quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Frango recheado

por Luciana Plaas

Sabe quando você abre a geladeira e encontra duas fatias de presunto de Parma e umas rodelas de queijo? Pois é, está receita serve para acabar com esses sobras.

Compre filés de frango. Ponha os filés em cima de uma tábua com um pedaço de papel manteiga em cima. Bata com o fundo de uma panela pesada em cima dos filés. Solte toda sua raiva. Com isso eles ficarão maiores e mais finos. Tempere com sal e pimenta.


Recheie com o que você tiver. Usei o presunto de Parma e mussarela. Amarre. Normalmente, as pessoas usam barbante. Eu, na verdade, prefiro prender com um palito de dente. Acho mais fácil. Mas tem que ficar bem fechadinho para que o recheio não escape.


Depois passe o frango na farinha, batendo para sair o excesso. Numa frigideira coloque um pouco de óleo e aqueça. Ponha os filés recheados e cozinhe em fogo baixo durante uns 15 minutos.



Retire-os da panela. Retire os palitos (ou o barbante). Na mesma frigideira coloque duas colheres de sopa de caldo de galinha e seis colheres de sopa de Marsala. Deixe borbulhar. Sirva o frango com o molho.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Os vinhos do Aragão

por Alexandre Lalas

A Espanha é um dos países que apresenta o melhor custo-benefício para a compra de vinhos. Lá, com cinco euros (cerca de R$ 15) o sujeito compra uma garrafa decente de um bom tinto. Além das regiões tradicionais, como Rioja, Ribera del Duero e Priorato, existem outras áreas que, há coisa de duas décadas, sequer figuravam nos manuais de vinho. E é de lugares assim que têm saído, com frequência cada vez maior, coisas fantásticas a preços bem convidativos. São áreas como Bierzo, no noroeste espanhol, e Jumilla, no sudeste do país. Mas, sem sombra de dúvida, nenhuma outra região tem apresentado tanta qualidade com quantidade como o Aragão.


Situado no nordeste espanhol, aos pés dos Pirineus, a região conta com quatro denominações de origem: Cariñena, a mais antiga; Campo de Borja, Calatayud e Somontano, mais nova e mais conhecida das quatro.


Se nas três primeiras denominações a garnacha tinta reina soberana, em Somontano uma política de abertura permitiu aos viticultores experimentarem outras castas, com sucesso. Além da garnacha, tempranillo, merlot, cabernet-sauvignon, syrah, chardonnay e até mesmo a pinot noir apresentam bom resultado na região. O que impressiona é o fato de que há 20 anos a região praticamente não existia no mapa do vinho espanhol. A coisa começou a mudar em 1984, quando Somontano ganhou o status de denominação de origem. Outro fator é que os bodegueiros locais souberam, como poucos, entender e atender as necessidades de um mercado em transformação. Hoje em dia, Somontano está na linha de frente das zonas vinícolas espanholas, terra de tintos e brancos que recebem notas altas da crítica especializada, com um rota turística estabelecida e procurada, tanto por espanhóis como por estrangeiros. Entre as vinícolas locais, destacam-se Enate, Viñas del Vero, Bodega Pirineos, Lalanne, Fábregas e Laus, entre outras.


Calatayud talvez seja a mais promissora de todas as quatro regiões aragonesas. O lugar sempre foi conhecido pela fruta extraordinária que produzia. As condições naturais de lá são excepcionais para a videira. A vindima raramente começa antes do meio de outubro, quando a maioria das outras regiões já encerrou a colheita. A amplitude térmica e alta e o lugar é extremamente seco, por conta da altitude. E abundam as vinhas velhas de garnacha, com mais de 50 anos de idade, de produção pequena. De 1990 para cá, a região começou a se organizar e a qualidade dos vinhos não parou de crescer, e o que é melhor, os preços continuam excelentes. A prova, é que 76% da produção local são exportadas. Isto se deveu à estratégia das vinícolas locais, que preferiram buscar espaço fora da Espanha a enfrentar um mercado feroz e saturado de novos produtores. Niño Jesus, Albada, Jalón, San Gregorio, Agustin Cubero, Langa Hermanos, San Alejandro (que faz o ótimo Baltasar Gracián) e Virgen de La Sierra são alguns dos produtores locais que merecem atenção.


