sexta-feira, 2 de abril de 2010

O fabuloso vinho de Nicolas Joly

por Alexandre Lalas


Nicolas Joly costuma dizer que “um vinho não deve apenas ser bom, mas ser sincero e refletir as sutilezas do lugar de origem”. Um dos principais nomes da viticultura biodinâmica, o francês é responsável por elevar a chenin blanc a um patamar antes desconhecido. Com a uva, faz um dos melhores vinhos brancos do planeta, o Clos de La Coulée de Serrant, cujos sete hectares de vinhas foram plantados pelos monges cistercienses em 1130.

A agricultura biodinâmica é baseada em métodos ancestrais que remontam à Idade Média. As influências do sol, da lua, das estrelas, dos animais, do meio ambiente, tudo é respeitado. E o uso de todos os fertilizantes químicos, pesticidas e fungicidas é radicalmente abolido. Segundo Joly “o uso de herbicidas faz com que a planta necessite cada vez mais do uso de outros herbicidas e fertilizantes químicos ainda mais fortes, num ciclo parecido com o de um viciado em drogas”. Para evitar doenças, Joly costuma, anualmente, pulverizar sobre as vinhas uma pequena quantidade de enxofre e outra de uma mistura de cal e cobre. Segundo ele, o enxofre tem um efeito benéfico, principalmente quando as vinhas estão em flor.

Embora para algumas pessoas o conceito de biodinâmica seja apenas uma forma de marcar uma posição simpática e politicamente correta em um mundo dominado por uma competição cada vez mais feroz, o fato é que os vinhos de Joly falam por eles. São bons pacas. E caros. No Rio, o sommelier Pedro Dias, do D’Amici, quando reformulou a carta de vinhos do restaurante incluiu uma vertical de Clos de La Coulée de Serrant. Estão disponíveis no restaurante as safras de 1973, 1989, 1990, 1994, 2004 e 2005. Os preços variam entre R$ 920 e R$ 2.430. Parece caro. E é. Mas sorte de quem pode pagar.

sábado, 27 de março de 2010

É dia de feira

por Luciana Plaas

Todo o dia é dia de feira. Literalmente. É só conferir a lista das feiras com as respectivas ruas e bairros. Está no site www.horti.com.br/home/guias/feiraslivresrj.htm. Ou seja: dá para ir à feira todos os dias.

Eu adoro. Desde pequena, quando ia com a minha mãe. Tinha um biscoito, que eu adorava, e que só havia na feira. Já mais velha, quando passei uma temporada em Hamburgo e me sentia um pouco sozinha, ia até uma feira dar um passeio. Anos mais tarde, cheguei a morar em uma rua que tinha feira todos os sábados, no Jardim Botânico.

O clima da feira independe do país, é universal. Existe todo um movimento e até uma linguagem que só se encontra por lá. É claro que, em tese, vai-se à feira para comprar alguma coisa. Mas a gente acaba se distraindo com as cores, perfumes, vozes e, em algumas feiras, até música. E quando você se dá conta, o carrinho já está cheio, só falta provar a melancia e decidir se vai ou não levar aquele peixe que está te olhando fixamente.

Tenho uma amiga, uruguaia, que vai à feira todos os sábados, na rua Paula Barreto. Ela me contou que já nem precisaria mais ir até lá. O feirante com quem ela compra há anos, entrega tudo em casa. Mas como ela se acostumou com este ritual, vai até lá, bate um papinho, olha o que tá mais bonito, prova alguma coisa, escolhe e aí sim, pede ao feirante que leve tudo até a casa dela.

Por mais que o clima descontraído que rola na feira faça parecer que tudo aquilo é uma bela bagunça, não é exatamente assim que a banda toca. Somente pessoas autorizadas pela Prefeitura podem montar as barracas nas feiras livres. E tem mais: se o feirante faltar um determinado número de vezes, perde a permissão do comércio. A coisa é seria. São necessários também certificados de posse e vistoria sanitária do veículo utilizado para o transporte das mercadorias. Sem falar na disposição para madrugar para comprar os produtos. Portanto, chegando cedo ou só na hora da xepa, tudo bem. O importante é ir à feira. No dia em que melhor lhe convier. Afinal, todo dia é dia de feira.

O vinho em caixa

por Alexandre Lalas

Em 1965, o australiano Tom Angove teve uma excelente ideia: acondicionar vinhos dentro de uma caixa. Encheu bexigas de polietileno de 4,5 litros com vinhos e as colocou dentro de uma embalagem de papelão. Era o nascimento dos vinhos em bag-in-box. No começo, a coisa ainda era complicada. O consumidor tinha que furar a bexiga, derramar a quantidade desejada e vedar a tampa com um equipamento especial. Dois anos depois, outro australiano, Charles Henry Malpas patenteou uma espécie de plástico embalado a vácuo, com uma torneira que fica para o lado de fora, o que facilitou imensamente o trabalho dos consumidores. Estava aberto o caminho para o vinho em caixa, o bag-in-box.

Na Austrália, país de nascimento da embalagem, o bag-in-box reina soberano. Se não tem o mesmo glamour de uma bonita garrafa, a tal caixa é prática até dizer chega. Para quem bebe sozinho em casa, e raramente mata a garrafa inteira, é uma excelente solução. O vinho pode ser guardado na geladeira mesmo. E dura por meses. Isso acontece porque a embalagem a vácuo evita a oxidação do vinho. Portanto, a pessoa pode servir-se de uma taça durante a refeição, sem o risco de que o vinho estrague. Para restaurantes, bares e afins, a caixinha também é uma mão na roda. Por preservar bem a bebida, é a solução ideal para incrementar a venda de vinhos em taça, reduzindo bastante o desperdício.

Mas, mesmo com todas estas vantagens, o vinho vendido em bag-in-box é pouco consumido pelo brasileiro. São muitas as razões. Em primeiro lugar, preconceito e desinformação. Além da falta de glamour, a caixa de papelão não é esteticamente grande coisa. Mas a praticidade compensa e muito a falta de charme. Outro motivo é mais complicado. Quando as primeiras embalagens de bag-in-box foram comercializadas no Brasil, a qualidade dos vinhos ali acondicionados era sofrível. Era a raspa do tacho da produção. Isso provocou uma associação da embalagem com bebida ruim.

Hoje em dia, algumas vinícolas nacionais já oferecem um vinho potável em bag-in-box. Ainda poderia ser melhor. É evidente que ninguém espera que um grande vinho, top de linha, com largo potencial de envelhecimento, seja comercializado na caixinha. Mas vinhos melhores poderiam ser vendidos na embalagem, e não apenas os de entrada de linha das vinícolas. Um aumento na qualidade do que é vendido dentro do bag-in-box poderia ser a alavanca que falta para que este tipo de vinho finalmente consiga o lugar que merece no mercado nacional.

sábado, 13 de março de 2010

Em defesa da caipirinha

por Alexandre Lalas

Na década de 1990, quando trabalhava no Brasil, o norte-americano Steve Luttmann adorava beber caipirinha no Leblon. Já naquela época, não entendia a razão de muitos brasileiros preferirem o drinque com outra bebida que não a cachaça. Apaixonado pelo destilado de cana produzido no Brasil, em 2005, Steve resolveu montar o próprio alambique. Em homenagem ao bairro onde costumava bebericar sempre que podia, batizou a marca com o nome Leblon.

