantar as vinhas. Quando uma corretora de imóveis ligou avisando que havia um terreno em uma colina aos pés da Cordilheira da Costa, em Marchigüe, no vale do Colchágua, Sven, que já passara pelo lugar em uma visita anterior ao povoado, sabia que o lugar havia sido encontrado. E, de fato, ali os dois amigos, que àquela altura já contavam com os precisos préstimos de um sócio capitalista, fincaram as raízes da Agrícola La Viña. O ano era 2002.

Dois anos depois foi lançada a primeira safra. O vinho foi batizado como Polkura, que significa pedra amarela, no idioma mapuche, e é o nome da colina que fica na área do vinhedo. Ambos sabiam bem o que estavam fazendo e não foi surpresa para eles a boa receptividade que o vinho teve.

De lá para cá, a La Viña só fez crescer, e sem sacrificar a qualidade dos vinhos. Novas uvas foram plantadas, possibilidades exploradas e novos rótulos, sempre muito bem feitos, lançados. Independente e artesanal, a vinícola é membro atuante do MOVI, o movimento dos vinhateiros independentes do Chile.

Na semana passada, Sven Bruchfeld esteve no Rio para uma degustação seguida de almoço, no restaurante Mr. Lam. Ali, o enólogo apresentou uma degustação vertical do Polkura, além de mostrar dois novos lançamentos da La Viña. Foram provadas as safras 2004, 2006, 207 e 2008 do Polkura, além do Polkura Block G + I 2007 e o Aylin Sauvignon Blanc 2009, feito no vale de San Antonio, em Leyda.


Consistência na qualidade é a marca dos vinhos. Todos os tintos se equivalem, com ligeiro destaque para o Polkura 2006, que está no momento perfeito para ser degustado.
Abaixo, as notas de prova dos vinhos. Todos os rótulos da Agrícola La Viña são distribuídos no Brasil pela Premium (31 3282-1588).


Aylin Sauvignon Blanc 2009
Vale de Leyda, Chile
Aylin significa “claridade” e “transparência”. Daí a razão do nome deste sauvignon blanc feito em San Antonio, no vale de Leyda. Nariz intenso, com notas de frutas cítricas e tropicais, como abacaxi, papaia e um toque de manga, e ainda notas minerais. Na boca, médio corpo, muito frescor, bom volume e um final de média persistência e relativamente doce.
Nota: 8.5
Preço: R$ 42

Polkura Syrah 2004
Vale do Colchágua, Chile
Primeiro vinho produzido pela dupla Sven/Gonzalo, um syrah de primeira linha, com estágio de 12 meses em barricas de diversas tonelerias, origens e idades diferentes. Rico e intenso no nariz, ainda com muita fruta, como amora, mirtilo, figo, tomilho, com notas de baunilha e evolução para chocolate. Na boca, tem bom corpo, maciez, equilíbrio, volume e um final longo.
Nota: 9
Preço: N/D

Polkura Syrah 2006
Vale do Colchágua, Chile
Neste vinho, pela primeira vez na história da Polkura, a syrah não reina soberana. Aos 92% de syrah, se juntaram 4% de malbec, 2% de viognier e 2% de outras três castas: tempranillo, mourvèdre e grenache noir. O resultado foi um vinho igualmente impactante, porém, um pouco mais elegante do que o antecessor. No nariz, a mesma fruta negra madura, especialmente amora, junto a notas marcantes de pimenta negra e anis. Na boca, ótima estrutura, com muito corpo, taninos finos, bastante volume, equilibrado e com um final longo e cheio de fruta.
Nota: 9
Preço: N/D

Polkura Syrah 2007
Vale do Colchágua, Chile
Foi um ano mais frio do que costume em Marchigüe, o de 2007. E o resultado é um vinho ligeiramente diferente do estilo normal do Polkura. Menos intenso no nariz, com notas mais florais, embora ainda se encontre a fruta negra, as ervas e a pimenta. Na boca, é menos vigoroso, mas bastante fino, com ótima estrutura e um grande frescor. Final longo e que deixa uma sensação de frescor na boca. Um vinho para envelhecer mais um tempo em garrafa.
Nota: 9
Preço: R$ 75

Polkura Syrah 2008
Vale do Colchágua, Chile
Depois da fria safra de 2007, este Polkura retoma o estilo das safra 2006: nariz intenso, com muita fruta negra, em especial amora, ervas e pimenta negra. Na boca, ainda não está tão pronto quanto o 2006, os taninos ainda estão mais duros. Mas o corpo, o volume, a estrutura e o final longo estão lá. Deve chegar ao Brasil no final do ano.
Nota: 9
Preço: N/D