Cariñena é a mais tradicional das denominações do Aragão. Mas, neste caso, tradição não se reflete em melhores vinhos. A região talvez seja a mais irregular das quatro. Na mão de bons produtores, a garnacha gera vinhos ótimos, macios, complexos, longevos. Mas, infelizmente, ainda há muita gente no lugar que privilegia a quantidade e lança vinhos de baixa qualidade no mercado. Entre os bons produtores estão Esteban Martín, Bodegas del Señorio, Perdiguer, San Valero, Solar de Urbezo, Monfil, Señorio de Aylés e Sucesores de Manuel Piquer.



A outra região do Aragão é Campo de Borja. O lugar fica entre duas zonas vinícolas tradicionais, Rioja e Cariñena. Ali não houve migração de grandes empresas, nem tampouco investidores endinheirados ávidos por tornarem-se viticultores. A região cresceu com o esforço coletivo das produtores locais. E no caso, a união fez a força. De 900 mil garrafas vendidas em 1991, Campo de Borja saltou para 15 milhões em 2006, sendo que metade disso para o mercado externo. Borsao, Bordejé, Caytusa, Bodegas Aragonesas, Mareca e Agro-Frago são algumas das melhores vinícolas da região.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O menino Glicério

por Alexandre Lalas


Glicério nem um ano tinha quando a mãe deixou Fortaleza e os filhos para trás em busca de chances melhores na vida. O avô materno era quem cuidava das crianças na capital cearense. Ou, talvez, fossem as crianças que ajudassem a cuidar do avô, doente desde que levara uma chifrada no abdome. Quando o avô faleceu, o pai biológico cuidou de Glicério. Por um tempo. Um belo dia levou o menino para passar o fim de semana na casa da avó. Nunca mais voltou.

Menos mal que a avó morava em uma bela casa na roça, em um vilarejo que nem no mapa estava. Em toda a vila, televisão só havia uma. Que funcionava a bateria. Luz elétrica e água encanada, nem pensar. A cidade mais perto era Antônio Diogo, que ficava a cerca de 70 km de Fortaleza. Glicério tinha quatro anos. Para uma criança naquela idade, o lugar era perfeito. A rotina era escola, chupar uma manga na sombra da mangueira, banho de açude, passeio a cavalo. Uma infância feliz.

Até que a mãe, a esta altura morando no Rio de Janeiro, bem empregada como costureira em uma boutique e casada novamente, achou que já era hora de buscar Glicério. E então veio o menino, acostumado à imensidão do campo, morar em uma quitinete na Lapa, com a mãe, as duas irmãs, e o novo pai.

A adaptação não foi nada fácil. Os costumes eram diferentes. O garoto acostumado a feijão de corda, baião de dois e carne de sol, teve que começar a comer salada. As brincadeiras infantis na escola também eram estranhas a Glicério. Mas o garoto logo se enturmou e tornou-se popular.

Quando a família se mudou para Botafogo, para um apartamento melhor, Glicério entendeu que já era hora de trabalhar. E aos 12 anos, começou a lavar carros em um estacionamento no Catete, onde o tio trabalhava. Depois, virou jardineiro em uma vila pertinho do Museu da República. Além de estudar e trabalhar, ainda arranjava tempo para treinar no Aterro do Flamengo, entre os dentes de leite do clube da Gávea.

A experiência no futebol não deu muito certo. Nem a jardinagem. Quando perdeu o emprego de jardineiro, Glicério foi indicado por um amigo para trabalhar como assistente de garçom no Bar do Tio Otávio, em Botafogo, pertinho de onde morava. Glicério tinha 16 anos. E a vida começava a tomar um novo rumo. De auxiliar, virou garçom. Depois, subgerente. Mudou de restaurante para ganhar melhor. Até que foi parar no Valdostano, especializado em comida italiana. Nas folgas, tomava cerveja com os amigos. Quando saía com alguma garota especial, pedia vinho. Liebfraumilch, branco alemão meio-doce, bem popular na época, era a escolha.

No Valdostano, conheceu Valmir Pereira. Valmir incentivou Glicério a fazer um curso na Associação Brasileira de Sommeliers. O mercado de vinhos começava a despontar, e ainda havia muito poucos profissionais gabaritados trabalhando em restaurantes. Glicério foi. Fez cursos e concursos. Formou-se e foi trabalhar com Danio Braga, na recém-aberta Loccanda della Mimosa. Ficou lá por 12 anos. E aquele garoto, criado solto na roça, virou Glicério Marcos Lima, um dos mais importantes sommeliers do país. Hoje, além de professor da ABS, presta consultoria à rede de supermercados Esal, de Angra dos Reis. E é titular absoluto do time de degustadores da Confraria dos Nove.