O americano comprou plantações de cana, montou uma moderna destilaria, e, para conduzir o processo de destilação, contratou o francês Gilles Merlet. Acostumado a produzir conhaques, Gilles exigiu total liberdade de ação. Exigência concedida, o francês trouxe velhas barricas de carvalho de mais de 30 anos usadas na produção do conhaque para descansar a cachaça recém destilada. Segundo ele, esta madeira agrega riqueza aromática e maciez sem mascarar o suave cheiro e gosto de cana.

A intenção era criar uma cachaça superpremium, de qualidade superior, que pudesse elevar o destilado brasileiro a outro patamar, principalmente no mercado exterior. De fato, 95% da produção da Leblon são comercializadas fora do Brasil. E, disposto a abrir ainda mais as portas do mundo para a bebida, Steve comprou diversas brigas. Nos Estados Unidos, a cachaça entra com o nome de brazilian rum. Com abaixo-assinados, estudos e muita insistência, Steve está conseguindo com que os norte-americanos revejam este posicionamento.

Mas a próxima briga será travada no mercado brasileiro mesmo. A Leblon está iniciando uma campanha chamada “salve a caipirinha”. A intenção é fazer com que o nome caipirinha seja usado apenas para bebidas feitas a base de cachaça. Afinal de contas, não tem cabimento que o drinque, brasileiríssimo por excelência, e eleito um dos dez mais importantes coquetéis do mundo por uma influente revista inglesa, seja, em território brasileiro, preparado com outros destilados que não a cachaça.

A campanha toca em um ponto importante da personalidade nacional: o preconceito que os próprios brasileiros ainda têm pela cachaça. É claro que a situação melhorou de alguns anos para cá. Mas, ainda hoje, mesmo muita gente informada trata a bebida com desdém. E termos como “cachaceiro” e “pinguço” são usados para definir pessoas viciadas em álcool. Claro que não é por acaso. E a grande vilã dessa história é a cachaça ruim.

Mas não adianta apenas separar a cachaça feita artesanalmente daquela produzida industrialmente. Não é apenas pelo fato de o produtor ser pequeno e o alambique caseiro que a cachaça será boa. É fato que as marcas industriais apresentam, na imensa maioria das vezes, uma qualidade sofrível. Mas muitas cachaças artesanais são igualmente ruins. É preciso que o setor se organize e os bons produtores possam aprovar medidas de controle de qualidade a fim de separar o joio do trigo. E, assim, poderem levar uma informação melhor do que é comprovadamente bem feito ao consumidor. Esta é, provavelmente, a única forma de a cachaça ser vista com outros olhos não apenas por uma minoria informada, mas pela grande maioria do povo brasileiro. Aí sim evitaremos que a nossa caipirinha, um dos mais conhecidos drinques do mundo, seja preparada com outra bebida que não uma nacionalíssima cachaça fina de alambique.

sexta-feira, 12 de março de 2010

É duro mandar voltar

por Luciana Plaas

Há algum tempo atrás fui almoçar em restaurante, recém inaugurado, com uma amiga. Ela pediu um maçarão estilo Asiático. Todos os ingredientes estavam descritos no cardápio. O gengibre era um deles. Quando o prato chegou, ela provou e pediu para chamar o gerente. Sem titubear disse: “não gostei, tem gengibre e não gostei do gosto final”. O gerente, muito solícito e paciente disse: “mas está escrito no menu que o prato leva gengibre”. A esta altura eu já estava quase embaixo da mesa. Ele ofereceu que o prato fosse feito sem gengibre e ela aceitou, toda satisfeita. Fim de papo. Depois fiquei pensando que o tal gerente realmente foi bastante gentil, até porque não teria a menor obrigação de aceitar o prato de volta. Afinal de contas, o erro foi dela, um típico caso de gosto pessoal dela, talvez uma falta atenção na hora de escolher o prato.

Um outro dia, fui almoçar no Adegão Português, do Rio Design, na Barra. Pedi um dos pratos executivos, o bacalhau a Gomes de Sá (R$ 39,50). Quando chegou, não havia como comer o prato. O bacalhau estava duro e seco. Deixei de lado. Fiquei pensando no que fazer. Comi um pouco do bacalhau ao Brás (R$ 39,50) que o Alexandre havia pedido, para aplacar a fome. Não que estivesse grande coisa, não estava mesmo. Mas, pelo menos, era passável. Quando o garçom chegou para recolher os pratos, me perguntou se eu não havia gostado do prato. Disse exatamente o que achara do peixe: duro e seco. Só de olhar, ele concordou que o bacalhau passara do ponto. Fim de papo novamente. Pedi uma sobremesa para não ficar com mais fome, já que o prato não pude comer. Na hora da conta, ele nos avisou que a amarginha que o Alexandre havia pedido foi cortesia. Veja só, eu que fiquei com fome e ele que ganha agrado!

Embora eu não tenha mandado voltar o bacalhau, se o fizesse, teria toda a razão. O prato estava malfeito. Ao contrário do que aconteceu com minha amiga, que não percebeu que havia um ingrediente no prato que ela não gostava, com meu bacalhau a história era outra. Em suma, paguei por algo que não comi. E, tão ruim quanto o prato, foi perceber que nem o gerente, nem o maître e nem o chef se dignaram a ir na mesa para saber o que teria acontecido.

O fato de o prato estar no cardápio executivo de almoço, não dá direito ao restaurante de servir um bacalhau duro, seco, passado do ponto, com cara de velho. Em suma, bem malfeito. Quando uma pessoa cozinha, em tese, a intenção é que o conviva fique satisfeito com a comida. Se um prato volta intocado, como foi o caso, a insatisfação deveria ser também do chef. Pelo menos, deveria ser assim. Afinal, é a comida que ele preparou que não agradou a quem pagou (um preço nada barato diga-se de passagem).

Tenho um amigo que, quando não gosta do prato, é curto e grosso. Manda o garçom levar a comida da mesa sem dar espaço para discussão. Mas, em suma, a decisão de mandar voltar ou não um prato é sempre pessoal. Por mais que o cliente tenha – ou não – razão.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tempo de recomeçar

por Alexandre Lalas


Santiago do Chile, 27 de fevereiro, 3h30 da madrugada. Quando a natureza, mais uma vez, mostrou o quanto pode ser devastadora, Derek Mossman Knapp, enólogo e dono da Garage Wine e Co., dormia em casa com a mulher e os filhos. Então, de repente, as janelas tremeram, a terra gemeu e a cidade acordou apavorada. Derek e a mulher pegaram os filhos e, mesmo mal conseguindo ficar de pé, arrastaram-se para fora da casa que parecia que ia ruir. Durante dois minutos, protegeram-se no batente da porta. Quando tudo parou, foi-se embora a eletricidade.

No dia seguinte, foi hora de arrumar a bagunça. Na William Fèvre, vinícola em que faz os seus vinhos no Alto Maipo, o panorama que Derek encontrou era terrível. Tanques avariados, barricas rompidas, falta de ventilação e eletricidade, garrafas quebradas e o piso com uma cor púrpura sangrenta e que tornava o cenário ainda mais assustador.