Polkura Syrah Block G+I 2007
Vale do Colchágua, Chile
Dos vinhedos da Polkura em Marchigüe, as parcelas G e I são as únicas voltadas para o sul. Por conta disso, recebem uma incidência solar menor, o que resulta em uvas com menos acúmulo de calor, que geram vinhos mais elegantes. Em 2007, Sven e Gonzalo resolveram fazer um vinho feito com uvas apenas destes dois vinhedos. Nasceu então o Block G+I, um syrah com uvas destas duas parcelas, cortadas com 2% de viognier. Fino no nariz, com notas de ervas, amoras frescas, pimenta branca e um toque de anis. Na boca, muita estrutura, volume, frescor, equilíbrio e um final longo e com um toque apimentado.
Nota: 9
Preço: R$ 141

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ceviche chileno

por Luciana Plaas

Para manter o ritual que tem dado certo nesta Copa, uma receita de um prato bem típico chileno, nossos adversários no jogo de logo mais, o ceviche. Esta receita serve quatro pessoas

Ingredientes:

450g de filé de peixe (tamboril, salmão ou atum) cortado em tirinhas
Suco de limão de 2 limões
1 colher de azeite extra virgem
1 pitada de pimenta vermelha
1 pimenta fresca ardida cortada bem pequena e sem semente
1 colher de sopa de cebolinha picada
1 abacate partido e cubos
1 tomate partido em cubos sem semente
Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo

1 Coloque o peixe cortado, a cebola, ao suco de limão, o azeite, a pimenta vermelha e a ardida e metade da cebolinha cortados em uma vasilha. Mexa ocasionalmente. Se o peixe estiver cortado em tirinhas bem finas levara 3 minutos. Estará pronto quando o peixe ficar com uma tonalidade opaca.
2 Tempere com pimenta e sal. Arrume o ceviche com o abacate e tomate.
3 Sirva salpicado com o restante da cebolinha.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tempo de recomeçar

por Alexandre Lalas


Santiago do Chile, 27 de fevereiro, 3h30 da madrugada. Quando a natureza, mais uma vez, mostrou o quanto pode ser devastadora, Derek Mossman Knapp, enólogo e dono da Garage Wine e Co., dormia em casa com a mulher e os filhos. Então, de repente, as janelas tremeram, a terra gemeu e a cidade acordou apavorada. Derek e a mulher pegaram os filhos e, mesmo mal conseguindo ficar de pé, arrastaram-se para fora da casa que parecia que ia ruir. Durante dois minutos, protegeram-se no batente da porta. Quando tudo parou, foi-se embora a eletricidade.

No dia seguinte, foi hora de arrumar a bagunça. Na William Fèvre, vinícola em que faz os seus vinhos no Alto Maipo, o panorama que Derek encontrou era terrível. Tanques avariados, barricas rompidas, falta de ventilação e eletricidade, garrafas quebradas e o piso com uma cor púrpura sangrenta e que tornava o cenário ainda mais assustador.

O Chile é um dos principais países produtores de vinho do mundo. O Brasil é um mercado importante para os chilenos. Ainda mais depois da crise financeira que provocou a queda das vendas para mercados como o inglês e o americano. O vinho mais bebido em nosso país é o chileno. E, embora não possamos dimensionar a tragédia em número de garrafas quebradas, tanques avariados ou litros perdidos, o fato é que a indústria chilena sofreu um forte abalo por conta do terremoto. As primeiras estimativas são de que 12,5% da produção foram afetadas. Grandes vinícolas como Concha y Toro, Santa Rita e Montes sofreram grandes prejuízos. Mas foram os pequenos produtores, que fazem vinhos artesanais, em quantidades mínimas, os que mais sofreram com o desastre.

As duas zonas mais afetadas pelo tremor foram Bío-Bío e Maule. Nestas regiões, o vinho é um importante ator na economia e um dos principais responsáveis pelo crescimento econômico registrado nos últimos anos. Ali, a situação foi ainda pior. Os primeiros relatos, ainda um tanto desencontrados, falam em vítimas entre os trabalhadores da Reserva de Caliboro, vinícola que produz o Erasmo. A Gillmore, outra importante bodega do Maule também teria sofrido sérios danos, inclusive com rachaduras em edificações.

Sven Bruchfeld, da Polkura, disse para a Wine Spectator que perdeu 50% da produção do shiraz que produz. Falou ainda que a maioria dos tanques de aço inox desabou. Por conta disso, ele declarou não ter a menor ideia de como fazer com as uvas da colheita de 2010. “Milhões de litros estão no chão, foi terrível, um enorme dano para a indústria”, afirmou Sven.

