sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Filé no paraíso

por Luciana Plaas


Havia tempo que eu estava com vontade de ir à Casa do Filé. Passo sempre na frente do restaurante. É simpático por fora, dá vontade de entrar. Nesta semana, finalmente consegui me programar para ir lá. Levei o Alexandre comigo, meu fiel escudeiro. Fomos caminhando debaixo de um sol de 40o. Quando entramos no lugar, parecia que tínhamos chegado ao paraíso. Fresquinho lá dentro. Fazia tanto calor que pensamos que a fome tinha evaporado. Tinha nada. Bastou sentirmos o cheirinho da carne que o apetite voltou.

Pedimos pasteis de entrada. Mistos. Vieram seis. Camarão com catupiry, brie com geléia de damasco e carne com cheddar. (R$17) Não gostamos muito do de camarão, mas mesmo assim comemos tudo.


A casa oferece, na hora do almoço, duas opções diárias de menu executivo. Uma entrada, prato principal e sobremesa. No dia em que fomos, tinha picadinho como prato principal. Raramente resisto a um picadinho, mas no dia, tanto eu como Alexandre, optamos pelo filé em crosta. Afinal, é esta a especialidade da casa. Dá direito a um molho e dois acompanhamentos (R$32). Optei pelo molho de manteiga e ervas. De acompanhamentos salada verde e batata sauté. O Alexandre pediu o bife dele sem molho, com farofa de manteiga e cebola e salada verde também.



As porções são pra gente grande mesmo. Estava bom, mas eu não consegui comer nem metade da minha carne. Veio no ponto que pedi. Com a famosa crosta e tudo mais. Bem do jeito que se imagina, sem nenhuma surpresa. O Alexandre disse que não aguentava mais comer, mas não parou até raspar o prato. Apesar de eu ter pedido molho, quase nem toquei nele. A carne é tão saborosa que nem precisou.

De sobremesa dividimos um creme de papaya com licor de cassis. (R$11). Simples e bom, como tem que ser.


O lugar, além de bonito, é bastante gostoso. O garçons são simpáticos e o maître, atencioso, faz de tudo para agradar os clientes

Foi tudo muito bom e valeu a pena a espera em conhecer a Casa do Filé. Difícil mesmo foi abandonar o ar-condicionado e voltar andando pra casa no calor infernal que fazia no dia!

Casa do Filé
Largo do Leões, 111 Humaitá
2246-4901
www.casadofile.com.br

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Às cegas

por Alexandre Lalas
A brincadeira é simples e bem divertida. Junte um grupo de amigos, separe algumas garrafas, embrulhe-as com papel alumínio e prove os vinhos. Reveladas as notas, mostre o que foi provado e confira se os mais caros são eleitos os melhores.

Fazer uma degustação às cegas é bem mais fácil do que parece. Primeiro, vamos à escolha dos vinhos. O ideal é que se defina um tema para a avaliação. Pode ser uma uva, uma região, um determinado produtor ou uma safra. Como exemplo, vamos escolher a primeira opção. Nossa degustação será de quatro diferentes vinhos feitos com a uva syrah, de diferentes regiões. Um chileno, um francês, um australiano e um português. Embora não seja obrigatório, neste exemplo usaremos apenas vinhos da safra de 2005.

O próximo passo é arrumar um juiz. Será ele quem embrulhará as garrafas em papel alumínio e servirá a dose para os degustadores. A taça ideal é a ISO, consagrada mundialmente como a melhor para degustações.


Os degustadores devem avaliar a cor, os aromas e o gosto dos vinhos. Os participantes devem avaliar os aspectos visual, olfativo e gustativo. Na cor, conferimos o brilho e a transparência. No nariz, a intensidade e a qualidade dos aromas. E na boca, o equilíbrio entre açúcares, álcool, acidez e taninos, a qualidade, a intensidade e a persistência do vinho. Em uma prova cuja nota máxima é 10, por exemplo, podemos distribuir os pontos da seguinte forma: 1 ponto para o aspecto visual, 3 pontos para o aspecto olfativo e 6 pontos para o gustativo. Afinal de contas, é na boca mesmo que o vinho tem que mostrar o potencial que tem. As garrafas devem ser abertas ao mesmo tempo, e todos os vinhos deverão ser servidos à mesma temperatura.