O Chile é um dos principais países produtores de vinho do mundo. O Brasil é um mercado importante para os chilenos. Ainda mais depois da crise financeira que provocou a queda das vendas para mercados como o inglês e o americano. O vinho mais bebido em nosso país é o chileno. E, embora não possamos dimensionar a tragédia em número de garrafas quebradas, tanques avariados ou litros perdidos, o fato é que a indústria chilena sofreu um forte abalo por conta do terremoto. As primeiras estimativas são de que 12,5% da produção foram afetadas. Grandes vinícolas como Concha y Toro, Santa Rita e Montes sofreram grandes prejuízos. Mas foram os pequenos produtores, que fazem vinhos artesanais, em quantidades mínimas, os que mais sofreram com o desastre.

As duas zonas mais afetadas pelo tremor foram Bío-Bío e Maule. Nestas regiões, o vinho é um importante ator na economia e um dos principais responsáveis pelo crescimento econômico registrado nos últimos anos. Ali, a situação foi ainda pior. Os primeiros relatos, ainda um tanto desencontrados, falam em vítimas entre os trabalhadores da Reserva de Caliboro, vinícola que produz o Erasmo. A Gillmore, outra importante bodega do Maule também teria sofrido sérios danos, inclusive com rachaduras em edificações.

Sven Bruchfeld, da Polkura, disse para a Wine Spectator que perdeu 50% da produção do shiraz que produz. Falou ainda que a maioria dos tanques de aço inox desabou. Por conta disso, ele declarou não ter a menor ideia de como fazer com as uvas da colheita de 2010. “Milhões de litros estão no chão, foi terrível, um enorme dano para a indústria”, afirmou Sven.

Mas apesar do caos e do desespero, o Chile irá reagir. “Iremos reconstruir tudo o que Mãe Natureza quebrou no sábado. Vamos reconstruir telhado por telhado, cidade por cidade, indústria por industria, barril por barril”, garante Derek. E de certa forma, todos podem ajudar. Mesmo que seja comprando uma garrafa de vinho chileno.

sábado, 6 de março de 2010

Simplesmente, Mister Lam

por Luciana Plaas


Mal o fogo foi descoberto, os chineses começaram a cozinhar. Apesar de rica e tradicional, a culinária chinesa, no entanto, não costuma revelar chefs consagrados internacionalmente. Ou, pelo menos, os nomes dos grandes cozinheiros. Exceção à regra é o sempre simpático Mr. Lam. Simples e discreto, ele é quem comanda a cozinha do restaurante epônimo no Jardim Botânico. Para dar ainda mais tipicidade à comida, importou toda a equipe da cozinha direto de Hong Kong.

Em entrevista ao Gastronomia & Vinhos, Mr. Lam conta um pouco da trajetória pessoal, dos gostos e das impressões que tem do Brasil e dos brasileiros.

China
Quando terminei o ensino fundamental, por volta de 1960, aos 14 anos, não havia muito mais o que fazer. Eu morava em Hong Kong, com meus pais. Eles trabalhavam com comida, e aprendi a cozinhar com eles. Aos 16, comecei a trabalhar em restaurantes e, desde então, nunca mais saí da cozinha.

Londres
Quando Michael Chow abriu um restaurante em Londres, em 1968, fui um dos seis chefs contratados para trabalhar na casa. Eu tinha 22 anos. O restaurante caiu nas graças dos ingleses e fiquei 11 anos trabalhando lá. O que eu mais cozinhava era porco. Só saí quando Mr. Chow me convidou para abrir o restaurante dele em Nova Iorque.

Conquistando a América
Fui para Nova Iorque em 1979. Trabalhei no Mr. Chow até 2005, mas moro até hoje na cidade, embora não consigo gostar do inverno de lá. Faz muito frio, as pessoas não saem de casa, ficam vendo televisão o tempo todo. Além do mais, mal consigo cuidar da minha horta.

Eike Batista e o Mr. Lam
Não foi a primeira vez que recebi um convite para cozinhar em outro país. Mas foi a primeira vez que tive um reconhecimento como este. Não sou apenas o chefe, também o restaurante tem o meu nome. É muito raro você saber quem é o chefe de um restaurante chinês. Esse é o reconhecimento pelo trabalho que faço há 49 anos.

O Rio e os brasileiros
Vim para conhecer o Rio de Janeiro e passei uma semana. Achei estranho a ausência de restaurantes chineses na cidade. Quando finalmente aceitei o convite para abrir o restaurante, passei um período grande aqui. Fiquei nove meses. Eu gosto muito de vir para o Brasil. Especialmente quando é inverno em Nova Iorque. Percebi que os brasileiros gostam muito de pato. Aliás, não só os brasileiros, mas os sul-americanos adoram a ave. O prato mais pedido no restaurante é o pato laqueado. No começo, tive dificuldade com os fornecedores. Recebia apenas patos muito pequenos, e para fazer o prato, precisava de aves mais gordinhas. Hoje em dia tenho dois fornecedores que resolveram o meu problema. Outra coisa que os brasileiros gostam muito é de camarão. Mas acho curioso que aqui prefiram o crustáceo um pouco mais bem passado em vez de ao ponto. Outra coisa que acho engraçado é que, ao contrário dos ingleses, os brasileiros pedem muito pouco porco. Mesmo tendo a feijoada como prato nacional!

Lugares
Adoro a pizza do Brás. Até fiquei amigo do Dudu (Eduardo Cunha), um dos sócios da casa! Mas também gosto muito do Antiquarius, do Gero e do Porcão Rio's.

Equipe e adaptação
Todo mundo que trabalha na cozinha do Mr. Lam, eu trouxe de Hong Kong. Preferi assim para que a comida ficasse bem característica. No início, a comunicação com a equipe do salão era complicada. Mas agora a coisa melhorou e todos no Mr. Lam estão aprendendo inglês. Mas mesmo eu, quando vou comer fora, também tenho dificuldades. Outro dia, pedi um copo para a minha esposa em um restaurante no Rio, o garçom não conseguia me entender de jeito nenhum. Quando achei que ele tinha compreendido, ele voltou com uma garrafa! Em muitos restaurantes, a grande maioria da equipe não fala inglês.

A família
Minha família vive em Nova Iorque. Meus filhos estão crescidos e todos trabalham. Nenhum no ramo da culinária. Somente minha filha mais nova gosta de cozinhar e faz bolos gostosos. Quando estou no Brasil sentem falta da minha comida. Cozinhava todos os domingos, que é meu dia de folga. Gosto de fazer massa com frutos do mar, curry indiano, não faço somente comida chinesa. Minha esposa faz Tai Chi Chuan diariamente. Já fiz também, acho muito bom. Mas eu gosto mesmo é de cuidar da minha horta, isso me mantém bastante ocupado.

Sabedoria chinesa
Costumo dizer que se você faz um prato e sente vontade de comê-lo, certamente o cliente vai ficar satisfeito. Quando a pessoa cozinha, ela precisa colocar o coração no que está fazendo.

Mr. Lam
Rua Maria Angélica, 21 - Lagoa
Tel: (21)2286-6661
www.mrlam.com.br

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

47 anos de tradição

por Luciana Plaas
São poucos os restaurantes que completam dois anos de aniversário funcionando a pleno vapor. Dez anos, é raríssimo, caso clássico de sucesso absoluto. O que dizer então de uma casa que beira os 50 anos, que vive cheia e com a mesma proposta de quando foi aberta? Estou falando do Alvaro´s, um dos mais tradicionais restaurantes do Rio de Janeiro.