Mas apesar do caos e do desespero, o Chile irá reagir. “Iremos reconstruir tudo o que Mãe Natureza quebrou no sábado. Vamos reconstruir telhado por telhado, cidade por cidade, indústria por industria, barril por barril”, garante Derek. E de certa forma, todos podem ajudar. Mesmo que seja comprando uma garrafa de vinho chileno.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Independente Futebol Clube

por Alexandre Lalas

No Chile, em uma tarde quente de junho do ano passado, doze pequenos vinhateiros, apaixonados pelo bom vinho, resolveram dar um basta, um grito de independência. Em uma indústria cada vez mais impessoal, dominada pela tecnologia e refém das leis de mercado, onde grandes conglomerados dividiam o espaço com endinheirados investidores, verdadeiros mecenas do vinho, este pequeno grupo de idealistas decidiu que era hora de fazer barulho. Uniram as forças, arregaçaram as mangas e assim nasceu o MOVI (Movimento de Vinhateiros Independentes).


O MOVI é, de longe, a melhor notícia que aconteceu no panorama vinícola chileno nos últimos tempos. Mal nasceu, já cresceu, encorpou. À dúzia que criou o movimento, se juntaram outras quatro vinícolas. Em comum a elas, o compromisso com a independência e a busca por vinhos que reflitam o caráter e a identidade da terra e do local de onde vêm.

E ainda há outros compromissos que os sócios do MOVI precisam cumprir. Não pertencer ou manter laços com investidores ou poderosos grupos econômicos é uma condição primordial para a vinícola interessada em ingressar no movimento. Ter produção pequena e necessariamente voltada para a qualidade é outro ponto importante. E quanto mais pessoal e humano for o vinho, melhor.

Fazem parte do MOVI as seguintes vinícolas: Bravado Wines, Clos Andino, Flaherty, Garage Wine Co., Gillmore, Hereu, I Latina, Meli, Polkura, Reserva de Caliboro, Rukumilla, Sigla, Starry Night, Tipaume, Trabun e Von Siebenthal.

O casal Constanza Schwaderer e Felipe García, pais do tinto Facundo e do branco Marina, eleito pelo Guia de Vinhos do Chile como o melhor sauvignon blanc do país no ano passado, pilotam a Bravado Wines.

Outra estrela da companhia é a Von Sibenthal. Dona de um portfólio invejável, é considerada por muita gente (eu, inclusive) a melhor vinícola chilena da atualidade.

A Reserva de Caliboro, do conde italiano Francesco Marone Cinzano, produz apenas um vinho, o Erasmo, tinto de corte, feito no Vale do Maule e um dos mais elegantes vinhos do país.

A Polkura produz poucas garrafas de um syrah de qualidade feito em Marchigüe, no vale do Colchágua.

Ed Flaherty é enólogo da Viña Tarapacá e um dos principais responsáveis pelo salto de qualidade que a vinícola deu nos últimos anos. Em paralelo, toca um projeto pessoal, junto com a esposa, Jen Hoover: a Flaherty Wines. O vinho, um corte de syrah e cabernet-sauvignon, é um espetáculo.

Sigla é um projeto dos enólogos Cecilia Guzmán (Haras de Pirque), Germán Lyon (Perez Cruz), José Pablo Martin (Tamaya) e o francês Pierre Viala. O vinho é um belo cabernet/syrah do Alto Maipo

A Rukumilla é uma vinícola orgânica do vale do Maipo, pertencente a Andres Costa. Apenas um vinho é produzido, outro corte de cabernet/syrah, de excelente qualidade.

Francês de Cognac, Jose Luis Martin-Bouquillard passou cerca de 15 anos na gigante Pernod-Ricard e quatro na LVMH, mais precisamente na Veuve-Cliquot. No Chile, dirige com outros cinco amigos a Clos Andino, vinha de Curicó, especializada em cabernet-sauvignon.

A Garage Wine Co. e um projeto franco-canadense, cujas uvas provém do Alto Maipo, de Casablanca ou do Aconcágua, dependendo do que os enólogos pretendem. Os vinhos são bons e difíceis de encontrar, mesmo no Chile.

A Gillmore é uma vinícola do vale do Maule, colecionadora de prêmios. O Hacedor de Mundos, corte de cabernet franc, cabernet-sauvignon e merlot, é assombroso.

