segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Feira moderna

Luciana Plaas


O que é um produto orgânico? Essa foi a pergunta que uma rede de TV estava fazendo às pessoas quando cheguei na feira orgânica do Leblon. Para serem considerados orgânicos, as frutas, hortaliças, grãos, laticínios e carnes têm de ser produzidos respeitando o meio ambiente e sem utilizar agrotóxicos, pesticidas e outras substâncias que possam colocar em risco a saúde dos produtores e consumidores.


Para garantir que um produto é orgânico é preciso verificar todo o sistema de produção. Por isso, o Ministério da Agricultura criou um selo certificando se o produto respeita as normas estabelecidas para que possa ser rotulado como orgânico. O selo do SISORG (Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica) passará a ser obrigatório, a partir de janeiro de 2011, para todos os produtos orgânicos comercializados no varejo. Feirantes e pequenos produtores que fazem venda direta ao consumidor estarão livres da obrigatoriedade do selo. Mas para que esses produtos sejam vendidos como orgânicos, esses agricultores precisam ser vinculados a uma organização de controle social cadastrada nos órgãos do governo.


Quem escolhe produtos orgânicos está preocupado com a saúde, em preservar o meio ambiente e ajudar os pequenos produtores rurais. Na feira do Leblon, que começou esta semana, lá estavam pouco mais de uma dúzia de produtores. O Capril de Ville que faz queijos em Visconde de Mauá estava lá. A Fátima do Verde Orgânico também participa da feira: ela fornece legumes e verduras para vários restaurantes do Rio, além de ter o apoio do Claude Troisgros. Assim como os produtos orgânicos, a feira é pequena, mas faz a diferença.


Feiras
Terça-feira - Nossa Senhora da Paz - Ipanema
Quinta-feira - Rua Marques de São Vicente, 225, Gávea (PUC)
Quinta-feira - Praça Antero de Quental - Leblon
Sábado - Praça do Russel - Glória
Sábado - Rua Marechal Dantas Barreto, Campo Grande (Atrás do estacionamento do West Shopping)
Sábado - Glória - Praça do Russel
Sábado - Pracinha do bairro Peixoto
Sábado - Em frente a Igreja São José
Domingo - Estrada da Barra da Tijuca nº 1990 - Itanhangá

Outras maneiras de comprar orgânicos

Verde Orgânico - Fátima: 9650-5314 /(24)2259-2106 (faz entregas 3ª, 5ª e sábado)
www.sitiodomoinho.com
Fazenda do Cafundó (cafundo@ism.com.br)
Capril De Ville - Mirantão - Visconde de Mauá (deville@guiamaua.com.br) - (32) 3294 2064

domingo, 5 de setembro de 2010

O vinho da pedra amarela

por Alexandre Lalas

Gonzalo Muñoz e Sven Bruchfeld eram colegas de universidade no Chile. Desde a época, já sonhavam em montar alguma coisa juntos no futuro. Mas um foi estudar na Espanha, o outro saiu por aí trabalhando em vinícolas mundo afora e o projeto esfriou. Até que calhou de Sven e Gonzalo se encontrarem para passarem uns dias Narbonne, na França. Foram juntos a uma degustação de syrah em uma vinícola local e saíram de lá com a certeza de que a hora para tocar os projetos em conjunto havia chegado. E que a uva escolhida para dar continuidade ao sonho de ambos era a syrah.

De volta ao Chile, saíram em busca de um lugar para plantar as vinhas. Quando uma corretora de imóveis ligou avisando que havia um terreno em uma colina aos pés da Cordilheira da Costa, em Marchigüe, no vale do Colchágua, Sven, que já passara pelo lugar em uma visita anterior ao povoado, sabia que o lugar havia sido encontrado. E, de fato, ali os dois amigos, que àquela altura já contavam com os precisos préstimos de um sócio capitalista, fincaram as raízes da Agrícola La Viña. O ano era 2002.

Dois anos depois foi lançada a primeira safra. O vinho foi batizado como Polkura, que significa pedra amarela, no idioma mapuche, e é o nome da colina que fica na área do vinhedo. Ambos sabiam bem o que estavam fazendo e não foi surpresa para eles a boa receptividade que o vinho teve.

De lá para cá, a La Viña só fez crescer, e sem sacrificar a qualidade dos vinhos. Novas uvas foram plantadas, possibilidades exploradas e novos rótulos, sempre muito bem feitos, lançados. Independente e artesanal, a vinícola é membro atuante do MOVI, o movimento dos vinhateiros independentes do Chile.