Nem bem sentamos e já pedi os famosos pasteis. Camarão (R$ 3), queijo (R$ 3), catupiry (R$ 3,50) e carne seca com catupiry (R$ 3,50). Pedimos dois de cada. Chegaram bem rápido, para minha alegria. Preferi o de catupiry. Alexandre elegeu o de carne seca. Com a fome controlada, prestei mais atenção ao lugar. Os garçons usam paletó creme com gola azul e gravata. Todos com uma postura impecável. Alguns estão lá há quase 40 anos. O que nos atendeu era novo na casa. Trabalha lá há apenas 16 anos.

Como prato principal, resolvi pedir o que comia lá quando eu era criança. Polvo à Provençal com arroz de brócolis frito com champignon, alho e salsa. (R$58). Veio super rápido também. Estava do jeito que me lembrava. O champignon é ele mesmo, o legitimo. Continuei observando nosso garçom a nos servir. Com duas colheres em uma das mãos consegue arrumar tudo com primor no prato. A essa altura o restaurante fervia. Um barulho enorme. Todo mundo falando ao mesmo tempo. Mesmo assim deu pra notar os quadros. Ainda da época que o whisky era a bebida preferida. Um me chamou a atenção. Informa que é proibido fumar cigarrilhas, charutos ou cachimbos!

Se a ideia for comer algo bem tradicional e até meio que fazer uma viagem no tempo e sentir o clima dos anos 1960, esse é um dos lugares certos. Cardápio que vai do melão com presunto à goiabada com catupiry. E tem até canja de galinha. Além da língua com molho madeira. Feijoada no sábado e cozido no domingo. E o clássico medalhão com arroz a piemontese. Vale lembrar que as porções são fartas e dão para dois tranquilamente.

De sobremesa pedi quindim (R$5) e o Alexandre, Creme de Papaya. (R$10). Meu quindim estava um espetáculo. E o dele mais tradicional impossível.

Meu vizinho de mesa pediu um picadinho. Cresci o olho e fiquei com tanta vontade que voltei ao restaurante no dia seguinte para comer o prato. O ovo vem com gema bem molinha e a banana em cima da carne (R$ 48). Estava divino, como imaginei. A banana frita é gordinha, cortada no meio. A carne, tenra e com gosto de ser feita na manteiga. Valeu a pena ter ido.

Um único senão, mas nada a ver com o Alvaro's. Infelizmente, minha câmera resolveu para de funcionar em pleno carnaval. Quebrou e não houve jeito de consertá-la. O jeito foi improvisar. Só teve foto mesmo do picadinho, tirada do telefone do Alexandre.

Voltando ao Alvaro´s, o restaurante vive cheio. Há 47 anos. O segredo? Melhor ir lá pra conferir.

Serviço:
Álvaro's Bar e Restaurante
Rua Ataulfo de Paiva, 500
Tels: (21)2294-2148/2294-2194

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Independente Futebol Clube

por Alexandre Lalas

No Chile, em uma tarde quente de junho do ano passado, doze pequenos vinhateiros, apaixonados pelo bom vinho, resolveram dar um basta, um grito de independência. Em uma indústria cada vez mais impessoal, dominada pela tecnologia e refém das leis de mercado, onde grandes conglomerados dividiam o espaço com endinheirados investidores, verdadeiros mecenas do vinho, este pequeno grupo de idealistas decidiu que era hora de fazer barulho. Uniram as forças, arregaçaram as mangas e assim nasceu o MOVI (Movimento de Vinhateiros Independentes).


O MOVI é, de longe, a melhor notícia que aconteceu no panorama vinícola chileno nos últimos tempos. Mal nasceu, já cresceu, encorpou. À dúzia que criou o movimento, se juntaram outras quatro vinícolas. Em comum a elas, o compromisso com a independência e a busca por vinhos que reflitam o caráter e a identidade da terra e do local de onde vêm.

E ainda há outros compromissos que os sócios do MOVI precisam cumprir. Não pertencer ou manter laços com investidores ou poderosos grupos econômicos é uma condição primordial para a vinícola interessada em ingressar no movimento. Ter produção pequena e necessariamente voltada para a qualidade é outro ponto importante. E quanto mais pessoal e humano for o vinho, melhor.

Fazem parte do MOVI as seguintes vinícolas: Bravado Wines, Clos Andino, Flaherty, Garage Wine Co., Gillmore, Hereu, I Latina, Meli, Polkura, Reserva de Caliboro, Rukumilla, Sigla, Starry Night, Tipaume, Trabun e Von Siebenthal.

O casal Constanza Schwaderer e Felipe García, pais do tinto Facundo e do branco Marina, eleito pelo Guia de Vinhos do Chile como o melhor sauvignon blanc do país no ano passado, pilotam a Bravado Wines.

Outra estrela da companhia é a Von Sibenthal. Dona de um portfólio invejável, é considerada por muita gente (eu, inclusive) a melhor vinícola chilena da atualidade.

A Reserva de Caliboro, do conde italiano Francesco Marone Cinzano, produz apenas um vinho, o Erasmo, tinto de corte, feito no Vale do Maule e um dos mais elegantes vinhos do país.

A Polkura produz poucas garrafas de um syrah de qualidade feito em Marchigüe, no vale do Colchágua.

Ed Flaherty é enólogo da Viña Tarapacá e um dos principais responsáveis pelo salto de qualidade que a vinícola deu nos últimos anos. Em paralelo, toca um projeto pessoal, junto com a esposa, Jen Hoover: a Flaherty Wines. O vinho, um corte de syrah e cabernet-sauvignon, é um espetáculo.

Sigla é um projeto dos enólogos Cecilia Guzmán (Haras de Pirque), Germán Lyon (Perez Cruz), José Pablo Martin (Tamaya) e o francês Pierre Viala. O vinho é um belo cabernet/syrah do Alto Maipo

A Rukumilla é uma vinícola orgânica do vale do Maipo, pertencente a Andres Costa. Apenas um vinho é produzido, outro corte de cabernet/syrah, de excelente qualidade.

Francês de Cognac, Jose Luis Martin-Bouquillard passou cerca de 15 anos na gigante Pernod-Ricard e quatro na LVMH, mais precisamente na Veuve-Cliquot. No Chile, dirige com outros cinco amigos a Clos Andino, vinha de Curicó, especializada em cabernet-sauvignon.

A Garage Wine Co. e um projeto franco-canadense, cujas uvas provém do Alto Maipo, de Casablanca ou do Aconcágua, dependendo do que os enólogos pretendem. Os vinhos são bons e difíceis de encontrar, mesmo no Chile.

A Gillmore é uma vinícola do vale do Maule, colecionadora de prêmios. O Hacedor de Mundos, corte de cabernet franc, cabernet-sauvignon e merlot, é assombroso.

Hereu é um corte de syrah, malbec e carignan, de três diferentes vales chilenos. O dono da vinícola é o francês Arnaud Hereu, que também é enólogo da Odjfell.

Irene Paiva, enóloga da San Pedro, é uma das sócias do I Latina, que faz um bom syrah no vale do Cachapoal.

Os vinhos da Meli, Starry Night, Tipaume e Trabun eu ainda não tive a chance de provar. Mas, em se tratando de sócios do MOVI, singulares eles com certeza devem ser.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Muito além do retsina

por Alexandre Lalas


Quando as pessoas pensam em vinho grego, a primeira coisa que lhes vem à cabeça é o tradicional retsina, vinho branco em que, antes ou durante a fermentação, são adicionados ao mosto pedaços de resina de pinheiro de Alepo. Muita gente odeia e sequer considera a bebida um vinho de fato. Eu gosto. Beber um resinado é como viajar no tempo, já que sua origem remonta à Antiguidade. Mas o fato é que a indústria vinícola grega tem muito mais a oferecer do que os vinhos resinados. E nos últimos anos, os brasileiros têm começado a descobrir estas opções.