Hereu é um corte de syrah, malbec e carignan, de três diferentes vales chilenos. O dono da vinícola é o francês Arnaud Hereu, que também é enólogo da Odjfell.

Irene Paiva, enóloga da San Pedro, é uma das sócias do I Latina, que faz um bom syrah no vale do Cachapoal.

Os vinhos da Meli, Starry Night, Tipaume e Trabun eu ainda não tive a chance de provar. Mas, em se tratando de sócios do MOVI, singulares eles com certeza devem ser.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Os melhores do ano que passou

por Alexandre Lalas

Toda vez é a mesma coisa. Basta o final do ano chegar e surgem as listas com os melhores isso, os piores aquilo. As pessoas adoram. E, para não ficar de fora da festa, resolvi, pela primeira vez, premiar os destaques do ano. Mas, até para valorizar as escolhas, apenas três prêmios serão distribuídos: vinho do ano, barato do ano e vinícola do ano.

O vinho do ano é simplesmente o melhor vinho que bebi em 2009 e que esteja disponível no Brasil. Ficaram de fora, portanto, grandes vinhos de safras antigas que tive a sorte de provar ao longo da temporada; bem como amostras que ainda não foram lançadas e produtos estrangeiros que não têm importador por aqui.

O barato bom é aquele que melhor aliou preço à qualidade. Para ser mais justo, usei um método bem simples: dividi o preço de mercado do vinho pela nota obtida. Aquele que conseguisse o menor número final seria o eleito.

E para escolher a melhor vinícola do ano, foi levado em consideração a consistência e a qualidade do portfólio disponível no Brasil, e as possíveis novidades já a caminho.

Abaixo, os vencedores de 2009:


VINHO DO ANO:

John Duval Eligo Reserve 2005

Vale do Barossa, Austrália
Degustado em janeiro de 2009

Sempre que a história do vinho australiano é contada, o nome de John Duval tem que ser mencionado. O sujeito foi o responsável pela elaboração do Penfolds Grange, o grande ícone da terra dos cangurus, durante quase 30 anos. Quando, em 2002, saiu da empresa, John resolveu montar a própria vinícola: a John Duval Wines. No vale do Barossa, com uvas compradas de produtores que conhece há décadas, faz três vinhos: Eligo, Entity e Plexus. Todos excelentes. Mas o Eligo está um degrau acima dos demais. E o dono da primeira nota 10 da coluna ficou também com o título de melhor vinho do ano.


John Duval foi o enólogo responsável pelo australiano Penfolds Grange, um dos maiores vinhos do mundo, durante quase três décadas. No Chile, como consultor da Ventisquero, elaborou dois ótimos vinhos: Pangea e Vértice. Nos Estados Unidos, também desfila sua técnica. Mas é em sua vinícola, no vale do Barossa, que Duval produz seus melhores tesouros. Este Eligo (100%shiraz) é um espetáculo. Tem complexidade, intensidade, frescor, potência, elegância, fruta, madeira, persistência...tudo na medida certa. Um vinho perfeito.

Nota: 10
Preço: R$ 660
Onde: KMM (2286-3873)



BARATO DO ANO:


Miolo Fortaleza do Seival Viognier 2008

Campanha, Brasil
Degustado em dezembro de 2009

Encontrar um vinho que seja barato e tenha qualidade é o sonho dourado de qualquer consumidor. E lançar um produto que una as duas coisas, o desejo de todo produtor. No Brasil, muito por conta da nossa carga tributária, que flerta com o absurdo e da eterna burrocracia, que só atrapalha, fica quase impossível dizer que um vinho seja barato. Mas, comparativamente, há coisas bem interessantes. E entre as possibilidade, o que conseguiu o melhor índice (preço de venda dividido pela nota conseguida) foi este branco brasileiro, feito pela Miolo. E olha que a vinícola chegou a ter dúvidas se valia a pena ou não lançar o vinho. O motivo era a pouca disposição dos brasileiros em provar vinhos brancos. Ainda bem que a qualidade falou mais alto e a Miolo lançou este viognier de respeito.


É sempre muito agradável provar este branco. Em recente prova às cegas de viognier, conseguiu o sétimo lugar, entre treze participantes. E era, disparado, o mais barato do painel. Leve, fresco, fácil, com aromas florais e um toque vegetal. Bom no nariz, melhor na boca, perfeito como aperitivo ou com frutos do mar. Foi lançado no final de 2008, e o tempo garrafa fez bem a este vinho, que está ainda melhor do que à época em que chegou ao mercado.