Na semana passada, tive a honra de ser convidado para participar da mesa avaliadora da prova de Homologação de Sommelier Profissional da ABS. Dos 14 inscritos, apenas cinco chegaram à prova final. Destes, somente dois conseguiram a certificação e receberam o pin. Emocionados, Ramón Justo, do Garcia & Rodrigues; e Rodrigo Moura, do Salitre, mal cabiam nos elegantes ternos que usavam. Emocionado com a felicidade de ambos estava também um dos jurados: Marcos Lima, o menino Glicério, que via na vibração dos dois aprovados, um pouco da própria história.

E aos que não conseguiram a homologação, vale o exemplo de Marcos. Na primeira prova que fez, sequer passou no exame escrito. Chorou, estudou, se dedicou. Três anos depois, Glicério Marcos Lima ganhava o concurso de melhor sommelier do Rio.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vale a pena tropeçar

por Luciana Plaas

Quando abriu, o Degrau tinha outro nome. Chamava-se Progresso. Na porta, havia um degrau traiçoeiro, onde muita gente tropeçava. Tão famoso ficou o tal degrau, que acabou por mudar o nome do restaurante. Isso já tem bem meio século!

Pois não é que os atuais donos do Degrau resolveram abrir um boteco! Ao lado do restaurante, onde funcionava um açougue. E decidiram chamar o lugar de Tropeço. Mas, pelo menos que eu tenha notado (ou tropeçado), ali não há nenhum degrau traiçoeiro, esperando para derrubar os mais incautos!

Desde que abriu, o bar vive cheio. Hoje, no meio da tarde, calhou de estar vazio. Não nos fizemos de rogados. Aproveitei que estava com a minha máquina a tiracolo e entramos. Pedi uma Caipirinha de caju (R$9,50), com cachaça Nega Fulo. Um clássico. Pedi o cardápio, mesmo sem fome. Logo vi algo que me chamou atenção: Mandioca metida a besta (R$15,90). Cozida, passada na manteiga e com salsa. Leva parmesão, que pedi para vir separado. Estava uma delícia.



Depois, provei os Pastéis, uma das especialidades do Degrau. Um de queijo, simples e um outro de mussarela de búfalo com tomate (R$ 12,90). Estavam sequinhos, mas o recheio estava frio. Fiquei na dúvida se não fritaram o suficiente ou se o queijo era de má qualidade.



Descobrimos um drinque, o Caipilé (R$ 7). Nada mais é do que uma caipivodca com um picolé dentro. Muito refrescante. Dos que provamos, melhor foi o de frutas vermelhas com picolé de uva. Que delícia! O problema é que quando alguma coisa dá certo, nós nos permitimos ousar um pouco mais. E o Alexandre quis experimentar uma criação da casa, o mojito de uvas verdes (R$9,00). Péssima escolha. Não satisfeito, arriscou um mojito tradicional (R$11,50). É o tipo de drinque que parece super simples de se fazer. Mas não é. O barman titular da casa estava de folga. Não serve como desculpa, afinal, o padrão precisa ser mantido.

Mas não foi o único tropeço da tarde. Pedimos o Sirizinho nada egoísta (R$ 14,90). Eram duas casquinhas de siri, um tanto pesadas, e com menos siri do que o desejado. Menos mal que depois pedimos os Camarões boêmios (R$25,90). Eram camarões empanados, com um molho tipo maionese, que é até desnecessário, tão bons estavam os crustáceos! Divinos! Sequinhos, e no ponto certo!



Uma coisa bem legal deste boteco é o cardápio. Nomes criativos, descrições apetitosas dos pratos. Ambiente bom e serviço idem. Resumindo, tem tudo pra dar certo. Mas nem tente chegar nos horários de pico. Ou correrá o risco de tropeçar em uma fila de espera nada apetitosa!

Tropeço
Avenida Ataulfo de Paiva 517, A
Leblon
(21)2239-3121
www.bartropeco.com.br

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Vinho da semana: Lagar de Cervera Albariño 2007

por Alexandre Lalas

Lagar de Cervera Albariño 2007
Rías Baixas, Espanha
O grande campeão da prova de alvarinhos é uma beleza de vinho. Cítrico, fresco, equilibrado, com aromas de pêssego e lima, e um bom e elegante final. Perfeito com frutos do mar.
Nota: 8,5
Preço: R$ 98
Onde: Zahil (3860-1701)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cookies para relaxar

por Luciana Plaas

Sabe aquele dia que absolutamente tudo dá errado. Até o que parecia mais banal? Pois é, foi este dia que eu tive. Quando pensei que nada mais pudesse dar certo, Nicolle minha filha, me perguntou se ajudaria ela a fazer cookies.