O país é repleto de castas autóctones, com nomes quase impronunciáveis. Para os que curtem descobrir uvas diferentes, é uma beleza. Entre as brancas, destaque para a savatiano e a assyrtikó. A primeira é a mais plantada uva grega, comumente usada na produção dos resinados. Infelizmente, é associada a vinhos de baixa qualidade. Recentemente, bons produtores têm conseguido resultados interessantes com a savatiano. A assyrtikó é originária de Santorini. Costuma gerar brancos minerais e ricos em acidez.

Outras três uvas brancas gregas merecem atenção: malagousia, moschofilero e robola. A malagousia estava praticamente extinta há 20 anos atrás. E se não sumiu de vez de mapa, muito se deve ao trabalho de Vangelis Gerovassiliou, então enólogo da Carras Estate, vinícola de Calcídica. Os primeiros varietais de malagousia apareceram no mercado no começo dos anos 1990. Aromas de flores brancas são comuns a vinhos feitos com esta uva, principalmente nos que não passam por madeira. A moschofilero é bastante popular na Grécia. Gera brancos com muita intensidade aromática, semelhante aos feitos com muscat e gewürztraminer. A robola é a principal cepa da Cefalônia e das Ilhas Jônicas. Seus vinhos costumam ser frescos, vivos e cítricos.

Entre as tintas, muita diversidade. A principal uva é a agiorgitiko. Versátil, pode ser usada na produção de rosados, tintos leves ou encorpados e até vinhos de sobremesa. Nemeia, no Peloponeso, é de onde saem os melhores feitos com a casta. A mavrodaphne é uma das mais conhecidas uvas da Grécia. Muito por conta do vinho de sobremesa epônimo, feito em Patras. Lembra muito um porto tawny. Outra uva tinta interessante é a xinomavro. Pobre em cor e rica em acidez, costuma ter aromas florais com toques de especiarias. Típica de Creta, a kotsifali é mais usada em cortes, principalmente com a mandilaria. Uma das mais antigas uvas gregas, a limnio também é mais usada em blends.

O mapa do vinho grego é dividido em onze regiões oficiais, que abrigam 28 apelações de origem. As regiões são Trácia; Macedônia; Epiro; Tessália; Grécia Central e Ática; Peloponeso; Ilhas Cíclades; Rodes; Cefalônia e Ilhas Jônicas; Limnos, Samos e Ilhas do Egeu; e Creta. Na última década, investimentos pesados, tanto nas vinhas quanto nas cantinas, transformaram o perfil do vinho grego. A busca pela qualidade passou a ser uma obsessão entre os bons produtores. No Brasil, algumas importadoras têm apostado, com algum sucesso, nos gregos. A Mistral traz bons rótulos de Gaía, Gerovassiliou e Antonópoulos. A Vinci aposta nos vinhos da gigante Boutári e da tradicional Cambás, de propriedade da Boutári. A Expand importou vinhos do Château Nico Lazaridi.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Na dúvida, churrascaria

por Luciana Plaas


Sabe aqueles dias em que a gente não tem a menor ideia daquilo que quer comer? Pois é, com o calor destes dias tenho me sentido com frequência assim. Sábado passado foi exemplo disso. Eu e Alexandre estávamos na Barra, com uma fome meio mais ou menos. O que comer? Nenhum dos dois ousava escolher. A solução? Uma churrascaria. E fomos os dois para a Barra Grill (R$ 63, o rodízio).


Fomos recebidos na porta pela Juliani Hininh, a sommelière do Barra Grill. Além de competente, ela é uma simpatia. Como nos conhece de outros carnavais, mal sentamos e ela pediu logo uma dúzia de ostras. Eles têm sempre e são deliciosas. Mas nem vou falar muito das ostras, ou vai parecer que como apenas isso!


Logo depois estacionou ao nosso lado o carrinho de caipirinhas. O caju estava com uma cara ótima. Não resistimos. Bladimir, o “piloto”, nos preparou duas de cachaça Montanhesa e caju (R$13). Divina! Fui dar uma olhadinha no bufê. Adoro a salada waldorf. Aquela com maça, aipo e nozes. Servi-me também de sashimi de salmão e alface.


Quando começaram a chegar as carnes, pensei que não ia nem comer. Mas a picanha estava linda, mal passada como eu gosto, e lá fui eu. Chegou a farofa de ovo, imprescindível com a carne. Como resistir? Lembrei-me que tinha salada de batata bufê. Aí a farra ficou completa.


Reparei que estava sendo montada uma adega enorme, logo na entrada, junto ao bar. Perguntei à Ju qual seria a capacidade e ela nos disse que teria espaço para 1.800 garrafas. Ela ainda nos contou que o restaurante inteiro está sendo reformado. Tudo por partes, para não atrapalhar a clientela.



Conversa vai, conversa vem, voltou o Franklin, o garçom daquela primeira picanha. Perguntou-nos qual seria a carne da vez? Como não decidíamos, ele foi à cozinha e voltou com várias peças de carne, ainda cruas. Explicou-nos cada pedaço. Como nem eu nem Alexandre éramos capazes de decidir mais nada àquela altura, deixamos que o próprio Franklin escolhesse qual seria a próxima carne. Minutos depois ele veio com uma surpresa: um kobe bife. Mal precisava de faca. Um sabor maravilhoso, para deixar guardado na memória. Depois, só mesmo um café e a conta, por favor!

Avenida Ministro Ivan Lins, 314
Barra da Tijuca
2493-6060 e 2493-4003
www.barragrill.com.br

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Bendita cachaça!

por Alexandre Lalas

Embora o título da coluna que eu escreva semanalmente no Jornal do Brasil seja “vinhos e outras cachaças”, a mais brasileira das bebidas nunca teve um grande espaço por lá. Chegou a hora de reparar esta injustiça. Por definição, a cachaça é a aguardente produzida pela destilação do mosto resultante da fermentação do caldo de cana. No sentido figurado, significa paixão, inclinação ou gosto, por uma pessoa ou uma coisa. Há ainda outro, pejorativo, que muito irrita aos admiradores da cachaça: é quando alguém que bebe além da conta é taxado como “cachaceiro”. Maldade. Como bem lembra o especialista em cachaça Bernardo Kvapil, muitas vezes a pessoa sequer bebe cachaça.

Bernardo é um dos batalhadores para que a cachaça seja vista de forma mais carinhosa pelo brasileiro. E um ferrenho defensor do controle de qualidade da bebida. Ele costuma ensinar que ao escolher uma cachaça, o consumidor deve estar atento a alguns detalhes. Selo do IPI, informações do fabricante, procedência, CNPJ e registro no Ministério da Agricultura são garantias de que certos padrões foram cumpridos na fabricação.


Assim como o vinho, degustar cachaça também tem lá os seus rituais. Mais uma vez, é Bernardo Kvapil quem dá as dicas. Para começar, é preciso analisar a cor. A boa cachaça tem que estar transparente. Mesmo aquelas envelhecidas em madeira. Partículas em suspensão significam impurezas. E um provável descuido na hora de engarrafar a bebida. Cachaças turvas devem ser evitadas. Outra dica de Bernardo é girar o líquido no copo, assim como no vinho. As bebidas que não formem lágrimas são cachaças de nível inferior.