É bom que os degustadores não comentem as suas opiniões enquanto dão as notas, assim um mais experimentado não influenciará um provador menos experiente. Depois de provados os vinhos, desembrulham-se as garrafas e é a hora da verdade. Nem sempre os mais caros vencem. Mas o que realmente importa é a brincadeira. Até porque, muitas vezes, a mesma degustação feita com os mesmos vinhos repetidas vezes apresenta resultados diversos...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Rio 40 graus

por Alexandre Lalas


Eu não sei se é por influência do tão comentado aquecimento global ou se é um problema de excesso de aniversários, mas o fato é que, a cada ano que passa, sinto mais calor. E este janeiro, em especial, está violento. A coisa está braba! Um copo de água gelada virou o meu par mais constante. Mas como esta é uma coluna sobre vinhos (e outras cachaças...), não vou me furtar a falar do assunto. Tintos, neste forno coletivo que virou o Rio de Janeiro, só mesmo se o ar condicionado estiver no máximo. Mas sempre há o risco de um apagão. E, também, quem quer ficar trancafiado dentro de casa com as janelas cerradas nos dias lindos deste verão?
Então, a boa é deixar os tintos para quando os termômetros baixarem e aproveitar a estação e degustar bons espumantes, brancos e rosados. E, em homenagem ao calor quarentão, abaixo vai uma lista com 40 vinhos de diferentes preços, regiões, nacionalidades e estilos. Boas escolhas.


Vinho da semana:
Boekenhoutskloof Semillon 2007

Franschhoek, África do Sul
Maçã verde sobressai no nariz. Na boca, é cítrico, com acidez bem marcada, finesse e volume. Branco de primeira que mostra como a semillon pode caminhar bem na África do Sul.
Nota: 9
Preço: R$ 85,08
Onde: Mistral (2274-4562)

Barato bom:
Mâcon-Villages Domaine Eloy 2007

Borgonha, França
Chardonnay gostoso, leve e fresco feito por este bom produtor de Fuissé. Perfeito para comidas leves como saladas, peixes e legumes grelhados.
Nota: 8,5
Preço: R$ 44
Onde: Club du Taste-Vin (2633-8866)

Outras dicas:

Espumantes:
Barnaut Blanc de Noirs Brut Grand Cru NV
Champanhe, França
Nota 9; R$ 180,60
Decanter (2286-8838)
Jansz Premium Cuvée NV
Tasmânia, Austrália
Nota 9; R$ 169
KMM (2286-3873)
Lanson Black Label Brut NV
Champanhe, França
Nota 9; R$ 110
Barrinhas (2131-0031)
Bulle de Blanquette nº 1 Fuchsia NV
Limoux, França
Nota 8,5; R$ 75
Winery Store (11 3345-1950)
Salton Évidence NV
Bento Gonçalves, Brasil
Nota 8,5; R$ 50
Salton (54 2105-1000)
Raposeira Reserva Bruto NV
Lamego, Portugal
Nota 8,5; R$ 55
Premium Foods (2584-2402)

Brancos:
Giaconda Nantua Chardonnay 2005
Beechworth, Austrália
Nota 9,5; R$ 568
KMM (2286-3873)
Philippe Pacalet Mersault 2007
Borgonha, França
Nota 9,5; R$ 398
World Wine (2005-5125)
Que Bonito Cacareaba 2008
Rioja, Espanha
Nota 9,5; R$ 306
Grand Cru (2511-7045)
Tyrrell’s VAT 1 Hunter Semillon 2000
Hunter Valley, Austrália
Nota 9,5; R$ 299
Vinhos do Mundo (2511-5140)
Capellanía Blanco Reserva 2003
Rioja Espanha
Nota 9; R$ 115
Expand (3875-1566)
Chassagne Montrachet 1er Cru Clos St Jean 2004
Borgonha, França
Nota 9; R$ 144
Nova Fazendinha (2471-3654)
Colli di Lapio 2006
Fiano di Avellino, Itália
Nota 9; R$ 131,37
Vinci (2246-3674)
Enate Chardonnay Crianza 2007
Somontano, Espanha
Nota 9; R$ 130
Grand Cru (2511-7045)
Hochhemer Holle Riesling Kabinett Trocken 2007
Rheingau, Alemanha
Nota 9; R$ 132
Decanter (2286-8838)
Kilikanoon Mort’s Block Watervale Riesling 2005
Clare Valley, Austrália
Nota 9; R$ 99,75
Decanter (2286-8838)
Malhadinha Branco 2007
Alentejo, Portugal
Nota 9; R$ 128,60
Épice (3296-4724)
Pezas da Portela 2006
Valdeorras, Espanha
Nota 9; R$ 238
Península (2529-8983)
Saint Clair Pioneer Block Sauvignon Blanc 2008
Marlborough, Nova Zelândia
Nota 9; R$ 99
Grand Cru (2511-7045)
Sol de Sol 2005
Valle del Malleco, Chile
Nota 9; R$ 170
Zahil (3860-1901)
Colomé Torrontés 2007
Salta, Argentina
Nota 8,5; R$ 41,70
Decanter (2286-8838)
Grüner Veltliner Berg-Vogelsang 2007
Langenlois, Áustria
Nota 8,5; R$ 97,44
Mistral (2274-4562)
Knappstein Hand-Picked Riesling 2007
Clare Valley; Austrália
Nota 8,5; R$ 64
Wine Society (2286-3873)
Maître de Chais Heida du Valais 2007
Valais, Suíça
Nota 8,5; R$ 98
Vitis Vinífera (2235-3968)
Mitchelton Airstrip 2006
Victoria, Austrália
Nota 8,5; R$ 81
Wine Society (2286-3873)
Muscadet de Sèvre et Maine sur lies Domaine de la Pepiere 2008
Loire, França
Nota 8,5; R$ 45,50
Nova Fazendinha (2471-3654)
Quinta da Alorna Branco Reserva 2007
Ribatejo, Portugal
Nota 8,5; R$ 68
Adega Alentejana (2286-8838)
Villa Francioni Chardonnay Lote II
São Joaquim, Brasil
Nota 8,5; R$ 86
Villa Francioni (49 3233-3713)
Contempo Grillo 2006
Sicília, Itália
Nota 8; R$ 67
Grand Cru (2511-7045)
Maycas del Limarí Reserva Chardonnay 2007
Limarí, Chile
Nota 8; R$ 69
Enoteca Fasano (2422-3674)
Núbio Sauvignon Blanc 2008
São Joaquim, Brasil
Nota 8; R$ 41,70
Sanjo Vinhos (49 3233-0012)
Planalto Reserva 2006
Douro, Portugal
Nota 8; R$ 64
Zahil (3860-1901)
Las Brujas Sauvignon Blanc 2008
Las Brujas, Uruguai
Nota 7,5; R$ 36
Hannover (2259-9137)