Foi a solução para tudo, mau humor, saco cheio, desânimo...
Esta receita é muito fácil e rápida. São aqueles americanos mesmo, que tem pedaços de chocolates. A receita original usa smarties/confete, mas já fizemos com todos os tipos de chocolates. Adaptamos do livro 101 Cakes &Bakes – Bbc Books.
Nunca deu errado!




Abaixo, a receita:

Cookies:
100g de manteiga (fora da geladeira ½ hora antes),
100g de açúcar mascavo;
1 colher de sopa de melado;
150g farinha com fermento;
85g de chocolate ao leite cortado em pedaços (ou o que quiser usar).

Aquecer o forno a 180 graus. Bata a manteiga com o açúcar até que vire um creme, depois junte o melado. Coloque a farinha, depois o chocolate. Divida em dez bolinhas. Coloque no tabuleiro, separadamente. Asse por 12 minutos.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Alvarinho em questão

por Alexandre Lalas

Imagine um vinho vivo, leve, de uma acidez vibrante, com aromas de lima, pêssego e damasco, e um delicadíssimo amargor no final. Ao se deparar com um branco assim, pode apostar sem medo de errar: é um alvarinho (ou albariño, se for espanhol). A uva é muito comum na região do Minho, no norte de Portugal, e na Galícia, no noroeste espanhol. Em solo português, pode ser encontrada tanto nos vinhos verdes quanto em brancos maduros. Na Espanha, gera alguns dos mais interessantes brancos do país. A alvarinho não costuma envelhecer muito bem, portanto, é bom comprar a safra mais recente e não convém guardar por muito tempo na adega.

Pois foi a alvarinho, a uva escolhida pela Confraria dos Nove para a primeira degustação às cegas de 2010. Quatorze vinhos feitos com a casta, de quatro países diferentes, participaram da prova. Oito portugueses, quatro espanhóis, um uruguaio e um brasileiro. Embora o ideal seria que todos os rótulos fossem da mesma safra, as colheitas variavam entre 2005 e 2009. E aí cabe uma explicação: como a degustação é voltada para o consumidor, foram provados os vinhos que estão disponíveis nos catálogos dos importadores. O objetivo da prova não era avaliar qual o melhor alvarinho de um determinado ano, mas indicar ao apreciador qual o melhor vinho feito com a uva entre os que estão à venda no mercado do Rio de Janeiro.



A prova foi realizada na loja da Grand Cru, no Jardim Botânico. Além do anfitrião Maurício Kauffman, participaram da mesa os sommeliers Dionísio Chaves, Éder Heck, João Souza, Marcos Lima e Yan Braz; os importadores Aníbal Patrício, Duda Zagari, João Luiz Manso e Lílian Seldin; e os enófilos Fernando Miranda, Luciana Plaas, Roberto Lacerda e o colunista. E no embate entre portugueses e espanhóis, melhor para os galegos. Em primeiro lugar, com boa vantagem, ficou o Lagar de Cervera 2007, seguido pelo surpreendente uruguaio Bouza Alvarinho 2008 e pelo português Portal do Fidalgo 2006.


Abaixo, o resultado final:

1º) Lagar de Cervera Albariño 2007 – Rías Baixas, Espanha – R$ 98; Zahil (3860-1701)

2º) Bouza Alvarinho 2008 – Canelones, Uruguai – R$ 81,30; Decanter (2286-8838)

3º) Portal do Fidalgo 2006 – Minho, Portugal – R$ 43,15; Casa Flora (2224-0826)

4º) Nora 2007 – Rias Baixas, Espanha – R$ 106,02; Vinci (2246-3674)

5º) Morgadio da Torre Alvarinho 2007 – Minho, Portugal – R$ 77; Zahil (3860-1701)

6º) Edizione Terzetto Alvarinho 2009 – Campanha, Brasil – R$ 63; Terzetto Café (2247-3243)

7º) Alvarinho Soalheiro 2007 – Minho, Portugal – R$ 84,07; Mistral (2274-4562)

8º) Rolan Alvarinho 2007 – Minho, Portugal – R$ 57; Adega Alentejana (2286-8838)

9º) Alvarinho Deu La Deu 2008 – Minho, Portugal – R$ 49,90; Barrinhas (2131-0031)