O passo seguinte é avaliar o aspecto olfativo. Segundo Bernardo, uma boa cachaça tem aromas de cana em primeiro lugar. E, dependendo do tipo de armazenamento, baunilha, canela, cravo e outras especiarias. Aromas de couro, terra e ovo denotam a presença de objetos estranhos à cachaça, portanto, de má procedência. Outro aspecto que mostra defeito na bebida é a ardência no nariz quando se inala a cachaça.

E, por fim, botamos a cachaça na boca. Bernardo recomenda que o degustador dê dois pequenos goles apenas para espalhar pela língua e as bochechas. Com a boca já preparada para receber o líquido, aí sim o degustador pode tomar goles mais generosos. Uma advertência que Bernardo faz é sobre o tipo de cachaça a ser provado. As novas, em geral brancas, com estágio em aço ou madeiras neutras, são mais agressivas ao paladar. Em geral, são as preferidas dos já iniciados. Enquanto as envelhecidas em madeira são, na maioria das vezes, mais macias, redondas.

Portanto, aproveite as preciosas dicas de Bernardo Kvapil, escolha a cachaça e deixe se levar pela mais brasileira das bebidas. Seja pura ou na consagrada caipirinha, com a fruta que bem entender.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Frango recheado

por Luciana Plaas

Sabe quando você abre a geladeira e encontra duas fatias de presunto de Parma e umas rodelas de queijo? Pois é, está receita serve para acabar com esses sobras.

Compre filés de frango. Ponha os filés em cima de uma tábua com um pedaço de papel manteiga em cima. Bata com o fundo de uma panela pesada em cima dos filés. Solte toda sua raiva. Com isso eles ficarão maiores e mais finos. Tempere com sal e pimenta.


Recheie com o que você tiver. Usei o presunto de Parma e mussarela. Amarre. Normalmente, as pessoas usam barbante. Eu, na verdade, prefiro prender com um palito de dente. Acho mais fácil. Mas tem que ficar bem fechadinho para que o recheio não escape.


Depois passe o frango na farinha, batendo para sair o excesso. Numa frigideira coloque um pouco de óleo e aqueça. Ponha os filés recheados e cozinhe em fogo baixo durante uns 15 minutos.



Retire-os da panela. Retire os palitos (ou o barbante). Na mesma frigideira coloque duas colheres de sopa de caldo de galinha e seis colheres de sopa de Marsala. Deixe borbulhar. Sirva o frango com o molho.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Os vinhos do Aragão

por Alexandre Lalas

A Espanha é um dos países que apresenta o melhor custo-benefício para a compra de vinhos. Lá, com cinco euros (cerca de R$ 15) o sujeito compra uma garrafa decente de um bom tinto. Além das regiões tradicionais, como Rioja, Ribera del Duero e Priorato, existem outras áreas que, há coisa de duas décadas, sequer figuravam nos manuais de vinho. E é de lugares assim que têm saído, com frequência cada vez maior, coisas fantásticas a preços bem convidativos. São áreas como Bierzo, no noroeste espanhol, e Jumilla, no sudeste do país. Mas, sem sombra de dúvida, nenhuma outra região tem apresentado tanta qualidade com quantidade como o Aragão.


Situado no nordeste espanhol, aos pés dos Pirineus, a região conta com quatro denominações de origem: Cariñena, a mais antiga; Campo de Borja, Calatayud e Somontano, mais nova e mais conhecida das quatro.


Se nas três primeiras denominações a garnacha tinta reina soberana, em Somontano uma política de abertura permitiu aos viticultores experimentarem outras castas, com sucesso. Além da garnacha, tempranillo, merlot, cabernet-sauvignon, syrah, chardonnay e até mesmo a pinot noir apresentam bom resultado na região. O que impressiona é o fato de que há 20 anos a região praticamente não existia no mapa do vinho espanhol. A coisa começou a mudar em 1984, quando Somontano ganhou o status de denominação de origem. Outro fator é que os bodegueiros locais souberam, como poucos, entender e atender as necessidades de um mercado em transformação. Hoje em dia, Somontano está na linha de frente das zonas vinícolas espanholas, terra de tintos e brancos que recebem notas altas da crítica especializada, com um rota turística estabelecida e procurada, tanto por espanhóis como por estrangeiros. Entre as vinícolas locais, destacam-se Enate, Viñas del Vero, Bodega Pirineos, Lalanne, Fábregas e Laus, entre outras.


Calatayud talvez seja a mais promissora de todas as quatro regiões aragonesas. O lugar sempre foi conhecido pela fruta extraordinária que produzia. As condições naturais de lá são excepcionais para a videira. A vindima raramente começa antes do meio de outubro, quando a maioria das outras regiões já encerrou a colheita. A amplitude térmica e alta e o lugar é extremamente seco, por conta da altitude. E abundam as vinhas velhas de garnacha, com mais de 50 anos de idade, de produção pequena. De 1990 para cá, a região começou a se organizar e a qualidade dos vinhos não parou de crescer, e o que é melhor, os preços continuam excelentes. A prova, é que 76% da produção local são exportadas. Isto se deveu à estratégia das vinícolas locais, que preferiram buscar espaço fora da Espanha a enfrentar um mercado feroz e saturado de novos produtores. Niño Jesus, Albada, Jalón, San Gregorio, Agustin Cubero, Langa Hermanos, San Alejandro (que faz o ótimo Baltasar Gracián) e Virgen de La Sierra são alguns dos produtores locais que merecem atenção.


Cariñena é a mais tradicional das denominações do Aragão. Mas, neste caso, tradição não se reflete em melhores vinhos. A região talvez seja a mais irregular das quatro. Na mão de bons produtores, a garnacha gera vinhos ótimos, macios, complexos, longevos. Mas, infelizmente, ainda há muita gente no lugar que privilegia a quantidade e lança vinhos de baixa qualidade no mercado. Entre os bons produtores estão Esteban Martín, Bodegas del Señorio, Perdiguer, San Valero, Solar de Urbezo, Monfil, Señorio de Aylés e Sucesores de Manuel Piquer.



A outra região do Aragão é Campo de Borja. O lugar fica entre duas zonas vinícolas tradicionais, Rioja e Cariñena. Ali não houve migração de grandes empresas, nem tampouco investidores endinheirados ávidos por tornarem-se viticultores. A região cresceu com o esforço coletivo das produtores locais. E no caso, a união fez a força. De 900 mil garrafas vendidas em 1991, Campo de Borja saltou para 15 milhões em 2006, sendo que metade disso para o mercado externo. Borsao, Bordejé, Caytusa, Bodegas Aragonesas, Mareca e Agro-Frago são algumas das melhores vinícolas da região.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O menino Glicério

por Alexandre Lalas


Glicério nem um ano tinha quando a mãe deixou Fortaleza e os filhos para trás em busca de chances melhores na vida. O avô materno era quem cuidava das crianças na capital cearense. Ou, talvez, fossem as crianças que ajudassem a cuidar do avô, doente desde que levara uma chifrada no abdome. Quando o avô faleceu, o pai biológico cuidou de Glicério. Por um tempo. Um belo dia levou o menino para passar o fim de semana na casa da avó. Nunca mais voltou.