Rosados:
Château de Porcieux 2008
Provença, França
Nota 8,5; R$ 97,18
Cantu (0300 210-1010)
Chocalán Rosé 2007
Vale do Maipo, Chile
Nota 8,5; R$ 48,30
Terramatter (3860-6565)
Pétale de Rose 2008
Provença, França
Nota 8,5; R$ 110
KB-Vinrose (3387-3036)
PradoRey Rosado 2007
Ribera del Duero, Espanha
Nota 8,5; R$ 57,55
Decanter (2286-8838)
Langenloiser Zweigelt Rosé 2006
Langenlois, Áustria
Nota 8; R$ 68,73
Mistral (2274-4562)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Recordar é viver

por Luciana Plaas

Vale a pena atualizar alguma lembrança de quando se era criança? Quando era pequena, meu pai costumava nos levar para almoçar no restaurante Albamar. Aproveitava todas as possibilidades que apareciam para isso. Bastava algum conhecido estar com um gringo hospedado onde quer que fosse, que ele dava um jeito de levá-lo para conhecer o restaurante. Por isso, me considerava uma frequentadora assídua do lugar. Lembrava-me do formato do prédio. Do elevador apertado. Do uniforme dos garçons. E da casquinha de siri.

O tempo passou. Meu pai não mora mais no Rio. O restaurante entrou em decadência. E eu nunca mais fui ao Albamar.

Até que, ano passado, novos proprietários assumiram a casa. E deram uma revitalizada no lugar. Desde então, tento ir ao Albamar, sem conseguir. A oportunidade veio nesta semana quando meu irmão, que não mora no Brasil, programou uma escala no Rio. E, entre um voo e outro, combinamos de almoçar. Nem titubeei! Era a hora de voltar ao Albamar.

De perto, tudo parecia igual. Mesmas cores, a mesma entrada e o mesmo elevador. Que bom! Fomos bem recebidos. As cadeiras continuam confortáveis. As toalhas mudaram. Precisava mesmo. Ficou simpático.


O couvert (R$6,00) veio sem que desse tempo nem de pedir. Embora opcional, eu nunca dispenso. Azeitonas, tâmaras, presunto, manteiga e pão fatiado. Bem sem graça, não emocionou. De entrada, escolhi a casquinha de siri (R$20,00). Muito gostosa. Meu irmão optou pelo menu degustação (R$65,00, quatro serviços).


O primeiro prato dele foi uma salada de trilha com pinoles e uma torrada. Bonita. Segundo ele, boa também. O próximo prato dele foi uma casquinha de camarão. Ele gostou.



Papo vai, papo vem. O vinho descia bem. Villa Francioni Rosé (R$52,00). Meu irmão me pergunta: "Não parece que essas pessoas sempre estiveram aqui?" Concordei. A impressão é de que as pessoas que frequentam o restaurante estão lá desde sempre.

Chegaram os pratos principais. O do meu irmão era um filé de congro rosa empanado, com purê de batata baroa e molho de tomate. Parecia sequinho. Ele achou bom. Escolhi o linguado a belle meunière, endívia e batatas (R$46,00). Nada de especial, mas bom. Exatamente como tem que ser.