10º) Quinta dos Loridos Alvarinho 2006 – Óbidos, Portugal – R$ 50; Portus Cale (11 3675-5199)

11º) Pazo San Mauro 2005 – Rías Baixas, Espanha – R$ 98; Expand (3875-1566)

12º) Quinta da Lixa 2006 – Minho, Portugal – R$ 55; Garrafeira Real (2584-0834)

13º) Alvarinho Muros Antigos 2008 – Minho, Portugal – R$ 86,20; Decanter (2286-8838)

14º) Martín Códax Lías 2006 – Rías Baixas, Espanha – R$ 183; Península (2529-8983)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Filé no paraíso

por Luciana Plaas


Havia tempo que eu estava com vontade de ir à Casa do Filé. Passo sempre na frente do restaurante. É simpático por fora, dá vontade de entrar. Nesta semana, finalmente consegui me programar para ir lá. Levei o Alexandre comigo, meu fiel escudeiro. Fomos caminhando debaixo de um sol de 40o. Quando entramos no lugar, parecia que tínhamos chegado ao paraíso. Fresquinho lá dentro. Fazia tanto calor que pensamos que a fome tinha evaporado. Tinha nada. Bastou sentirmos o cheirinho da carne que o apetite voltou.

Pedimos pasteis de entrada. Mistos. Vieram seis. Camarão com catupiry, brie com geléia de damasco e carne com cheddar. (R$17) Não gostamos muito do de camarão, mas mesmo assim comemos tudo.


A casa oferece, na hora do almoço, duas opções diárias de menu executivo. Uma entrada, prato principal e sobremesa. No dia em que fomos, tinha picadinho como prato principal. Raramente resisto a um picadinho, mas no dia, tanto eu como Alexandre, optamos pelo filé em crosta. Afinal, é esta a especialidade da casa. Dá direito a um molho e dois acompanhamentos (R$32). Optei pelo molho de manteiga e ervas. De acompanhamentos salada verde e batata sauté. O Alexandre pediu o bife dele sem molho, com farofa de manteiga e cebola e salada verde também.



As porções são pra gente grande mesmo. Estava bom, mas eu não consegui comer nem metade da minha carne. Veio no ponto que pedi. Com a famosa crosta e tudo mais. Bem do jeito que se imagina, sem nenhuma surpresa. O Alexandre disse que não aguentava mais comer, mas não parou até raspar o prato. Apesar de eu ter pedido molho, quase nem toquei nele. A carne é tão saborosa que nem precisou.

De sobremesa dividimos um creme de papaya com licor de cassis. (R$11). Simples e bom, como tem que ser.


O lugar, além de bonito, é bastante gostoso. O garçons são simpáticos e o maître, atencioso, faz de tudo para agradar os clientes

Foi tudo muito bom e valeu a pena a espera em conhecer a Casa do Filé. Difícil mesmo foi abandonar o ar-condicionado e voltar andando pra casa no calor infernal que fazia no dia!

Casa do Filé
Largo do Leões, 111 Humaitá
2246-4901
www.casadofile.com.br

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Às cegas

por Alexandre Lalas
A brincadeira é simples e bem divertida. Junte um grupo de amigos, separe algumas garrafas, embrulhe-as com papel alumínio e prove os vinhos. Reveladas as notas, mostre o que foi provado e confira se os mais caros são eleitos os melhores.

Fazer uma degustação às cegas é bem mais fácil do que parece. Primeiro, vamos à escolha dos vinhos. O ideal é que se defina um tema para a avaliação. Pode ser uma uva, uma região, um determinado produtor ou uma safra. Como exemplo, vamos escolher a primeira opção. Nossa degustação será de quatro diferentes vinhos feitos com a uva syrah, de diferentes regiões. Um chileno, um francês, um australiano e um português. Embora não seja obrigatório, neste exemplo usaremos apenas vinhos da safra de 2005.

O próximo passo é arrumar um juiz. Será ele quem embrulhará as garrafas em papel alumínio e servirá a dose para os degustadores. A taça ideal é a ISO, consagrada mundialmente como a melhor para degustações.


Os degustadores devem avaliar a cor, os aromas e o gosto dos vinhos. Os participantes devem avaliar os aspectos visual, olfativo e gustativo. Na cor, conferimos o brilho e a transparência. No nariz, a intensidade e a qualidade dos aromas. E na boca, o equilíbrio entre açúcares, álcool, acidez e taninos, a qualidade, a intensidade e a persistência do vinho. Em uma prova cuja nota máxima é 10, por exemplo, podemos distribuir os pontos da seguinte forma: 1 ponto para o aspecto visual, 3 pontos para o aspecto olfativo e 6 pontos para o gustativo. Afinal de contas, é na boca mesmo que o vinho tem que mostrar o potencial que tem. As garrafas devem ser abertas ao mesmo tempo, e todos os vinhos deverão ser servidos à mesma temperatura.