Menos mal que a avó morava em uma bela casa na roça, em um vilarejo que nem no mapa estava. Em toda a vila, televisão só havia uma. Que funcionava a bateria. Luz elétrica e água encanada, nem pensar. A cidade mais perto era Antônio Diogo, que ficava a cerca de 70 km de Fortaleza. Glicério tinha quatro anos. Para uma criança naquela idade, o lugar era perfeito. A rotina era escola, chupar uma manga na sombra da mangueira, banho de açude, passeio a cavalo. Uma infância feliz.

Até que a mãe, a esta altura morando no Rio de Janeiro, bem empregada como costureira em uma boutique e casada novamente, achou que já era hora de buscar Glicério. E então veio o menino, acostumado à imensidão do campo, morar em uma quitinete na Lapa, com a mãe, as duas irmãs, e o novo pai.

A adaptação não foi nada fácil. Os costumes eram diferentes. O garoto acostumado a feijão de corda, baião de dois e carne de sol, teve que começar a comer salada. As brincadeiras infantis na escola também eram estranhas a Glicério. Mas o garoto logo se enturmou e tornou-se popular.

Quando a família se mudou para Botafogo, para um apartamento melhor, Glicério entendeu que já era hora de trabalhar. E aos 12 anos, começou a lavar carros em um estacionamento no Catete, onde o tio trabalhava. Depois, virou jardineiro em uma vila pertinho do Museu da República. Além de estudar e trabalhar, ainda arranjava tempo para treinar no Aterro do Flamengo, entre os dentes de leite do clube da Gávea.

A experiência no futebol não deu muito certo. Nem a jardinagem. Quando perdeu o emprego de jardineiro, Glicério foi indicado por um amigo para trabalhar como assistente de garçom no Bar do Tio Otávio, em Botafogo, pertinho de onde morava. Glicério tinha 16 anos. E a vida começava a tomar um novo rumo. De auxiliar, virou garçom. Depois, subgerente. Mudou de restaurante para ganhar melhor. Até que foi parar no Valdostano, especializado em comida italiana. Nas folgas, tomava cerveja com os amigos. Quando saía com alguma garota especial, pedia vinho. Liebfraumilch, branco alemão meio-doce, bem popular na época, era a escolha.

No Valdostano, conheceu Valmir Pereira. Valmir incentivou Glicério a fazer um curso na Associação Brasileira de Sommeliers. O mercado de vinhos começava a despontar, e ainda havia muito poucos profissionais gabaritados trabalhando em restaurantes. Glicério foi. Fez cursos e concursos. Formou-se e foi trabalhar com Danio Braga, na recém-aberta Loccanda della Mimosa. Ficou lá por 12 anos. E aquele garoto, criado solto na roça, virou Glicério Marcos Lima, um dos mais importantes sommeliers do país. Hoje, além de professor da ABS, presta consultoria à rede de supermercados Esal, de Angra dos Reis. E é titular absoluto do time de degustadores da Confraria dos Nove.

Na semana passada, tive a honra de ser convidado para participar da mesa avaliadora da prova de Homologação de Sommelier Profissional da ABS. Dos 14 inscritos, apenas cinco chegaram à prova final. Destes, somente dois conseguiram a certificação e receberam o pin. Emocionados, Ramón Justo, do Garcia & Rodrigues; e Rodrigo Moura, do Salitre, mal cabiam nos elegantes ternos que usavam. Emocionado com a felicidade de ambos estava também um dos jurados: Marcos Lima, o menino Glicério, que via na vibração dos dois aprovados, um pouco da própria história.

E aos que não conseguiram a homologação, vale o exemplo de Marcos. Na primeira prova que fez, sequer passou no exame escrito. Chorou, estudou, se dedicou. Três anos depois, Glicério Marcos Lima ganhava o concurso de melhor sommelier do Rio.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vale a pena tropeçar

por Luciana Plaas

Quando abriu, o Degrau tinha outro nome. Chamava-se Progresso. Na porta, havia um degrau traiçoeiro, onde muita gente tropeçava. Tão famoso ficou o tal degrau, que acabou por mudar o nome do restaurante. Isso já tem bem meio século!

Pois não é que os atuais donos do Degrau resolveram abrir um boteco! Ao lado do restaurante, onde funcionava um açougue. E decidiram chamar o lugar de Tropeço. Mas, pelo menos que eu tenha notado (ou tropeçado), ali não há nenhum degrau traiçoeiro, esperando para derrubar os mais incautos!

Desde que abriu, o bar vive cheio. Hoje, no meio da tarde, calhou de estar vazio. Não nos fizemos de rogados. Aproveitei que estava com a minha máquina a tiracolo e entramos. Pedi uma Caipirinha de caju (R$9,50), com cachaça Nega Fulo. Um clássico. Pedi o cardápio, mesmo sem fome. Logo vi algo que me chamou atenção: Mandioca metida a besta (R$15,90). Cozida, passada na manteiga e com salsa. Leva parmesão, que pedi para vir separado. Estava uma delícia.



Depois, provei os Pastéis, uma das especialidades do Degrau. Um de queijo, simples e um outro de mussarela de búfalo com tomate (R$ 12,90). Estavam sequinhos, mas o recheio estava frio. Fiquei na dúvida se não fritaram o suficiente ou se o queijo era de má qualidade.



Descobrimos um drinque, o Caipilé (R$ 7). Nada mais é do que uma caipivodca com um picolé dentro. Muito refrescante. Dos que provamos, melhor foi o de frutas vermelhas com picolé de uva. Que delícia! O problema é que quando alguma coisa dá certo, nós nos permitimos ousar um pouco mais. E o Alexandre quis experimentar uma criação da casa, o mojito de uvas verdes (R$9,00). Péssima escolha. Não satisfeito, arriscou um mojito tradicional (R$11,50). É o tipo de drinque que parece super simples de se fazer. Mas não é. O barman titular da casa estava de folga. Não serve como desculpa, afinal, o padrão precisa ser mantido.

Mas não foi o único tropeço da tarde. Pedimos o Sirizinho nada egoísta (R$ 14,90). Eram duas casquinhas de siri, um tanto pesadas, e com menos siri do que o desejado. Menos mal que depois pedimos os Camarões boêmios (R$25,90). Eram camarões empanados, com um molho tipo maionese, que é até desnecessário, tão bons estavam os crustáceos! Divinos! Sequinhos, e no ponto certo!



Uma coisa bem legal deste boteco é o cardápio. Nomes criativos, descrições apetitosas dos pratos. Ambiente bom e serviço idem. Resumindo, tem tudo pra dar certo. Mas nem tente chegar nos horários de pico. Ou correrá o risco de tropeçar em uma fila de espera nada apetitosa!

Tropeço
Avenida Ataulfo de Paiva 517, A
Leblon
(21)2239-3121
www.bartropeco.com.br

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Vinho da semana: Lagar de Cervera Albariño 2007

por Alexandre Lalas

Lagar de Cervera Albariño 2007
Rías Baixas, Espanha
O grande campeão da prova de alvarinhos é uma beleza de vinho. Cítrico, fresco, equilibrado, com aromas de pêssego e lima, e um bom e elegante final. Perfeito com frutos do mar.
Nota: 8,5
Preço: R$ 98
Onde: Zahil (3860-1701)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cookies para relaxar

por Luciana Plaas

Sabe aquele dia que absolutamente tudo dá errado. Até o que parecia mais banal? Pois é, foi este dia que eu tive. Quando pensei que nada mais pudesse dar certo, Nicolle minha filha, me perguntou se ajudaria ela a fazer cookies.