Na semana passada, Sven Bruchfeld esteve no Rio para uma degustação seguida de almoço, no restaurante Mr. Lam. Ali, o enólogo apresentou uma degustação vertical do Polkura, além de mostrar dois novos lançamentos da La Viña. Foram provadas as safras 2004, 2006, 207 e 2008 do Polkura, além do Polkura Block G + I 2007 e o Aylin Sauvignon Blanc 2009, feito no vale de San Antonio, em Leyda.


Consistência na qualidade é a marca dos vinhos. Todos os tintos se equivalem, com ligeiro destaque para o Polkura 2006, que está no momento perfeito para ser degustado.
Abaixo, as notas de prova dos vinhos. Todos os rótulos da Agrícola La Viña são distribuídos no Brasil pela Premium (31 3282-1588).


Aylin Sauvignon Blanc 2009
Vale de Leyda, Chile
Aylin significa “claridade” e “transparência”. Daí a razão do nome deste sauvignon blanc feito em San Antonio, no vale de Leyda. Nariz intenso, com notas de frutas cítricas e tropicais, como abacaxi, papaia e um toque de manga, e ainda notas minerais. Na boca, médio corpo, muito frescor, bom volume e um final de média persistência e relativamente doce.
Nota: 8.5
Preço: R$ 42

Polkura Syrah 2004
Vale do Colchágua, Chile
Primeiro vinho produzido pela dupla Sven/Gonzalo, um syrah de primeira linha, com estágio de 12 meses em barricas de diversas tonelerias, origens e idades diferentes. Rico e intenso no nariz, ainda com muita fruta, como amora, mirtilo, figo, tomilho, com notas de baunilha e evolução para chocolate. Na boca, tem bom corpo, maciez, equilíbrio, volume e um final longo.
Nota: 9
Preço: N/D

Polkura Syrah 2006
Vale do Colchágua, Chile
Neste vinho, pela primeira vez na história da Polkura, a syrah não reina soberana. Aos 92% de syrah, se juntaram 4% de malbec, 2% de viognier e 2% de outras três castas: tempranillo, mourvèdre e grenache noir. O resultado foi um vinho igualmente impactante, porém, um pouco mais elegante do que o antecessor. No nariz, a mesma fruta negra madura, especialmente amora, junto a notas marcantes de pimenta negra e anis. Na boca, ótima estrutura, com muito corpo, taninos finos, bastante volume, equilibrado e com um final longo e cheio de fruta.
Nota: 9
Preço: N/D

Polkura Syrah 2007
Vale do Colchágua, Chile
Foi um ano mais frio do que costume em Marchigüe, o de 2007. E o resultado é um vinho ligeiramente diferente do estilo normal do Polkura. Menos intenso no nariz, com notas mais florais, embora ainda se encontre a fruta negra, as ervas e a pimenta. Na boca, é menos vigoroso, mas bastante fino, com ótima estrutura e um grande frescor. Final longo e que deixa uma sensação de frescor na boca. Um vinho para envelhecer mais um tempo em garrafa.
Nota: 9
Preço: R$ 75

Polkura Syrah 2008
Vale do Colchágua, Chile
Depois da fria safra de 2007, este Polkura retoma o estilo das safra 2006: nariz intenso, com muita fruta negra, em especial amora, ervas e pimenta negra. Na boca, ainda não está tão pronto quanto o 2006, os taninos ainda estão mais duros. Mas o corpo, o volume, a estrutura e o final longo estão lá. Deve chegar ao Brasil no final do ano.
Nota: 9
Preço: N/D

Polkura Syrah Block G+I 2007
Vale do Colchágua, Chile
Dos vinhedos da Polkura em Marchigüe, as parcelas G e I são as únicas voltadas para o sul. Por conta disso, recebem uma incidência solar menor, o que resulta em uvas com menos acúmulo de calor, que geram vinhos mais elegantes. Em 2007, Sven e Gonzalo resolveram fazer um vinho feito com uvas apenas destes dois vinhedos. Nasceu então o Block G+I, um syrah com uvas destas duas parcelas, cortadas com 2% de viognier. Fino no nariz, com notas de ervas, amoras frescas, pimenta branca e um toque de anis. Na boca, muita estrutura, volume, frescor, equilíbrio e um final longo e com um toque apimentado.
Nota: 9
Preço: R$ 141