É bom que os degustadores não comentem as suas opiniões enquanto dão as notas, assim um mais experimentado não influenciará um provador menos experiente. Depois de provados os vinhos, desembrulham-se as garrafas e é a hora da verdade. Nem sempre os mais caros vencem. Mas o que realmente importa é a brincadeira. Até porque, muitas vezes, a mesma degustação feita com os mesmos vinhos repetidas vezes apresenta resultados diversos...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Rio 40 graus

por Alexandre Lalas


Eu não sei se é por influência do tão comentado aquecimento global ou se é um problema de excesso de aniversários, mas o fato é que, a cada ano que passa, sinto mais calor. E este janeiro, em especial, está violento. A coisa está braba! Um copo de água gelada virou o meu par mais constante. Mas como esta é uma coluna sobre vinhos (e outras cachaças...), não vou me furtar a falar do assunto. Tintos, neste forno coletivo que virou o Rio de Janeiro, só mesmo se o ar condicionado estiver no máximo. Mas sempre há o risco de um apagão. E, também, quem quer ficar trancafiado dentro de casa com as janelas cerradas nos dias lindos deste verão?
Então, a boa é deixar os tintos para quando os termômetros baixarem e aproveitar a estação e degustar bons espumantes, brancos e rosados. E, em homenagem ao calor quarentão, abaixo vai uma lista com 40 vinhos de diferentes preços, regiões, nacionalidades e estilos. Boas escolhas.


Vinho da semana:
Boekenhoutskloof Semillon 2007

Franschhoek, África do Sul
Maçã verde sobressai no nariz. Na boca, é cítrico, com acidez bem marcada, finesse e volume. Branco de primeira que mostra como a semillon pode caminhar bem na África do Sul.
Nota: 9
Preço: R$ 85,08
Onde: Mistral (2274-4562)

Barato bom:
Mâcon-Villages Domaine Eloy 2007

Borgonha, França
Chardonnay gostoso, leve e fresco feito por este bom produtor de Fuissé. Perfeito para comidas leves como saladas, peixes e legumes grelhados.
Nota: 8,5
Preço: R$ 44
Onde: Club du Taste-Vin (2633-8866)

Outras dicas:

Espumantes:
Barnaut Blanc de Noirs Brut Grand Cru NV
Champanhe, França
Nota 9; R$ 180,60
Decanter (2286-8838)
Jansz Premium Cuvée NV
Tasmânia, Austrália
Nota 9; R$ 169
KMM (2286-3873)
Lanson Black Label Brut NV
Champanhe, França
Nota 9; R$ 110
Barrinhas (2131-0031)
Bulle de Blanquette nº 1 Fuchsia NV
Limoux, França
Nota 8,5; R$ 75
Winery Store (11 3345-1950)
Salton Évidence NV
Bento Gonçalves, Brasil
Nota 8,5; R$ 50
Salton (54 2105-1000)
Raposeira Reserva Bruto NV
Lamego, Portugal
Nota 8,5; R$ 55
Premium Foods (2584-2402)