Nota: 8,5

Preço: R$ 24,50
Onde: Miolo (3077-0150)



VINÍCOLA DO ANO:


Von Siebenthal

Vale do Aconcagua, Chile

Até 1998, o suíço Mauro Von Siebenthal era um advogado com um sonho: ter uma vinícola. Onze anos depois, possivelmente nem o próprio Mauro poderia imaginar quão longe se pode sonhar. Neste ano, Jay Miller, colaborador de Robert Parker na América do Sul, elegeu a Von Siebenthal como a melhor vinícola do Chile. No vale do Aconcagua, em Panquehue, área semidesértica entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes, estão espalhadas as vinhas de cabernet-sauvignon, cabernet franc, carmenère, merlot e petit verdot da Viña Von Siebenthal. E destas uvas, saem alguns dos melhores vinhos chilenos da atualidade. Toda a linha de vinhos é de qualidade superior. O Montelìg é referência quando se fala em elegância chilena. O Toknar é um esplendor de vinho, que coroou a ousadia em apostar em uma uva como a petit verdot para um vinho varietal. E, como se o portfólio já não fosse bom o bastante, a Von Siebenthal ainda deu-se ao luxo de lançar um novo ícone: o Tatay de Cristóbal, ainda não disponível no Brasil, e que levou a carmenère a um patamar ainda desconhecido. No Brasil, a vinícola é representada pela Terramatter (3860-6565).

Vinhos da Von Siebenthal:

Parcela #7 2006

Corte de cabernet-sauvignon, merlot, cabernet franc e petit verdot, bem ao estilo bordalês. Nariz intenso, com notas de frutas vermelhas maduras, um toque de especiarias, alcaçuz e café. Na boca, taninos doces, maciez, equilíbrio, frescor, médio corpo e um final bastante prazeroso.

Nota: 8,5
Preço: R$ 85,10
Degustado em novembro de 2009

Carmenère Reserva 2006

Tinto de qualidade feito com a carmenère, cortada com 10% de cabernet-sauvignon. Nariz intenso, com notas de cereja, cassis, pimenta e um leve toque mineral. Na boca, fruta, frescor, elegância e taninos presentes.

Nota: 8,5
Preço: R$ 85,10
Degustado em abril de 2009

Carabantes 2003

Corte de syrah (85%), cabernet-sauvignon (10%) e petit verdot (5%), prontinho para beber. No nariz, frutas negras e um toque de especiarias. Na boca, redondo, fino, macio, longo e com ligeiro amargor no final.

Nota: 9
Preço: R$ 155,25
Degustado em abril de 2009

Montelìg 2004

Foram feitas apenas pouco mais de 7 mil garrafas deste corte de cabernet-sauvignon (65%), petit verdot (25%) e carmenère (10%), um dos melhores tintos do Chile. Longe de ser uma bomba aromática, é elegante e intenso no nariz, com notas de cassis, azeitona, chocolate, café, baunilha e couro. Na boca, combina força com classe, é macio, harmônico, de bom corpo e final longo e arrebatador.

Nota: 9,5
Preço: R$ 322
Degustado em junho de 2009

Montelìg 2005

Montelìg é a mistura de “monte”, com “lìg”, palavra indígena pré-inca que significa luz. Envolvente como a luz, aristocrático como as montanhas andinas, este tinto, corte de cabernet-sauvignon (60%), petit verdot (30%) e carmenère (30%) é ainda melhor do que o seu irmão da safra 2004. Superior, mas coisa pouca. Ambos são grandes vinhos, ícones da vinícola e símbolo do que o Chile pode fazer de melhor em matéria de vinhos.

Nota: 9,5
Preço: n/d no Brasil
Degustado em julho de 2009

Toknar 2005

Este é um vinho que merece toda a atenção, produzido com a petit verdot. Tinto robusto, repleto de estrutura, tanino, acidez e caráter. Se a idéia for comprar e beber, decante. Mas vale a pena guardar essa joia por, pelo menos, mais um par de anos.

Nota: 9,5
Preço: R$ 399
Degustado em maio de 2009

Tatay de Cristóbal 2007

Vinho ícone da Von Siebenthal, lançado em 2009, ainda a caminho do Brasil. É um corte de carmenère (90%) e petit verdot (10%). E que põe a uva símbolo do Chile em outro patamar. No nariz, mais parece um amarone. Aromas de ameixa madura, balsâmico, café. Na boca, é enorme, denso, concentrado, interminável. Um vinho para tomar com calma. E cabe guardá-lo por um bom período. Ainda tem muito que oferecer.

Nota: 9,5
Preço: n/d no Brasil
Degustado em dezembro de 2009