domingo, 24 de janeiro de 2010

Alvarinho em questão

por Alexandre Lalas

Imagine um vinho vivo, leve, de uma acidez vibrante, com aromas de lima, pêssego e damasco, e um delicadíssimo amargor no final. Ao se deparar com um branco assim, pode apostar sem medo de errar: é um alvarinho (ou albariño, se for espanhol). A uva é muito comum na região do Minho, no norte de Portugal, e na Galícia, no noroeste espanhol. Em solo português, pode ser encontrada tanto nos vinhos verdes quanto em brancos maduros. Na Espanha, gera alguns dos mais interessantes brancos do país. A alvarinho não costuma envelhecer muito bem, portanto, é bom comprar a safra mais recente e não convém guardar por muito tempo na adega.

Pois foi a alvarinho, a uva escolhida pela Confraria dos Nove para a primeira degustação às cegas de 2010. Quatorze vinhos feitos com a casta, de quatro países diferentes, participaram da prova. Oito portugueses, quatro espanhóis, um uruguaio e um brasileiro. Embora o ideal seria que todos os rótulos fossem da mesma safra, as colheitas variavam entre 2005 e 2009. E aí cabe uma explicação: como a degustação é voltada para o consumidor, foram provados os vinhos que estão disponíveis nos catálogos dos importadores. O objetivo da prova não era avaliar qual o melhor alvarinho de um determinado ano, mas indicar ao apreciador qual o melhor vinho feito com a uva entre os que estão à venda no mercado do Rio de Janeiro.



A prova foi realizada na loja da Grand Cru, no Jardim Botânico. Além do anfitrião Maurício Kauffman, participaram da mesa os sommeliers Dionísio Chaves, Éder Heck, João Souza, Marcos Lima e Yan Braz; os importadores Aníbal Patrício, Duda Zagari, João Luiz Manso e Lílian Seldin; e os enófilos Fernando Miranda, Luciana Plaas, Roberto Lacerda e o colunista. E no embate entre portugueses e espanhóis, melhor para os galegos. Em primeiro lugar, com boa vantagem, ficou o Lagar de Cervera 2007, seguido pelo surpreendente uruguaio Bouza Alvarinho 2008 e pelo português Portal do Fidalgo 2006.


Abaixo, o resultado final:

1º) Lagar de Cervera Albariño 2007 – Rías Baixas, Espanha – R$ 98; Zahil (3860-1701)

2º) Bouza Alvarinho 2008 – Canelones, Uruguai – R$ 81,30; Decanter (2286-8838)

3º) Portal do Fidalgo 2006 – Minho, Portugal – R$ 43,15; Casa Flora (2224-0826)

4º) Nora 2007 – Rias Baixas, Espanha – R$ 106,02; Vinci (2246-3674)

5º) Morgadio da Torre Alvarinho 2007 – Minho, Portugal – R$ 77; Zahil (3860-1701)

6º) Edizione Terzetto Alvarinho 2009 – Campanha, Brasil – R$ 63; Terzetto Café (2247-3243)

7º) Alvarinho Soalheiro 2007 – Minho, Portugal – R$ 84,07; Mistral (2274-4562)

8º) Rolan Alvarinho 2007 – Minho, Portugal – R$ 57; Adega Alentejana (2286-8838)

9º) Alvarinho Deu La Deu 2008 – Minho, Portugal – R$ 49,90; Barrinhas (2131-0031)

10º) Quinta dos Loridos Alvarinho 2006 – Óbidos, Portugal – R$ 50; Portus Cale (11 3675-5199)

11º) Pazo San Mauro 2005 – Rías Baixas, Espanha – R$ 98; Expand (3875-1566)

12º) Quinta da Lixa 2006 – Minho, Portugal – R$ 55; Garrafeira Real (2584-0834)

13º) Alvarinho Muros Antigos 2008 – Minho, Portugal – R$ 86,20; Decanter (2286-8838)

14º) Martín Códax Lías 2006 – Rías Baixas, Espanha – R$ 183; Península (2529-8983)

Um comentário:

  1. provém Ponciano e digam qualquer coisa?
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