A sobremesa do menu degustação era uma torta de frutas, linda, com creme inglês. Ele comeu tudo sem deixar nem uma gota do creme. Eu que ando sem fome por conta do calor, fiquei nas frutas da estação (R$16,00).



Ficamos lá um tempão. Foi muito gostoso. A vista continua estupenda. O menu ganhou leveza sem perder o estilo de sempre. No meu caso, valeu a pena sim, reviver uma memória de infância. Foi bom voltar ao Albamar. Mais pelo lugar até do que pela comida. Boa, mas nada de excepcional. Mas o fato é que agora posso seguir o exemplo do meu pai e arrumar qualquer pretexto para voltar lá.


Albamar
Praça Marechal Âncora, 186 - Centro
(21)2240-8378
www.albamar.com.br

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Molho de hortelã

por Luciana Plaas
Antes tarde do que nunca.

Demorei um pouco para dar essa receita que havia prometido, mas aí está:

Molho de menta:

Uma mão cheia de hortelã
2 colheres de sopa de água quente
2 colheres de chá de açúcar
2 colheres de sopa de vinagre

Lave as folhas da hortelã e escorra. Corte as folhas da hortelã bem
fininho. Coloque em um recipiente com o açúcar. Despeje a água e deixe
até que o açúcar dissolva. Adicione o vinagre e espere pelo menos uma
hora.

Fica perfeito com cordeiro, mas eu gosto de usar mesmo em outras carnes vermelhas.




Vinho da semana: Gramona Xarel.lo Font Jui 2005

por Alexandre Lalas
Gramona Xarel.lo Font Jui 2005
Penedès, Espanha
Branco de caráter, feito com a uva xarel.lo, de vinhas velhas e com baixo rendimento. O vinho é fermentado em madeira e estagia, com as borras, por dois meses em barrica de carvalho francês. Nariz intenso, com aromas frutados (pêra, maçã, tamarindo) e lácticos típicos da fermentação em barrica (manteiga, pipoca). Na boca, conserva o frescor, tem corpo médio, muita fruta e um final longo e com um agradável amargor. Combina com frutos do mar, como lagostins, e vai bem até com queijos cremosos.
Nota: 8,5
Preço: R$ 89
Onde: Casa Flora (2224-0826)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Nas alturas

por Alexandre Lalas
Quem viaja de TAP tem ao dispor, desde 28 de dezembro, uma nova carta de vinhos. Os 15 novos rótulos (que incluem dois espumantes, seis brancos, seis tintos e um vinho do porto) foram escolhidos por críticos portugueses em provas às cegas. Entre os destaques, o espumante Luis Pato Bruto, o branco Paulo Laureano Reserve 2007 e o tinto Monte da Cal Reserva 2008. Mas, atenção. Dos 15 vinhos da carta, apenas quatro estão disponíveis na classe econômica. São eles, Versátil e Quinta dos Grilos, ambos tanto brancos quanto tintos. Os outros estão disponíveis apenas aos passageiros que viajam de executiva.

sábado, 9 de janeiro de 2010

O construtor de adegas

por Alexandre Lalas

A família, animada, esperava o sujeito que realizaria o sonho da casa: o construtor de adegas. A mesa estava posta, a espera do visitante ilustre. Eis que toca a campainha. Na porta, um negro forte, de 1,90m de altura por outros tantos de largura.

- O que o senhor deseja; pergunta, um tanto assustada, a dona da casa.

- Vim falar com o Fulano de Tal. Sou o Djalma, o rapaz que veio fazer a adega; explica o homem.

Histórias como esta são contadas, sempre às gargalhadas, por este simpático sujeito, que ganha a vida garantindo a longevidade de muitas garrafas de vinhos: Djalma Santos, 53 anos, apesar do nome, não tem nenhum parentesco com o lateral bicampeão do mundo de futebol pela Seleção Brasileira em 1958 e 1962. É Técnico em refrigeração e, desde que começou a fazer adegas, lá se vão 15 anos, não parou mais. Começou pelas mãos do engenheiro e enófilo Hércules Perna. Logo, montou o próprio negócio. Que, segundo Djalma, há cinco anos só faz crescer. Se antes os fregueses eram endinheirados apaixonados por vinho e uns poucos restaurantes que investiam no armazenamento das garrafas, hoje a coisa explodiu. É cada vez mais comum ver famílias de classe média alta investirem na construção de uma adega própria.

E vale qualquer espaço para transformar o sonho em realidade. Djalma conta que já fez adegas em áreas mínimas: “uma vez fiz uma para um cliente em um espaço muito pequeno, de apenas 1,03 m2, embaixo da escada da casa dele”, garante.