Brancos:
Giaconda Nantua Chardonnay 2005
Beechworth, Austrália
Nota 9,5; R$ 568
KMM (2286-3873)
Philippe Pacalet Mersault 2007
Borgonha, França
Nota 9,5; R$ 398
World Wine (2005-5125)
Que Bonito Cacareaba 2008
Rioja, Espanha
Nota 9,5; R$ 306
Grand Cru (2511-7045)
Tyrrell’s VAT 1 Hunter Semillon 2000
Hunter Valley, Austrália
Nota 9,5; R$ 299
Vinhos do Mundo (2511-5140)
Capellanía Blanco Reserva 2003
Rioja Espanha
Nota 9; R$ 115
Expand (3875-1566)
Chassagne Montrachet 1er Cru Clos St Jean 2004
Borgonha, França
Nota 9; R$ 144
Nova Fazendinha (2471-3654)
Colli di Lapio 2006
Fiano di Avellino, Itália
Nota 9; R$ 131,37
Vinci (2246-3674)
Enate Chardonnay Crianza 2007
Somontano, Espanha
Nota 9; R$ 130
Grand Cru (2511-7045)
Hochhemer Holle Riesling Kabinett Trocken 2007
Rheingau, Alemanha
Nota 9; R$ 132
Decanter (2286-8838)
Kilikanoon Mort’s Block Watervale Riesling 2005
Clare Valley, Austrália
Nota 9; R$ 99,75
Decanter (2286-8838)
Malhadinha Branco 2007
Alentejo, Portugal
Nota 9; R$ 128,60
Épice (3296-4724)
Pezas da Portela 2006
Valdeorras, Espanha
Nota 9; R$ 238
Península (2529-8983)
Saint Clair Pioneer Block Sauvignon Blanc 2008
Marlborough, Nova Zelândia
Nota 9; R$ 99
Grand Cru (2511-7045)
Sol de Sol 2005
Valle del Malleco, Chile
Nota 9; R$ 170
Zahil (3860-1901)
Colomé Torrontés 2007
Salta, Argentina
Nota 8,5; R$ 41,70
Decanter (2286-8838)
Grüner Veltliner Berg-Vogelsang 2007
Langenlois, Áustria
Nota 8,5; R$ 97,44
Mistral (2274-4562)
Knappstein Hand-Picked Riesling 2007
Clare Valley; Austrália
Nota 8,5; R$ 64
Wine Society (2286-3873)
Maître de Chais Heida du Valais 2007
Valais, Suíça
Nota 8,5; R$ 98
Vitis Vinífera (2235-3968)
Mitchelton Airstrip 2006
Victoria, Austrália
Nota 8,5; R$ 81
Wine Society (2286-3873)
Muscadet de Sèvre et Maine sur lies Domaine de la Pepiere 2008
Loire, França
Nota 8,5; R$ 45,50
Nova Fazendinha (2471-3654)
Quinta da Alorna Branco Reserva 2007
Ribatejo, Portugal
Nota 8,5; R$ 68
Adega Alentejana (2286-8838)
Villa Francioni Chardonnay Lote II
São Joaquim, Brasil
Nota 8,5; R$ 86
Villa Francioni (49 3233-3713)
Contempo Grillo 2006
Sicília, Itália
Nota 8; R$ 67
Grand Cru (2511-7045)
Maycas del Limarí Reserva Chardonnay 2007
Limarí, Chile
Nota 8; R$ 69
Enoteca Fasano (2422-3674)
Núbio Sauvignon Blanc 2008
São Joaquim, Brasil
Nota 8; R$ 41,70
Sanjo Vinhos (49 3233-0012)
Planalto Reserva 2006
Douro, Portugal
Nota 8; R$ 64
Zahil (3860-1901)
Las Brujas Sauvignon Blanc 2008
Las Brujas, Uruguai
Nota 7,5; R$ 36
Hannover (2259-9137)

Rosados:
Château de Porcieux 2008
Provença, França
Nota 8,5; R$ 97,18
Cantu (0300 210-1010)
Chocalán Rosé 2007
Vale do Maipo, Chile
Nota 8,5; R$ 48,30
Terramatter (3860-6565)
Pétale de Rose 2008
Provença, França
Nota 8,5; R$ 110
KB-Vinrose (3387-3036)
PradoRey Rosado 2007
Ribera del Duero, Espanha
Nota 8,5; R$ 57,55
Decanter (2286-8838)
Langenloiser Zweigelt Rosé 2006
Langenlois, Áustria
Nota 8; R$ 68,73
Mistral (2274-4562)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Recordar é viver

por Luciana Plaas

Vale a pena atualizar alguma lembrança de quando se era criança? Quando era pequena, meu pai costumava nos levar para almoçar no restaurante Albamar. Aproveitava todas as possibilidades que apareciam para isso. Bastava algum conhecido estar com um gringo hospedado onde quer que fosse, que ele dava um jeito de levá-lo para conhecer o restaurante. Por isso, me considerava uma frequentadora assídua do lugar. Lembrava-me do formato do prédio. Do elevador apertado. Do uniforme dos garçons. E da casquinha de siri.

O tempo passou. Meu pai não mora mais no Rio. O restaurante entrou em decadência. E eu nunca mais fui ao Albamar.

Até que, ano passado, novos proprietários assumiram a casa. E deram uma revitalizada no lugar. Desde então, tento ir ao Albamar, sem conseguir. A oportunidade veio nesta semana quando meu irmão, que não mora no Brasil, programou uma escala no Rio. E, entre um voo e outro, combinamos de almoçar. Nem titubeei! Era a hora de voltar ao Albamar.