Foi a solução para tudo, mau humor, saco cheio, desânimo...
Esta receita é muito fácil e rápida. São aqueles americanos mesmo, que tem pedaços de chocolates. A receita original usa smarties/confete, mas já fizemos com todos os tipos de chocolates. Adaptamos do livro 101 Cakes &Bakes – Bbc Books.
Nunca deu errado!




Abaixo, a receita:

Cookies:
100g de manteiga (fora da geladeira ½ hora antes),
100g de açúcar mascavo;
1 colher de sopa de melado;
150g farinha com fermento;
85g de chocolate ao leite cortado em pedaços (ou o que quiser usar).

Aquecer o forno a 180 graus. Bata a manteiga com o açúcar até que vire um creme, depois junte o melado. Coloque a farinha, depois o chocolate. Divida em dez bolinhas. Coloque no tabuleiro, separadamente. Asse por 12 minutos.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Alvarinho em questão

por Alexandre Lalas

Imagine um vinho vivo, leve, de uma acidez vibrante, com aromas de lima, pêssego e damasco, e um delicadíssimo amargor no final. Ao se deparar com um branco assim, pode apostar sem medo de errar: é um alvarinho (ou albariño, se for espanhol). A uva é muito comum na região do Minho, no norte de Portugal, e na Galícia, no noroeste espanhol. Em solo português, pode ser encontrada tanto nos vinhos verdes quanto em brancos maduros. Na Espanha, gera alguns dos mais interessantes brancos do país. A alvarinho não costuma envelhecer muito bem, portanto, é bom comprar a safra mais recente e não convém guardar por muito tempo na adega.

Pois foi a alvarinho, a uva escolhida pela Confraria dos Nove para a primeira degustação às cegas de 2010. Quatorze vinhos feitos com a casta, de quatro países diferentes, participaram da prova. Oito portugueses, quatro espanhóis, um uruguaio e um brasileiro. Embora o ideal seria que todos os rótulos fossem da mesma safra, as colheitas variavam entre 2005 e 2009. E aí cabe uma explicação: como a degustação é voltada para o consumidor, foram provados os vinhos que estão disponíveis nos catálogos dos importadores. O objetivo da prova não era avaliar qual o melhor alvarinho de um determinado ano, mas indicar ao apreciador qual o melhor vinho feito com a uva entre os que estão à venda no mercado do Rio de Janeiro.



A prova foi realizada na loja da Grand Cru, no Jardim Botânico. Além do anfitrião Maurício Kauffman, participaram da mesa os sommeliers Dionísio Chaves, Éder Heck, João Souza, Marcos Lima e Yan Braz; os importadores Aníbal Patrício, Duda Zagari, João Luiz Manso e Lílian Seldin; e os enófilos Fernando Miranda, Luciana Plaas, Roberto Lacerda e o colunista. E no embate entre portugueses e espanhóis, melhor para os galegos. Em primeiro lugar, com boa vantagem, ficou o Lagar de Cervera 2007, seguido pelo surpreendente uruguaio Bouza Alvarinho 2008 e pelo português Portal do Fidalgo 2006.


Abaixo, o resultado final:

1º) Lagar de Cervera Albariño 2007 – Rías Baixas, Espanha – R$ 98; Zahil (3860-1701)

2º) Bouza Alvarinho 2008 – Canelones, Uruguai – R$ 81,30; Decanter (2286-8838)

3º) Portal do Fidalgo 2006 – Minho, Portugal – R$ 43,15; Casa Flora (2224-0826)

4º) Nora 2007 – Rias Baixas, Espanha – R$ 106,02; Vinci (2246-3674)

5º) Morgadio da Torre Alvarinho 2007 – Minho, Portugal – R$ 77; Zahil (3860-1701)

6º) Edizione Terzetto Alvarinho 2009 – Campanha, Brasil – R$ 63; Terzetto Café (2247-3243)

7º) Alvarinho Soalheiro 2007 – Minho, Portugal – R$ 84,07; Mistral (2274-4562)

8º) Rolan Alvarinho 2007 – Minho, Portugal – R$ 57; Adega Alentejana (2286-8838)

9º) Alvarinho Deu La Deu 2008 – Minho, Portugal – R$ 49,90; Barrinhas (2131-0031)

10º) Quinta dos Loridos Alvarinho 2006 – Óbidos, Portugal – R$ 50; Portus Cale (11 3675-5199)

11º) Pazo San Mauro 2005 – Rías Baixas, Espanha – R$ 98; Expand (3875-1566)

12º) Quinta da Lixa 2006 – Minho, Portugal – R$ 55; Garrafeira Real (2584-0834)

13º) Alvarinho Muros Antigos 2008 – Minho, Portugal – R$ 86,20; Decanter (2286-8838)

14º) Martín Códax Lías 2006 – Rías Baixas, Espanha – R$ 183; Península (2529-8983)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Filé no paraíso

por Luciana Plaas


Havia tempo que eu estava com vontade de ir à Casa do Filé. Passo sempre na frente do restaurante. É simpático por fora, dá vontade de entrar. Nesta semana, finalmente consegui me programar para ir lá. Levei o Alexandre comigo, meu fiel escudeiro. Fomos caminhando debaixo de um sol de 40o. Quando entramos no lugar, parecia que tínhamos chegado ao paraíso. Fresquinho lá dentro. Fazia tanto calor que pensamos que a fome tinha evaporado. Tinha nada. Bastou sentirmos o cheirinho da carne que o apetite voltou.

Pedimos pasteis de entrada. Mistos. Vieram seis. Camarão com catupiry, brie com geléia de damasco e carne com cheddar. (R$17) Não gostamos muito do de camarão, mas mesmo assim comemos tudo.


A casa oferece, na hora do almoço, duas opções diárias de menu executivo. Uma entrada, prato principal e sobremesa. No dia em que fomos, tinha picadinho como prato principal. Raramente resisto a um picadinho, mas no dia, tanto eu como Alexandre, optamos pelo filé em crosta. Afinal, é esta a especialidade da casa. Dá direito a um molho e dois acompanhamentos (R$32). Optei pelo molho de manteiga e ervas. De acompanhamentos salada verde e batata sauté. O Alexandre pediu o bife dele sem molho, com farofa de manteiga e cebola e salada verde também.



As porções são pra gente grande mesmo. Estava bom, mas eu não consegui comer nem metade da minha carne. Veio no ponto que pedi. Com a famosa crosta e tudo mais. Bem do jeito que se imagina, sem nenhuma surpresa. O Alexandre disse que não aguentava mais comer, mas não parou até raspar o prato. Apesar de eu ter pedido molho, quase nem toquei nele. A carne é tão saborosa que nem precisou.

De sobremesa dividimos um creme de papaya com licor de cassis. (R$11). Simples e bom, como tem que ser.


O lugar, além de bonito, é bastante gostoso. O garçons são simpáticos e o maître, atencioso, faz de tudo para agradar os clientes

Foi tudo muito bom e valeu a pena a espera em conhecer a Casa do Filé. Difícil mesmo foi abandonar o ar-condicionado e voltar andando pra casa no calor infernal que fazia no dia!

Casa do Filé
Largo do Leões, 111 Humaitá
2246-4901
www.casadofile.com.br