O custo de uma adega feita sob medida pode variar de R$ 5 mil a R$ 7 mil, por metro quadrado, dependendo do material usado. A obra costuma levar entre 30 a 40 dias. Entre as adegas feitas recentemente por Djalma estão as dos restaurantes Blu e Salitre, na Barra da Tijuca, do Nao, em São Conrado, e do Lorenzo Bistrô, no Jardim Botânico. Esta última, feita embaixo da escada, em um espaço bem limitado. A que mais orgulha o simpático Djalma, no entanto, foi feita para uma pessoa física, em um condomínio em Mangaratiba, no Estado do Rio. É toda envidraçada, com garrafeira em aço escovado, paredes em pedra madeira e piso em brita branca e com madeira de demolição.

Mas para quem não tem tanto espaço assim e nem escadas onde possam ser construídas as adegas, Djalma tem a solução. Recentemente, desenvolveu um novo tipo de adega. Mais parece um armário de cozinha, fica no alto, preso na parede e tem 65 cm de altura por 65 de profundidade. Cabe até 700 garrafas.

Para quem tiver interesse em construir uma adega em casa, Djalma, que é fã dos vinhos espanhóis feitos com a tempranillo, recomenda cautela. Segundo ele, a pessoa precisa ter realmente amor pelo vinho para curtir o mimo. Djalma não gosta de fazer a obra na casa de pessoas que querem uma adega em casa apenas para impressionar os amigos. Se este não for o caso, o site de Djalma é www.djadegas.com.br.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Quente demais para pensar

por Luciana Plaas

Que calor! Impossível pensar em alimentos pesados com este tempo. É hora de comidas refrescantes. Como a Sopa de tomate fria do Rosmarinus, em Visconde de Mauá. Um primor. Suco de melancia também desce muito bem nessa época. Ou então, ostras. De preferência, bem acompanhadas por um Muscadet Sèvre et Maine sur Lie, porque ninguém é de ferro!

Outro prato bem gostoso nesta época é tartar. Seja de carne, atum, salmão e por aí vai. Experimentei o steak tartar do Alessandro & Frederico outro dia e estava delicioso. Massas leves, com molhos de tomate ou pesto caem bem. E saladas, claro. De preferência, bem coloridas.

Existe também uma febre na cidade. Os iogurtes congelados. Há cerca de dois anos atrás eram poucos, mas agora estão por toda parte. Modismo que não sei se dura tanto. Vide o que aconteceu com as temakerias que infestaram a cidade no verão passado. Mas por falar neles, comida japonesa é uma grande pedida no calor.

Tudo que for de fácil digestão está valendo. E vamos aproveitar os espumantes, rosados e os brancos. Se estiver com saudades de comer aquele pato laqueado do Mr. Lam, o restaurante tem uma versão light do prato. O pato é servido com salada e um molho especial do Mr. Lam.


E sorvetes, claro. De todos os tipos. Quem estiver pelo Leblon, durante a semana, não deixe de provar o picolé do Morais. Ele mesmo quem faz. Há vinte anos. Sempre com sabores diferentes, com as frutas da estação. Ele fica sempre na Ataulfo de Paiva, em frente ao número 566.

Agora, com licença, que eu também sou filha de Deus! Vou à praia, tomar uma água de coco, que além de hidratar, refresca.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O sítio das águas claras

por Luciana Plaas


Terminadas as festas, é hora de férias, descanso. Nada de agendar compromissos. Tempo para ler, dormir, passear ou mesmo não fazer nada. Então, recebemos um convite bem de acordo com nossos planos. Um sitio em Águas Claras, interior do Rio de Janeiro, perto de Pedro do Rio. Gostei até do nome do lugar. Me senti prestes a encarar uma das aventuras do Sitio do Pica Pau Amarelo. Tudo perfeito.

Mas como a perfeição não existe, acordei entrevada na manhã da viagem. Pescoço duro, tudo doía. Até mexer os olhos. Malditas comemorações. Mesmo assim, não deixamos de ir. Nosso anfitrião me deu esperanças durante a viagem dizendo que na casa haveria três médicos. Tudo o que eu queria era chegar. Fosse para descansar ou tomar algum remédio. Cinquenta quebra-molas depois, chegamos. Logo, os doutores me ofereceram a cura: uma taça de espumante. Mas depois de tratada com a medicina tradicional, foi só alegria.

Aproveitei a piscina. Comi punhetas de bacalhau, cação frito. Tudo antes do almoço. Que chegou com bobó de camarões, pargo assado. Mas as estrelas da refeição, para mim, foram o chuchu e o quiabo. Plantação local. Mais fresco impossível. Cortados bem miudinhos, que nem em casa de vó. As cozinheiras do sítio estão lá há gerações!