De perto, tudo parecia igual. Mesmas cores, a mesma entrada e o mesmo elevador. Que bom! Fomos bem recebidos. As cadeiras continuam confortáveis. As toalhas mudaram. Precisava mesmo. Ficou simpático.


O couvert (R$6,00) veio sem que desse tempo nem de pedir. Embora opcional, eu nunca dispenso. Azeitonas, tâmaras, presunto, manteiga e pão fatiado. Bem sem graça, não emocionou. De entrada, escolhi a casquinha de siri (R$20,00). Muito gostosa. Meu irmão optou pelo menu degustação (R$65,00, quatro serviços).


O primeiro prato dele foi uma salada de trilha com pinoles e uma torrada. Bonita. Segundo ele, boa também. O próximo prato dele foi uma casquinha de camarão. Ele gostou.



Papo vai, papo vem. O vinho descia bem. Villa Francioni Rosé (R$52,00). Meu irmão me pergunta: "Não parece que essas pessoas sempre estiveram aqui?" Concordei. A impressão é de que as pessoas que frequentam o restaurante estão lá desde sempre.

Chegaram os pratos principais. O do meu irmão era um filé de congro rosa empanado, com purê de batata baroa e molho de tomate. Parecia sequinho. Ele achou bom. Escolhi o linguado a belle meunière, endívia e batatas (R$46,00). Nada de especial, mas bom. Exatamente como tem que ser.



A sobremesa do menu degustação era uma torta de frutas, linda, com creme inglês. Ele comeu tudo sem deixar nem uma gota do creme. Eu que ando sem fome por conta do calor, fiquei nas frutas da estação (R$16,00).



Ficamos lá um tempão. Foi muito gostoso. A vista continua estupenda. O menu ganhou leveza sem perder o estilo de sempre. No meu caso, valeu a pena sim, reviver uma memória de infância. Foi bom voltar ao Albamar. Mais pelo lugar até do que pela comida. Boa, mas nada de excepcional. Mas o fato é que agora posso seguir o exemplo do meu pai e arrumar qualquer pretexto para voltar lá.


Albamar
Praça Marechal Âncora, 186 - Centro
(21)2240-8378
www.albamar.com.br

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Molho de hortelã

por Luciana Plaas
Antes tarde do que nunca.

Demorei um pouco para dar essa receita que havia prometido, mas aí está:

Molho de menta:

Uma mão cheia de hortelã
2 colheres de sopa de água quente
2 colheres de chá de açúcar
2 colheres de sopa de vinagre

Lave as folhas da hortelã e escorra. Corte as folhas da hortelã bem
fininho. Coloque em um recipiente com o açúcar. Despeje a água e deixe
até que o açúcar dissolva. Adicione o vinagre e espere pelo menos uma
hora.

Fica perfeito com cordeiro, mas eu gosto de usar mesmo em outras carnes vermelhas.




Vinho da semana: Gramona Xarel.lo Font Jui 2005

por Alexandre Lalas
Gramona Xarel.lo Font Jui 2005
Penedès, Espanha
Branco de caráter, feito com a uva xarel.lo, de vinhas velhas e com baixo rendimento. O vinho é fermentado em madeira e estagia, com as borras, por dois meses em barrica de carvalho francês. Nariz intenso, com aromas frutados (pêra, maçã, tamarindo) e lácticos típicos da fermentação em barrica (manteiga, pipoca). Na boca, conserva o frescor, tem corpo médio, muita fruta e um final longo e com um agradável amargor. Combina com frutos do mar, como lagostins, e vai bem até com queijos cremosos.
Nota: 8,5
Preço: R$ 89
Onde: Casa Flora (2224-0826)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Nas alturas

por Alexandre Lalas
Quem viaja de TAP tem ao dispor, desde 28 de dezembro, uma nova carta de vinhos. Os 15 novos rótulos (que incluem dois espumantes, seis brancos, seis tintos e um vinho do porto) foram escolhidos por críticos portugueses em provas às cegas. Entre os destaques, o espumante Luis Pato Bruto, o branco Paulo Laureano Reserve 2007 e o tinto Monte da Cal Reserva 2008. Mas, atenção. Dos 15 vinhos da carta, apenas quatro estão disponíveis na classe econômica. São eles, Versátil e Quinta dos Grilos, ambos tanto brancos quanto tintos. Os outros estão disponíveis apenas aos passageiros que viajam de executiva.