Quando acordei do cochilo da tarde, o povo já começava os preparativos para o churrasco noturno. Fiquei responsável por fazer o molho de hortelã. Nunca tinha feito, mas ficou bom. Outro dia darei a receita. Tivemos frango, costelinhas de cordeiro, cebolas cortadas em rodelas e bacalhau. Tudo na brasa. Molho vinagrete e o meu, de hortelã. O frango acabou rapidinho. As costelinhas estavam divinas também. Foi a primeira vez que comi bacalhau feito na churrasqueira. E quando o produto é de boa qualidade, não é necessário muita coisa para realçar o sabor. Com essa comilança toda, as garrafas não paravam de serem abertas. Gostei muito do italiano Sito Moresco 2006, de Angelo Gaja e do português Quinta do Cabriz Reserva 2005. Àquela altura, até a lua azul já estava ali.




No dia seguinte, encantada pelo lugar, rodeado por árvores, saí batendo fotos. Bromélias, um fruto que é uma espécie de noz, limões. E ainda pude provar uma das especialidade da cozinheira do sítio, a Iracema: o babalu. É um doce de mamão verde. Não sou fã de compotas. Mas experimentei. A textura foi o que mais me encantou. Molinho por dentro. Nem achei muito doce. Antes de voltar pra casa ganhei um vidro cheinho.

Foi muito bom sair um pouco do Rio. Respirar outros ares. Quando me dei conta já era dia quatro. Chegando ao Rio, mais tranquila, até senti necessidade de comprar um agenda nova. Acho que agora, finalmente, estou pronta para 2010.

French 75

por Alexandre Lalas

Eis a receita de um drinque bacaninha para enfrentar o calor do verão, retirada do livro Complete home bartender’s guide, de Salvatore Calabrese. É o French 75, criação de Henry, o barman do famoso Henry’s Bar, em Paris. O nome é em homenagem a uma arma usada pelos franceses na primeira guerra mundial. Gostoso e bem fácil de fazer.

A receita:

2cl de gim

2cl de suco de limão

Um borrifo de gomme syrup

Champanhe

Ponha todos os ingredientes, menos o champanhe, num shaker. Misture. Coloque a mistura em uma taça de champanhe. Encha a taça com champanhe. Mexa. Sirva-se e aproveite.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Os melhores do ano que passou

por Alexandre Lalas

Toda vez é a mesma coisa. Basta o final do ano chegar e surgem as listas com os melhores isso, os piores aquilo. As pessoas adoram. E, para não ficar de fora da festa, resolvi, pela primeira vez, premiar os destaques do ano. Mas, até para valorizar as escolhas, apenas três prêmios serão distribuídos: vinho do ano, barato do ano e vinícola do ano.

O vinho do ano é simplesmente o melhor vinho que bebi em 2009 e que esteja disponível no Brasil. Ficaram de fora, portanto, grandes vinhos de safras antigas que tive a sorte de provar ao longo da temporada; bem como amostras que ainda não foram lançadas e produtos estrangeiros que não têm importador por aqui.

O barato bom é aquele que melhor aliou preço à qualidade. Para ser mais justo, usei um método bem simples: dividi o preço de mercado do vinho pela nota obtida. Aquele que conseguisse o menor número final seria o eleito.

E para escolher a melhor vinícola do ano, foi levado em consideração a consistência e a qualidade do portfólio disponível no Brasil, e as possíveis novidades já a caminho.

Abaixo, os vencedores de 2009:


VINHO DO ANO:

John Duval Eligo Reserve 2005

Vale do Barossa, Austrália
Degustado em janeiro de 2009

Sempre que a história do vinho australiano é contada, o nome de John Duval tem que ser mencionado. O sujeito foi o responsável pela elaboração do Penfolds Grange, o grande ícone da terra dos cangurus, durante quase 30 anos. Quando, em 2002, saiu da empresa, John resolveu montar a própria vinícola: a John Duval Wines. No vale do Barossa, com uvas compradas de produtores que conhece há décadas, faz três vinhos: Eligo, Entity e Plexus. Todos excelentes. Mas o Eligo está um degrau acima dos demais. E o dono da primeira nota 10 da coluna ficou também com o título de melhor vinho do ano.


John Duval foi o enólogo responsável pelo australiano Penfolds Grange, um dos maiores vinhos do mundo, durante quase três décadas. No Chile, como consultor da Ventisquero, elaborou dois ótimos vinhos: Pangea e Vértice. Nos Estados Unidos, também desfila sua técnica. Mas é em sua vinícola, no vale do Barossa, que Duval produz seus melhores tesouros. Este Eligo (100%shiraz) é um espetáculo. Tem complexidade, intensidade, frescor, potência, elegância, fruta, madeira, persistência...tudo na medida certa. Um vinho perfeito.

Nota: 10
Preço: R$ 660
Onde: KMM (2286-3873)



BARATO DO ANO:


Miolo Fortaleza do Seival Viognier 2008

Campanha, Brasil
Degustado em dezembro de 2009

Encontrar um vinho que seja barato e tenha qualidade é o sonho dourado de qualquer consumidor. E lançar um produto que una as duas coisas, o desejo de todo produtor. No Brasil, muito por conta da nossa carga tributária, que flerta com o absurdo e da eterna burrocracia, que só atrapalha, fica quase impossível dizer que um vinho seja barato. Mas, comparativamente, há coisas bem interessantes. E entre as possibilidade, o que conseguiu o melhor índice (preço de venda dividido pela nota conseguida) foi este branco brasileiro, feito pela Miolo. E olha que a vinícola chegou a ter dúvidas se valia a pena ou não lançar o vinho. O motivo era a pouca disposição dos brasileiros em provar vinhos brancos. Ainda bem que a qualidade falou mais alto e a Miolo lançou este viognier de respeito.


É sempre muito agradável provar este branco. Em recente prova às cegas de viognier, conseguiu o sétimo lugar, entre treze participantes. E era, disparado, o mais barato do painel. Leve, fresco, fácil, com aromas florais e um toque vegetal. Bom no nariz, melhor na boca, perfeito como aperitivo ou com frutos do mar. Foi lançado no final de 2008, e o tempo garrafa fez bem a este vinho, que está ainda melhor do que à época em que chegou ao mercado.

Nota: 8,5

Preço: R$ 24,50
Onde: Miolo (3077-0150)



VINÍCOLA DO ANO:


Von Siebenthal

Vale do Aconcagua, Chile

Até 1998, o suíço Mauro Von Siebenthal era um advogado com um sonho: ter uma vinícola. Onze anos depois, possivelmente nem o próprio Mauro poderia imaginar quão longe se pode sonhar. Neste ano, Jay Miller, colaborador de Robert Parker na América do Sul, elegeu a Von Siebenthal como a melhor vinícola do Chile. No vale do Aconcagua, em Panquehue, área semidesértica entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes, estão espalhadas as vinhas de cabernet-sauvignon, cabernet franc, carmenère, merlot e petit verdot da Viña Von Siebenthal. E destas uvas, saem alguns dos melhores vinhos chilenos da atualidade. Toda a linha de vinhos é de qualidade superior. O Montelìg é referência quando se fala em elegância chilena. O Toknar é um esplendor de vinho, que coroou a ousadia em apostar em uma uva como a petit verdot para um vinho varietal. E, como se o portfólio já não fosse bom o bastante, a Von Siebenthal ainda deu-se ao luxo de lançar um novo ícone: o Tatay de Cristóbal, ainda não disponível no Brasil, e que levou a carmenère a um patamar ainda desconhecido. No Brasil, a vinícola é representada pela Terramatter (3860-6565).

Vinhos da Von Siebenthal:

Parcela #7 2006

Corte de cabernet-sauvignon, merlot, cabernet franc e petit verdot, bem ao estilo bordalês. Nariz intenso, com notas de frutas vermelhas maduras, um toque de especiarias, alcaçuz e café. Na boca, taninos doces, maciez, equilíbrio, frescor, médio corpo e um final bastante prazeroso.

Nota: 8,5
Preço: R$ 85,10
Degustado em novembro de 2009

Carmenère Reserva 2006

Tinto de qualidade feito com a carmenère, cortada com 10% de cabernet-sauvignon. Nariz intenso, com notas de cereja, cassis, pimenta e um leve toque mineral. Na boca, fruta, frescor, elegância e taninos presentes.

Nota: 8,5
Preço: R$ 85,10
Degustado em abril de 2009

Carabantes 2003

Corte de syrah (85%), cabernet-sauvignon (10%) e petit verdot (5%), prontinho para beber. No nariz, frutas negras e um toque de especiarias. Na boca, redondo, fino, macio, longo e com ligeiro amargor no final.

Nota: 9
Preço: R$ 155,25
Degustado em abril de 2009

Montelìg 2004

Foram feitas apenas pouco mais de 7 mil garrafas deste corte de cabernet-sauvignon (65%), petit verdot (25%) e carmenère (10%), um dos melhores tintos do Chile. Longe de ser uma bomba aromática, é elegante e intenso no nariz, com notas de cassis, azeitona, chocolate, café, baunilha e couro. Na boca, combina força com classe, é macio, harmônico, de bom corpo e final longo e arrebatador.

Nota: 9,5
Preço: R$ 322
Degustado em junho de 2009

Montelìg 2005

Montelìg é a mistura de “monte”, com “lìg”, palavra indígena pré-inca que significa luz. Envolvente como a luz, aristocrático como as montanhas andinas, este tinto, corte de cabernet-sauvignon (60%), petit verdot (30%) e carmenère (30%) é ainda melhor do que o seu irmão da safra 2004. Superior, mas coisa pouca. Ambos são grandes vinhos, ícones da vinícola e símbolo do que o Chile pode fazer de melhor em matéria de vinhos.

Nota: 9,5
Preço: n/d no Brasil
Degustado em julho de 2009

Toknar 2005

Este é um vinho que merece toda a atenção, produzido com a petit verdot. Tinto robusto, repleto de estrutura, tanino, acidez e caráter. Se a idéia for comprar e beber, decante. Mas vale a pena guardar essa joia por, pelo menos, mais um par de anos.

Nota: 9,5
Preço: R$ 399
Degustado em maio de 2009

Tatay de Cristóbal 2007

Vinho ícone da Von Siebenthal, lançado em 2009, ainda a caminho do Brasil. É um corte de carmenère (90%) e petit verdot (10%). E que põe a uva símbolo do Chile em outro patamar. No nariz, mais parece um amarone. Aromas de ameixa madura, balsâmico, café. Na boca, é enorme, denso, concentrado, interminável. Um vinho para tomar com calma. E cabe guardá-lo por um bom período. Ainda tem muito que oferecer.

Nota: 9,5
Preço: n/d no Brasil
Degustado em dezembro de 2009

Natural, saudável e gostoso

por Luciana Plaas

Fim de ano rima com excessos. É um doce aqui, um chope acolá. E como nessa época os exageros são inevitáveis, nada melhor do que nos prepararmos para perdermos os quilinhos a mais que por ventura resolverem aparecer. Com esta ideia na cabeça, fui, nesta semana, ao Universo Orgânico. Um restaurante diferente, especializado em alimentação viva. Mas que diabos vem a ser isso?


Muita gente pensa que essa alimentação se resume simplesmente em salada crua. Se fosse apenas isso, a Tiana não precisaria ter estudado tanto. Foram 11 anos nos Estados Unidos onde se formou na Natural Gourmet School, em Nova York. A coisa, na verdade, é um pouco mais do que isso. Pra começar, eles só trabalham com produtos frescos e orgânicos. O que não é cru, é cozido à temperatura máxima de 40º C. O objetivo é preservar as enzimas e os nutrientes. Assim, sustenta Tiana, eliminamos com mais facilidade e de forma eficaz os resíduos e toxinas acumulados em nosso organismo. Como perdemos menos tempo com o processo digestivo, sentimos um aumento de disposição. Ela garante que cada ingrediente industrializado ou artificial pode ser substituído por outro natural. A chef não usa nenhum produto de origem animal. O leite, por exemplo, é de castanha.


Para começar, pedimos sucos. A casa é campeã neste quesito. O mais famoso é o da Luz do Sol. Trata-se de um suco a base de maçã, hortaliças e grãos germinados. É bem leve, mas não é dos que mais gosto. Por isso, escolhi o Violeta (R$ 6,30). Nada mais é do que beterraba, cenoura, maçã e linhaça germinada. Alexandre escolheu o Azul (R$ 6,90). É um suco de mirtilo com tangerina, que, apesar do nome, nada tem da cor azul. O preço pode parecer alto para um suco, mas vale a pena. Ambos estavam maravilhosos.

Escolhemos os pratos. Fui de lasanha de abobrinha, berinjela linhaça dourada com ricota de macadamia e molho de tomate (R$24,90). Alexandre escolheu o rondelli de espinafre e linhaça dourada recheado de creme de espinafre, e molho branco de castanha de caju e limão (R$26,90). O meu estava bastante colorido, como todos os pratos da casa. Estava bom, mas nunca consigo chegar ao final do prato quando como no Universo Orgânico, por mais faminta que esteja. Sempre fico satisfeita antes de acabar. Alexandre gostou do que pediu, mas achou o molho um pouco enjoativo.

De sobremesa, seguimos a sugestão do Eder, garçom da casa, e pedimos a mousse de maracujá (R$8,90). É feita com leite de castanha e não leva açúcar nenhum. Estava uma delícia e super leve.


Tudo bem que no começo do ano as pessoas estão mais dispostas a levar uma vida mais saudável. Por si só, este desejo já é motivo suficiente para uma visita ao Universo Orgânico. Mas não é só quando queremos mudar os nossos hábitos alimentares que vale a pena comer lá. A comida é boa, os sucos são ótimos e saímos de lá com a sensação de termos feito uma refeição, acima de tudo, boa para o nosso organismo.

Serviço:

Universo Orgânico Produtos Orgânicos e Alimentação com Vida

Rua Conde de Bernadote nº 26 / Lojas 105 e 106 Leblon - Rio de Janeiro - RJ

Tels: 3874-0186/2274-8983